Belfast, Giant Causeway e Game of Thrones tour

11 nov

Belfast foi uma surpresa muito agradável. A Irlanda do Norte não estava na listinha de lugares a serem visitados num futuro próximo. Não sei exatamente o porquê, mas sempre pensei em visitar Dublin, na Irlanda, e Belfast sempre passou batido nas minhas buscas por viagens. Até que, por conta de uma questão burocrática de visto em curso, só podíamos viajar pelo Reino Unido. E pesquisando na internet sobre lugares para visitar por aqui, ‘descobrimos’ Belfast.

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Na verdade, o que mais me impressionou e me animou a visitar Belfast foi a história viva por trás dessa cidade. Na escola lembro de ter estudado a Independência da Irlanda do Reiro Unido e a constituição da república, a briga entre católicos e protestantes, o IRA e seus ataques terroristas em Londres. Mas, na ocasião, achava tudo muito confuso e acho que sempre coloquei no mesmo saco Irlanda e Irlanda do Norte, apesar de saber que eram países diferentes.

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Pois bem, resumindo pra caramba, a Irlanda República, que tem Dublin como capital, depois de uma guerra com os britânicos, conseguiu a independência e se tornou um país autônomo. Porém, a Irlanda do Norte não conseguiu se emancipar e o país ficou dividido internamente entre os católicos – que queriam a república e independência – e os protestantes – que queriam permanecer no Reino Unido. O IRA, grupo paramilitar católico, continuou a luta pela independência e reintegração da Irlanda do Norte à Irlanda. Somente em 1994 o IRA anunciou o cessar fogo e desde então a Irlanda do Norte tenta construir um país onde católicos e protestantes possam conviver harmônicamente e em paz.

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Porém, esses 20 anos de “paz” interna ainda não foram suficientes para católicos e protestantes se entenderem. Há nada menos que 99 “linhas de paz”, ou muros da vergonha, que separam bairros católicos de protestantes. A previsão é que somente em 2023 esses muros sejam derrubados. O governo acredita que os habitantes de Belfast ainda não estão preparados para conviverem sem os muros e que até 2023 vão conseguir trabalhar essas comunidades para viverem juntas. As escolas também são divididas entre protestantes e católicos e, apesar do esforço de construir uma unidade, Belfast é ainda muito polarizada.

Agora vamos ao turismo:

Titanic Experience: o Titanic foi construído em Belfast e há um museu incrível sobre o famoso navio. O Titanic, até a ocasião, tinha sido o maior navio de passageiros já construído. O marketing do navio, na época, era que era inafundável. Porém, 2 horas e pouca após deixar a Inglaterra rumo a NY, nafraugou, matando mais de 1500 pessoas.

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Os Murais: os murais de Belfast são imperdíveis e ilustram a história do conflito entre católicos e protestantes através de pinturas enormes em muros da cidade. Os murais católicos se concentram mais na Falls Road e os protestantes, na Skankill Road. Exploramos mais o lado católico. Na Falls Road, há uma lojinha do partido Sinn Fen, partido político do IRA. Lá, pegamos um mapa muito útil no qual marcava os murais da cidade. Acabamos rodando independentemente, não sentimos em nenhum momento qualquer perigo, afinal, atualmente Belfast está bem segura. Porém, uma colega fez um tour  num daqueles taxis pretos tipo o de Londres que amou. Acho que pode ser bem legal para pegar informações extras que acabamos perdendo por não ser um local. Fiquei com vontade de saber mais sobre tudo aquilo que estava vendo. A companhia foi Belfast Black Cab Tour.

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Muros: como já mencionado, há 99 muros pela cidade dividindo os bairros, uns pequenos e outros chegando a ter 5 km de extensão; alguns tem portões que ficam abertos durante o dia e são fechados à noite. Vale a pena ver algum, só para ter uma ideia sobre até onde a intolerância humana pode nos levar! Vimos o muro da Cupar Street, lado católico (queria ter visto mais, alguma “barreira”, mas não deu).

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Jardim da Lembrança (Garden of Remenberance): esse jardim é um memorial localizado na Falls Road, bairro católico, em memória dos ativistas do IRA mortos. É bem contraditório o sentimento, pois quando se estuda a vida inteira que o IRA é um grupo terrorista e se deparar com um memorial em homenagem a eles, em plena cidade de de Belfast, apresentando uma outra ótica, não deixa de ser chocante. Os seguintes dizeres encontrados no memorial resumem a contradição “Garden of Remembrance: dedicated to those who gave their lives in the cause of irish freedom” (Jardim da Lembrança: dedicado aqueles que doaram as suas vidas pela causa de uma Irlanda livre.

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Giant Causeway: Desde o começo, queríamos ir ver a famosa calçada do gigante, patrimônio cultural da Unesco. Era prioridade, só não iríamos caso o tempo estivesse impraticável para um menininho de 1 ano. =) Felizmente, o tempo foi um parceiro e nos brindou com um dia de sol bem agradável. O Giant Causeway é um passeio imperdível. Dá para acessá-lo tanto de Dublin quanto de Belfast. Literalmente é um calçada na beira do mar, formada por mais de 40 mil colunas de pedra, todas encaixadinhas, onde se pode andar em cima. O cenário é lindo demais, fica dentro de uma reserva natural e há trilhas para subir nos morros que ficam atrás. Vale muito ir, queria ter tido mais tempo lá.

