Archive | dezembro, 2012

Chá da tarde inglês

20 dez

Não é nenhuma novidade que o chá é uma paixão nacional aqui. Não era adepta do chá no Brasil, acho que o clima também não ajudava muito, sempre tão quente. E também por associar o chá à doença; sempre quando estava com algum probleminha, lá vinha mamãe com aquele chá preto, de boldo, ou seja lá o que for, que me fazia desmaiar de horror…rs!

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Só aqui que a história mudou. Amo chá atualmente e nos meses de muito frio tomo sempre antes de dormir. Lembro que havia chegado recentemente aqui e visitei uma casa onde me ofereceram chá, como não sei dizer não, aceitei e tomei aquela caneca meio que passando mal, mas daí pra frente fui me habituando e hoje sou viciada. Inclusive tomo com leite, o que achava bem estranho no início. Só nos chás do estilo preto se pode colocar leite, Felipe colocou leite num chá do tipo “branco”, de ervas, e o pessoal do trabalho dele gargalhou, achando bizarra a combinação! Para a gente, sem entender muito a lógica do chá, qualquer chá podia colocar leite…rs! Essa vida expatriada não é mole!

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O chá é popular na China há 5000 anos. Aqui na Inglaterra, essa paixão nacional é relativamente recente. Nos anos 1660, o rei Charles II e sua esposa portuguesa Catarina de Bragança fizeram o hábito de tomar chá se tornar popular. O chá da tarde inglês foi introduzido ainda depois, por Anna, VII duquesa de Bedford, no ano de 1840. Na época, o hábito era existir somente duas principais refeições, o café da manhã e o jantar. Essa jovem, esfomeada, passou a agendar um lanche no seu quarto às 16h da tarde, com chá e sanduíches. Depois, passou a convidar amigos para tomar esse chá às 16h no salão e em pouco tempo este virou um evento social, se espalhando pelas altas classes e servido sempre entre as 16 e 17h da tarde.

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Recentemente visitei dois chás da tarde. O primeiro foi no Double Tree by Hilton, para comemorar os 30 anos de uma amiga querida. Pegamos uma promoção 2 por 1 no site de vendas coletivas Groupon (U-hu!). Estava tudo gostoso, mas faltou um clima chá da tarde. O preço é 25 libras sem champanhe ou 30 libras com uma taça de champanhe.

O segundo chá da tarde que fui foi no Fortnum & Mason, uma loja super tradicional e antiguíssima, de 1707, que tem seus produtos recomendados pela realeza. Esse é mais carinho e custa 40 libras, sem champanhe. É necessário agendar, dá para fazer online e é bem simples e rápido. Apesar de ser bem bonito o salão de chá, não é tão chatinho em relação a vestimenta, pois há chás da tarde aqui que tem que ser de terno e gravata, como o do hotel Ritz.

Bem, confesso que demorei quase três anos para conhecer um chá da tarde tradicional aqui em Londres. Há quem ache que é uma atração turística imperdível, eu não sei, sabe. Fico na dúvida se vale o preço. É gostoso, claro, mas acho  muito formal para mim.

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Harry Potter Tour @ Warner Bros Studio em Londres

18 dez

Depois de 8 filmes, em 2011, a saga Harry Potter chegou ao fim nos cinemas. Com fãs no mundo inteiro, de todas as idades, é claro que o estúdio Warner Bros não iria deixar essa mina de ouro morrer assim. Então, esse ano, a Warner  abriu o mega estúdio para visitação.
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Sendo fã ou não do Harry Potter, achei incrível o tour. Conhecer os bastidores de uma produção como essa, para quem se interessa por cinema, é fantástico. Eles mantiveram os cenários e roupas originais e ainda mostram detalhes sobre efeitos especiais usados e outras curiosidades. Ainda, todo o trabalho de pre-produção, desenhos, maquetes, pesquisas, erros e acertos…

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Cerveja amanteigada. Simplesmente terrível! rs!

Eu li todos os livros e adoro, então foi um prazer ver o salão principal, onde todas as casas faziam as refeições, o dormitório dos meninos, o escritório do Dumbledore, a cabana do Hagrid, o beco diagonal, a casa de varinhas…e imaginar como aquilo tudo ali, se transforma e parece realidade no cinema. É mágico!

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O tour não é baratinho, considerando o tanto