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Game of Thrones tour: Achamos um tour de 1 dia a partir de Belfast que, além de levar a gente no Giant Causeways, levava também em algumas locações do seriado Game of Thrones, do qual somos fãs. Não pensamos duas vezes e fomos com essa companhia, pois para gente unia o útil ao agradável. Foi ótimo, não tenho do que reclamar, paisagens de tirar o fôlego. Mas, como todo tour de 1 dia, ficou corrido. E com bebê complica, o tempo das paradas não era o tempo do Tom e foi meio estressante para ele. Mas sobrevivemos. Além disso, ficamos com muita vontade de estar de carro, explorando mais os locais que gostamos sem aquela correria. Há outros tours maiores e completos, mais radicais também. No fim do post coloco links que achei quando estava pesquisando.

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St George Market: esse simpático mercado do século XIX é uma boa pedida para um café-da-manhã, almoço ou cafézinho bem  local e tradicional.

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– The Crown Liquor Saloon: é o pub mais famoso e antigo de Belfast, do século XIX. Originalmente, era um bar  vitoriano luxuoso que vendia Gin. A arquitetura é linda e a comida/bebida ótima! Vale a pena dar uma passadinha.

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Irish Coffee no pub The Crown

City Hall: o prédio do Prefeitura é bem bonito, especialmente à noite, aceso.

Links:

– http://www.voxeurop.eu/pt/content/article/3283951-em-belfast-vivemos-em-dois-mundos-diferentes

– http://oglobo.globo.com/mundo/belfast-uma-cidade-ainda-partida-na-irlanda-do-norte-8365833

 http://www.theguardian.com/uk/2012/sep/26/belfast-peace-walls-republicans-loyalists

– http://www.minicoachni.co.uk/game-of-thrones-tour.cfm

http://www.belfastcity.gov.uk/tourism-venues/stgeorgesmarket/stgeorgesmarket.aspx

– http://www.gameofthronestours.com/

Obs: Esquecemos a câmera. Fotos tiradas do celular, mas faltando de vários lugares…=(

 

Formentera e seus 50 tons de azuis

21 out

Todo ano é a mesma história. Passa o inverno terrível e estamos ávidos para pegar uma praia, vestir roupas leves e usar chinelos. E daí destinos como Espanha, Portugal e Itália entram sempre na roda. Todo ano nos prometemos visitar mais outros países que não são destinos de praia, mas daí bate aquela carência de uma praiana e lá vamos nós procurar uma prainha de novo.

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A ideia desse ano era ir a Grécia. Sempre tive muita vontade de conhecer esse paraíso na terra, mas sempre tá caro quando estamos disponíveis. E como moramos na Europa, a gente acaba não tenho aquela pressa, pois sempre estamos na esperança de que aquela promoção perfeita virá…haha.

Com a Grécia caríssima para o nosso bolso, ficamos aleatoriamente no skyscanner  tentando passagens em conta para vários destinos de praia. E acabamos encontrando um ticket super barato para Ibiza. Nos animamos logo, pois adoramos Maiorca, outra ilha balear que visitamos há um tempo atrás. Porém, a gente queria algo mais sossegado e Formentera, felizmente,  apareceu no nosso caminho.

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Das ilhas baleares, é a menorzinha e mais roots. Não tem areroporto na ilha e a forma para acessá-la é por barco partindo de Ibiza.

A ilha é muito calma e preservada. Os moradores da ilha conseguiram impor um ritmo ao turismo de forma a preservar ao máximo as belezas naturais da ilha e a cultura local. Praticamente não há construções na beira do mar e a vegetação da encosta é super preservada. Felizmente, Formentera conseguiu explorar o turismo sustentavelmente.

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Além disso, Formentera tem uma característica especial. Por conta da existência de uma planta marinha que circunda a ilha e faz um tratamento natural na água – possibilitando a areia ser depositada na costa -, Formentera tem praias longuíssimas, de areia branca e mar azul turquesa. Esse fenômeno natural a diferencia das outras praias do Mediterrâneo, onde é mais comum praia com pedrinhas no lugar de areia.

A ilha é muito sossegada e parece que todas as praias são de nudismo. Não há delimitação, nenhuma placa, nada muito demarcado. Vimos pessoas, famílias, casais fazendo nudismo ao lado de pessoas com roupas sem o menor problema e demarcação, em diferentes praias. Todo mundo em perfeita harmonia com o entorno paradisíaco!

Ficamos 1 semana lá. Nem precisa disso tudo, a ilha é pequena, rodamos bastante e visitamos alguns lugares que gostamos mais de uma vez. Porém, como estávamos com bebê de 9 meses, queríamos fazer tudo sem pressa, descansar e aproveitar ao máximo o ócio. =)

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Eis alguns pontos que visitamos na ilha:

Farol de La mola:

Esse farol fica na parte mais alta da ilha e de lá se tem uma linda vista do azul do mar cristalino contrastando com as falésias. Sem contar que é uma ótima oportunidade de ver o famoso lagarto verde fluorescente, símbolo de Formentera. Na volta ou ida, não deixe de parar no Mirador de Formentera, na altura do Restaurante El Mirador. De lá se tem uma espetacular vista da silhueta da ilha.


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Farol de Cap Barbaria:

Esse farol é lindo. A vista te leva a ver a imensidão. Em dias claro, pode-se avistar a África. O pôr do sol é famoso lá, o sol se põe direto no mar. Quem viu o filme Lúcia e o Sexo, lá se encontra a cova da Lúcia.

Estava ventando absurdamente e não conseguimos ver o por-do-sol por conta do baby, mas valeu muito a visita.20140521_143959 (1)

 

Ses Illetes:

Essa praia se encontra dentro de uma reserva. Para entrar de carro, paga-se uma taxa de uns 3 euros. O carro dá acesso até uma parte, depois o trajeto tem que ser feito à pé.

Amamos esse lugar. Fizemos uma caminhada até a ponta das Illetes para avistar a ilha s’Espalmador. Quanto mais se anda sentido S’Espalmador, mais deserto fica. E há pontos que se consegue ver mar de ambos os lados. Cenário incrível.

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Llevant:

Outra praia linda e delícia. Pode ser acessada por dentro da reserva que leva a Illetes ou por fora. Tanto Llevant e Illetes ficam cheias. Como estávamos com um bebê que na ocasião estava acordando 6 da manhã, não havíamos muita opção. Era partir para a praia cedinho. As duas estavam desertas quando chegamos, mas quando saímos já estavam bem cheias e olha que fomos fora da alta estação.

Es Caló:

Es Calo é uma vilinha de pescadores, onde você pode ver os barcos numa espécie de garagem de madeiras. A praia é de um azul indescritível. Um pouco antes de chegar na vilinha, vindo do centro, há um acesso à praia na parte com mais areia e espaço. A descida para a praia da vilinha é estreita e pedregosa. Tem um restaurante na beira da praia de comidas típicas de Formentera delicioso! Não é barato, mas também não é nada exorbitante, pelo nível da comida e vista hipnotizante. Dá pra ver, inclusive, as falésias de La Mola. O Nome é Es Caló.

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Midjorn:

Essa praia é a maior da ilha, com mais de 20km de extensão de diferentes tons de azuis e areia branca. Ficamos hospedados nessa praia, mas o acesso que tínhamos a ela era ruim. Há um outro acesso melhor chamado S’Arenal, onde havia uma faixa de areia grande e branquinha. Numa das pontas tem um quiosquinho de madeira, excelente para tomar uma cervejinha gelada em pé mesmo, curtinho os 50 tons de azuis do mar.

Cala Saona:

É uma praia pequenina, mas super agradável e bonita. Tem vista para Ibiza e de lá há trilhas para falésias.

Es Pujols:

Não é o centro oficial da ilha, mas um centrinho cool. Tem lojinhas, restaurantes charmosinhos e bares, além da praia, super acessível, inclusive para cadeirantes.

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Saint Francesc Xavier:

É o centro oficial da ilha. Lá se encontram lojinhas, restaurantes e a igrejinha de mesmo nome do século XVIII.

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Alugamos um carro, mas é muito comum e estimulado o uso de bicicletas e motocas para rodar a ilha. Ficamos em Midjorn, numa área bem deserta, longe de qualquer badalação. Para ficar lá, só com um carro ou moto. Há ônibus circulando na ilha, se quiser usar esse meio de transporte, é melhor ficar nos centrinhos São Francisco ou Pujols ou no porto Savina.

Decidimos alugar um apartamento, pois precisavamos de cozinha para preparar comida para o baby, pois íamos ficar 1 semana. Não nos arrependemos, os flats eram simples, mas tinha uma piscina comunitária gostosa (sempre bem vinda quando se tem criança) e super silencioso. Badalação zero, se tiver procurando mais agito, recomendo Es Pujols.

Fomos em maio, fora de estação. Deu para curtir praia, mas o mar ainda estava frio. Deve ser ótimo ir em junho ou setembro, para pegar a ilha numa época mais quente, mas sem a bombação de julho-agosto, altíssima temporada de verão.

Último detalhe, nenhuma foto foi tratada, tudo sem filtro. Esse azulão é isso mesmo, indescritível!❤

Informações extras:

– Estadia: Allida 

– No aeroporto de Ibiza há companhias que vendem o ônibus até o porto e depois o barco para Formentera. Você pode comprar ida e volta. Com bebê, achamos melhor pegar o pacote do que ir independente. E valeu à pena. Isso porque na volta o nosso barco atrasou, o que nos deixaria numa situação bem tensa quanto ao nosso vôo para Londres em Ibiza. Por sorte havíamos pago por esse serviço. O ônibus que teríamos que pegar para o aeroporto acabamos perdendo. Mas a companhia deixou um motorista para nos pegar, sem a gente nem saber. Saímos correndo no porto, tentando pegar um taxi disponível, quando vimos uma pessoa com a placa da companhia. Nos salvou total! Usamos esse serviço e adoramos no fim: Fly e Vai. Nos custou por volta de 40 euros por pessoa o ônibus mais o barco ida e volta.

Outras fontes:

– http://www.formentera.es/en

– http://www.aproximaviagem.pt/n10/04_formentera.html

– http://planejandoaviagem.wordpress.com/2013/05/06/ilha-de-formentera-a-piccola-italia/

– http://luisapest.wordpress.com/2011/06/14/formentera-uma-ilha-que-nao-foi-roubada-porque-nao-consegui/

-http://aviagemcerta.blogspot.co.uk/2009/07/formentera-o-melhor-lugar-do-mundo.html

 

 

 

 

 

A amamentação em terras estrangeiras

21 fev

Morar em outro país é lidar a todo momento com estranhamentos. Assim que engravidei e procurei o sistema de saúde daqui e comecei o pré-natal, sempre me perguntavam: “Você pretende amamentar?”. Eu achava a pergunta mais sem sentido a ser perguntada e respondia sempre, sem titubear, “Claro!”. Na minha cabeça, isso nunca foi uma opção e, sim, algo óbvio e natural. Pois é, mas aqui é diferente. Amamentar é opção sim e muitas optam por dar fórmula desde a maternidade ou combinar leite de peito com fórmula.

Não amamentar aqui não é nenhum absurdo e não há pressão social para que o faça, embora a política oficial do sistema de saúde é a de incentivar o aleitamento materno. Nas aulinhas do pré-natal, houve uma aula só para falar dos benefícios da amamentação para a mãe e bebê, apelando para a estética (“amamentar emagrece”) e para a economia doméstica (“Não custa nada”). Há, ainda, depois do nascimento, muitos grupos de apoio à amamentação nos centros sociais e postos de saúdes locais.

Segundo dados do NHS (National Health System ), divulgados em 2012, no nascimento, 81% das mães estão amamentando no Reino Unido. No entanto, aos 6 meses, apenas 1% estão amamentando exclusivamente (relatório completo aqui). Resumindo, se vê muito pouco peito para fora nas ruas aqui e a sensação é de que você é a única que amamenta na cidade!

Antes, achava que era o frio, que as mães tiravam o leite na bomba para facilitar e não pegar uma pneumonia na rua. Mas, depois, prestando mais atenção e lendo, vi que há outros motivos para a não amamentação.

Londres tem uma população de 37% de residentes nascidos fora do Reino Unido (Censo de 2011). Ou seja, é  muita gente de todo o mundo, de culturas diversas, que vem para cá sem suporte algum familiar. E, mesmos os britânicos que moram  aqui, muitos não são de Londres, mas de outras partes do Reino Unido. Sendo assim, sem suporte, tendo que trabalhar, cozinhar, lavar, passar, ir ao mercado e se virar em 1000, a mamadeira se torna a opção mais prática. Enquanto se faz mercado, enquanto se anda de ônibus, enquanto se circula pela cidade e leva vento e chuva na cara, é só dar a mamadeira para o bebê no carrinho e a vida continua, porque aqui, desde o nascimento, os bebês estão na rua em todos os lugares. A vida não pára mesmo por conta da chegada de uma criança.

Tem, também, é claro, o desejo da mulher em retornar logo à sua vida e dividir a tarefa da alimentação do bebê com o parceiro ou terceiros para manter a sua independência desde o começo. E isso não é visto como nenhum absurdo. Enfim, acho que cada um sabe o que funciona melhor em sua dinâmica familiar!

Mas acho que o que mais me chocou foi a constatação de que há uma vergonha de amamentar em público e que isso influencia na não amamentação. Recebi vários folhetos do sistema de saúde “Ninguém pode te discriminar por amamentar em público” e li reportagens e campanhas com relatos de mães que se sentiam tão constrangidas de amamentar em público, que iam para o banheiro!

Super concordo com as campanhas de mães que se recusam a ter seus seios, que amamentam um filho, sexualizados a ponto tal de constranger as pessoas ao redor. Acho muita hipocrisia, ainda mais nas sociedades ocidentais, onde a nudez é estampada em nossa cara  todos os dias…

Eu, particularmente, banquei a amamentação em público. Não vou dizer que não me sinto constrangida, mas respiro fundo e banco, pois queria muito amamentar exclusivamente. Mas vi a diferença quando estive no Brasil, onde se amamenta muito mais livremente e sem paranóias. Aqui, sempre busco, na medida do possível, estar em áreas mais “baby friendly”. Porém, como amamentar no seio é muito imprevisível, já tive que dar de mama em locais nada amigáveis, como no metrô. Foi estranho, não achei naaada legal, mas sobrevivi! Aliás, venho sobrevivendo…rs…

Na verdade, o que me deu coragem, foi ver que há mães sim amamentando aqui, mas é muito mais discreto. Quando o Tom começou a natação, com 1 mês e meio, vi que haviam várias mães amamentando lá, o que deu um alívio do tipo “que bom, não sou a única!”. E, depois, frequentando as atividades para bebês no centro social do meu bairro e observando mais ao meu redor, vejo várias mães fazendo o mesmo, o que dá um conforto.

Aqui, se usa muito uma espécie de veste para a amamentação, como essa aqui, o que é excelente para se ter mais privacidade. Eu acabei não comprando, mas acho que me facilitaria a vida, de repente.

Cartaz apoiando a amamentação num café. Só em um cartaz avisando que pode, já demonstra o quão não é natural amamentar em espaços públicos

Cartaz no café do Holland Park apoiando a amamentação. Só em ter um cartaz avisando que pode, já demonstra o quão não é natural amamentar em espaços públicos!

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Alguns links sobre a questão da vergonha e o amamentar:

– vídeo que se tornou viral da poeta britânica Hollie McNish: 

– texto comentando a questão e mostrando outros casos: http://www.huffingtonpost.ca/2013/07/05/hollie-mcnish-breastfeeding_n_3552062.html#slide=719508

Viajando de avião sozinha com um bebê

6 fev

Bem, não sou nenhuma especialista em viagens. Mas, como a necessidade faz o homem, tive que voltar de avião sozinha do Brasil para Londres com um bebê de 5 meses. E, morando fora, com certeza essa não será a primeira e nem última vez. Então, compartilho aqui a experiência porque haja logística! Rs…

Na ida para o Brasil, fui com o maridão. Então, fui mais desorganizada e relaxada, pois sabia que ia ter ajuda. O bom é que tive a oportunidade de ver o que de fato precisava para a volta. E, de cara, ficou evidente que eu tinha que eliminar coisas, ter as mãos livres e uma organização espetacular.

Então vamos lá. Eu voei de TAM. Nessa companhia, você tem que reservar o bercinho com antecedência e pagá-lo na hora do check-in (cerca de 80 dólares). Não há muitos disponíveis, dependendo da aeronave, somente dois. Na ida, bobeamos, e quando ligamos para fazer a reserva, já não tinha nenhum disponível. Não fez muita diferença, pois eu revezei o colo com o Felipe, para comer, ir ao banheiro e foi relativamente tranquilo. Mas, para voltar sozinha, o bercinho era fundamental por algumas razões. Quando você paga pelo berço, você fica naquelas cadeiras da frente, com mais espaço para fazer aquela baguncinha, já que estará com mais tralhas do que o habitual. Além disso, quando o Tom dormia, era o momento mágico para eu me esticar, comer algo e ir ao banheiro rapidinho.

O bercinho da TAM é até 11kg. Se o seu bebê já tiver mais do que isso, vai ter que ir no colo mesmo.

Outra coisa que fez muita diferença foi a organização. Na ida, eu fui com muita coisa desnecessária, por exemplo, com dois casacos que viraram peso e tralha para carregar depois. Na volta, optei por um único caso quente e só. Além disso, eliminei tudo de uso pessoal (até escova de dente eu usei aquelas que vem no kit da TAM – mas nem todas cias tem escova e pasta de dente no kit).

Bem, fui com uma mochila e uma mala de mão. Na mala de mão, coloquei tudo que o Tom poderia precisar extra. Duas mantas, algumas mudas de roupas, fraldas descartáveis, fraldas de pano, meu laptop e câmera. E uma blusa para mim caso houvesse um mega acidente. Essa mala eu coloquei em cima e não precisei pegá-la, era só para alguma necessidade.

Na mochila, que ficou comigo embaixo, deixei tudo que precisava usar durante o voo. Uma pastinha de documentos, uma manta para o bercinho e um saquinho com o kit banheiro. Nessa saquinho de pano, coloquei um trocador descartável, necessaire com fraldas descartáveis, uma muda de roupa e fralda velha. Esse era o saquinho “anti-bomba”, para o caso de um cocô explosivo…rs!

E não deu outra. No meio da viagem, Tom fez uma bomba que sujou as suas costas inteiras. E o trocar o baby no banheiro apertado daquele foi uma missão. Mas eu pequei o saco anti-bomba e sobrevivi. Esse saco tinha alça e o prendi na porta do banheiro e fui tirando o que precisava, afinal, precisava de mãos. Usei a fralda velha para tirar o excesso e depois a joguei fora. O trocador descartável foi uma mãe, pois ele é absorvente, me ajudou também a conter o excesso e depois o descartei. A roupa suja coloquei no saco plástico onde estava a limpa e no fim tudo deu certo.

Ah, e viajei com ele no canguru, despachei o carrinho. Acho que fiz uma boa escolha. O embarque foi bem rápido e quase não esperei com ele no colo.

Quando ele estava acordado e precisei ir ao banheiro, fui com ele no canguru. Achei mais prático do que chamar a comissária e pedir para ela ficar com o bebê para mim. Mas sempre há essa opção, no desespero!

E ajuda é que não faltará. É impressionante como as pessoas foram solidárias. Nem precisava pedir, sempre havia alguém para oferecer uma ajuda muito bem vinda! Quando estamos acompanhado não nos ligamos nisso, mas basta estarmos sozinhos para vermos como a ajuda do outro é fundamental e ela vem de bom grado de muitas direções.

Como o Tom mama exclusivamente no peito, não tive estresse algum parar transportar a comida dele. Mas é bom se informar sobre as regras do aeroporto antes de viajar para não correr o risco de perder a comida do seu bebê. Há muitos blogs hoje em dia de mãe viajantes, como Viajando Com os Pimpolhos e Drieverywhere. Pesquisem lá que, certamente, acharão dicas sobre alimentação dos bebês em aeroportos.

Finalizando, não dá para se enganar, será muito cansativo, não há outro jeito, porém dá para sobreviver! Boa sorte para aquelas que se aventurarem!!! =)

Informações sobre a reserva do berço na TAM aqui.

Aeroporto

O pós-parto no NHS

12 nov

Bem, acho que a série “como ter bebê no UK e no sistema público” está quase chegando ao fim. Mas ficaria faltando se não falasse sobre o acompanhamento pós-parto.

Aqui, como já disse, você não tem acesso ao especialista logo de cara. A porta de entrada é o GP (General Practice – tipo um posto de saúde), que tem médicos generalistas, enfermeiros e outros agentes de sáude, que, conforme a necessidade, encaminham para especialistas, geralmente localizados em hospitais.

Então, não rola do bebê ter um pediatra para quem ligar. É meio desesperador pensando assim, de não ter uma pessoa específica acompanhando o seu bebê desde o nascimento, mas por enquanto tem tudo corrido bem.

Assim que você sai do hospital, uma midwife (parteira aqui é uma profissão!) passa a ir na sua casa para acompanhar você e o bebê. Eu recebi a primeira visita no meu primeiro dia em casa. Essas visitas tem como objetivo pesar o bebê, acompanhar a amamentação e, no meu caso, a minha cirurgia. Além das midwives comunitárias (elas são vinculadas a um hospital e atendem na comunidade no primeiro mês de vida do bebê), recebemos visitas também de um health visitor, que é tipo um agente de saúde, que acompanha a vacinação, as condições de moradia da pessoa e o grau de vulnerabilidade dela, se o bebê está indo ao GP, se está ganhando peso, se a mãe está em depressão, etc.

Além dessas visitas, até os 2 meses, tinha que ir no “baby clinic” do GP de 2 em 2 semanas para o bebê ser checado. Agora, preciso ir uma vez no mês. Essas consultas não são necessariamente com o médico. Já fomos atendidos por médico, enfermeiro e agente de saúde. Cada vez é uma pessoa.

E a orientação é a mesma, qualquer problema, o GP é referência, a não ser em caso de uma emergência, que são os hospitais que atendem. (Há inclusive um guia para saber quando é para levar o bebê para uma emergência num hospital e quando é para chamar uma ambulância).

A angústia maior dos brasileiros com plano de saúde no Brasil  é não ter acesso direto ao especialista, que é o de praxe no Brasil (“estou com uma dor no estômago, vou a um gastro”). Eu mesma mantive o meu plano brasileiro para poder, quando estou no Brasil, fazer um check-up geral e escolher as especialidades que julgo necessário ter acompanhamento. Mas, para ter um sistema que funcione satisfatoriamente bem para todos, não tem como sustentar esse sistema onde todos vêem um especialista! Só mesmo na esfera do privado.

Há muitas reclamações aqui com o NHS, mas não deixo de aplaudir ainda sim um sistema no qual a maioria consegue fazer uso de verdade.

Bem, estou aprendendo a confiar e, por enquanto, acho que está tudo funcionando muito bem. Vamos ver até as primeiras doencinhas aparecerem se continuo feliz e calma com o sistema público…;)

O parto no NHS

1 out

Durante a gravidez, fiz vários posts sobre o pré-natal daqui. E agora chegou a vez de contar como foi o “desfecho” final. Fiquem tranquilos que os pouparei dos detalhes sórdidos (hahaha).  A ideia de compartilhar a experiência vem mais porque sei que muitos brasileiros que resolvem ter filho aqui ficam super preocupados sobre como será o parto num sistema de saúde estrangeiro e público, com uma filosofia bem diferente da brasileira.

A gente ouve muitas histórias sobre o parto vinda de brasileiros, como por exemplo, “fulana foi ao hospital 3 vezes e voltou”, “ficou 2 dias em trabalho de parto”, “eles não fazem cesária, deixam para o último minuto”, etc.  Essas histórias, é claro, apavoram sim, alguns até optam em voltar ao Brasil para ter o bebê. No meu caso, desde o começo, descartei a opção de uma volta. A nossa vida é aqui, não fazia sentido mudar tudo por conta da chegada do bebê, a não ser que achássemos, ao longo do pré-natal, que eu não estava recebendo o cuidado devido, o que não foi o caso (Há somente uma maternidade totalmente privada no Reino Unido, localizada em Londres, no Portland Hospital. Olhem o website aqui para informações e sintam o nível da “facada”).

Para começar a responder às perguntas, sim, fui ao hospital 3 vezes durante o trabalho de parto e voltei duas vezes para casa; sim, fiquei 43 horas em trabalho de parto, 30 e poucas horas com a bolsa rompida; sim, no fim do processo não consegui ter o parto normal e tive que ser submetida a uma cesariana.

O cenário parece terrível, mas na verdade não foi isso tudo. Quem estava acompanhando no Brasil o meu trabalho de parto, estava revoltado, achando que eu estava numa maca sofrendo horrores, sem cuidado e atenção, jogada num canto displicentemente…

E foi justamente o contrário! O atendimento que recebi do hospital foi excelente desde o começo do processo. Só que, certamente, é uma outra forma de proceder e eu estava preparada para isso, para esperar o parto normal acontecer e também para uma cesariana, caso as coisas não evoluíssem devidamente. Sabia que a cesária não seria me oferecida antes do parto normal ser tentado, então não houve traumas, até porque ele poderia ter acontecido (na enfermaria, no pós-operatório, conheci várias mães que tiveram normal e ficaram 2/3 dias em trabalho e estavam lá ótimas, em observação por tempo mínimo e dando “cambalhotas” de tão bem, dando um banho nas operadas!).

As contrações começaram meia-noite e meia de domingo para segunda. Como elas estavam irregulares, num intervalo de meia em meia hora, resolvi seguir o conselho que havia recebido durante a gravidez e tentar dormir. E nem avisei nada a ninguém. Por volta das 3 da manhã, elas estavam mais frequentes, de 15 em 15 minutos, mas ainda irregulares, umas chegavam a 1 minuto, mas outras não. No meio da noite, avisei ao maridão que naquele dia nasceria o nosso bebê, mal sabia eu que ele nasceria mesmo só na terça-feira às 19h30! Às 6 da manhã a minha bolsa estourou. Liguei para o hospital, ainda em dúvida se tinha estourado mesmo pois não foi algo claro, e eles me pediram para eu ir lá checar.

Fui tranquila, de metrô, andando calmamente e aproveitando o belo dia de sol. Chegando lá me foi dito que a minha bolsa estava estourada mesmo e que meu parto deveria evoluir em 24 horas, caso contrário, eu teria que me internar às 6 da manhã do dia seguinte para eles me monitorarem e induzirem meu parto. Até lá, eu deveria voltar para casa, relaxar, ir a um parque, almoçar, tomar uma taça de vinho, ou seja, ficar ao máximo tranquila para que o trabalho de parto evoluísse nessas 24 horas (Nesse momento, a galera brasileira que estava acompanhando de longe estava já chocada, afinal, como liberaram uma grávida com a bolsa estourada? ). É claro que estava com todas as orientações para que se algo mudasse para correr para lá, ou ligar imediatamente. Como estou a 15 minutos do hospital de táxi e com canal de comunicação direto com o hospital, relaxei e fomos embora.

Voltamos de metrô, caminhando calmamente (é impressionante como andar diminui a dor!) e jogando conversa fora sobre a vida, o futuro próximo, o passado.  Chegando em casa, seguimos o conselho do hospital. Fomos almoçar num restaurante italiano com a família, abrimos um vinho para celebrar a vinda próxima do Tom, depois vimos um filme juntos, sempre respirando a cada contração e tentando mentalizar que em breve o nosso bebê estaria conosco.

Por volta de meia noite, de segunda para terça, as dores estavam bem intensas, de 5 em 5 minutos. Como estava em dúvida se estava na hora de ir, liguei para o hospital e eles me pediram para ir lá, pois na dúvida, era melhor checar. O problema é que elas estavam irregulares quanto a intensidade, estavam de 5 em 5 minutos, mas umas duravam 1 minuto e outras 20 segundos. Enfim, não estava na hora ainda! Eles não poderiam ainda me oferecer uma suite, pois eu ainda não estava em trabalho de parto ativo. Poderia ficar lá na triagem, mas fui recomendada a voltar para casa, se quisesse, para ficar mais confortável. E foi melhor mesmo! Nessa madrugada já estava sentindo muita dor e passei a noite na banheira com água quente. Santo remédio, as dores ficam bem melhores e eu consegui sobreviver a elas.

Como nada aconteceu, às 6 da manhã de terça, 24 horas de bolsa rompida, voltei ao hospital para ser internada e começar a indução, que começa menos invasiva (mecânica, gel) até a mais invasiva, que é a aplicação de ocitocina sintética (nada é feito autoritariamente, tudo é consultado e você tem, na medida do possível, autonomia para decidir o que quer) . Enfim, passei  a manhã e a tarde, já devidamente acomodada e com todo o cuidado e monitoramento possível por uma equipe de médicos e midwives, esperando o parto normal acontecer. Mesmo sendo induzida, não consegui dilatar. Por volta de 7 da noite, com 30 e poucas horas de bolsa rompida, eu comecei a ter febre. Nesse momento, a equipe se reuniu e optou pela cesária. Me disseram que eu não estava em risco e nem o bebê, que podiam esperar mais 2 horas para ver se a minha dilatação evoluía. Mas nesse momento, já exausta das duas noites sem dormir, com medo da febre e sem muitas esperanças de que de 5 de dilatação eu fosse para 10 em duas horas, optei por não esperar mais.

E Tom veio ao mundo de cesariana, com 57cm e 3,950kg. Confesso que fiquei um pouco frustrada por não ter conseguido o parto normal. Se ele tivesse acontecido naquela terça-feira estaria tudo zerado e esquecido. Realmente não achei uma coisa do outro mundo não. É uma dor misturada com amor. Quanto menos espaçadas e mais fortes as contrações ficam, você sabe que mais próximo o seu bebê está de você e é muito bom saber que você o está ajudando a vir ver a luz, a nascer. Sinceramente, o pior foi ter que ser submetida a uma cirurgia de abdômen depois disso tudo e ter que conviver com o pós operatório com um recém-nascido nos braços (não há berçário, desde o primeiro minuto o bebê vai para o seu braço, operada ou não).

Mas a verdade é que quando estamos lá, no momento fatídico, só queremos ter o nosso filho nos braços. Não importa por onde e como ele saia, desde que saia, até pelo ouvido tá valendo!!! ♥

Uma manhã qualquer no metrô de Londres, menos para mim!

Uma manhã qualquer no metrô de Londres, menos para mim!

Família reunida na alegria e na contração! rs

Família reunida na alegria e na contração! rs

A melhor dor do mundo!

A dor que vale a pena!

E ele chegou!

E ele chegou, nos mostrando um amor maior, desconhecido, grandão, que chega a fazer o peito doer e que faz rir e chorar na mesma fração de segundo!

* Para confiar nesse modelo, realmente é necessário ter uma rede de amparo por trás. E eles confiam no sistema deles. Territorialização dos serviços, que colocam postos e hospitais perto de você, e sistema de comunicação e informação fortíssimos te dão a segurança de que no caso de qualquer problema você terá uma resposta rápida e eficiente. Desde o pré-natal fiquei impressionada como os serviços são integrados. Sendo atendida no GP ou no hospital, todas as informações estavam no sistema. Recebia mensagem de texto me lembrando das consultas, cartas com feedback dos resultados dos exames e ligações, caso tivesse que fazer algo mais específico. Além disso, o meu hospital disponibilizava uma “midwife virtual”, para responder perguntas não emergenciais através de email, página no facebook e twitter. Eu usei e funcionou (estava com dúvida sobre a autorização de viagem de avião no sétimo mês e sobre quando fazer exame tal, e sempre fui respondida prontamente!). Nunca tive como referência um médico, uma midwife, mas estava conectada a uma rede, equipe, 24 horas, que me “respondia” a cada demanda. Tentava pensar que o sistema de saúde aqui é referência e se o modelo deles fosse falho, as taxas de mortalidade e índice de problemas relacionado a partos seria alto, o que não é o caso.

** Falhas há, é claro, o NHS tá bem longe de ser perfeito e, dependendo do sue problema, ele é generalista demais, mas acho que para um sistema público e único, a experiência foi muito positiva, tanto em atendimento quanto em estrutura.

*** A qualidade do serviço do NHS varia de área para área. Não dá para generalizar. Essa foi a experiência que tive e, com certeza, há outros relatos, bom e ruins, por aí.

**** Acesse o site do NHS relacionado a gravidez e maternagem. Lá você encontra todas as informações oficiais sobre os cuidados no antes, durante e depois da gravidez. Tem muita informação de boa qualidade, além de você ir se familiarizando com o sistema. Lá você encontra todo o passo-a-passo. Link: http://www.nhs.uk/Conditions/pregnancy-and-baby/pages/pregnancy-and-baby-care.aspx#close

Tom Hércules

20 set

O tio avô Celso de Lanteuil fez um lindo texto para o Tom, para celebrar o seu nascimento.  O texto original está em inglês, mas eu adaptei para português, com a licença do autor. Nada mais apropriado para celebrar o primeiro mês de vida do pequeno! Obrigado, ti-vô!

TOM HERCULES
Celso de Lanteuil

Amsterdam, 21 de agosto 2013

Em algum lugar no globo
Um dia de contrações
A dor desafiante
Que treme e vibra

Em algum lugar na Europa
Em um país cheio de estranhos
Uma mulher lutou muito
Para trazer seu bebê ao mundo

Em algum lugar na cidade de Londres
No meio do verde e do metrô
Cercado por artes, museus e tempo frio
Dois pais e duas mães estão lá para apoiar esta brava

Em algum lugar em Amsterdã, Porto e Rio
Um grupo de familiares e amigos estão celebrando
O Tom recém-nascido, o Hércules de uma nova era
O símbolo de um casal apaixonado, que cresce neste mundo global

Em algum lugar, algum dia
Todos nós seremos um em muitas faces
Não uma sombra, nem um olhar falso
Mas a essência deste Tom recém-nascido

O Hércules de uma nova era
A força desse novo homem
Esta luz, que treme e vibra
O símbolo de um casal apaixonado, que cresce neste mundo global

TOM HERCULES (original)
Celso de Lanteuil

Amsterdam, 21 of august 2013

Somewhere in the globe
A day of contractions
The challenge pain
That shakes and vibrates

Somewhere in Europe
In a country full of strangers
A woman fought hard
To bring his baby to the world

Somewhere in London town
In the middle of the green and the Tub
Surrounded by arts, museums and chilli weather
Two fathers and two mothers are there to support this brave

Somewhere in Amsterdam, Porto and Rio
A group of family and friends are celebrating
The newborn Tom, the Hercules of a new era
The symbol of a couple in love that grows in this global world

Somewhere, some day
We all be one in so many faces
Not a shadow neither a fake look
But the essence of this newborn Tom

The Hercules of a new era
The strength of this new man
This light that shakes and vibrates
The symbol of a couple in love that grows in this global world

TomPrimeiraSemana

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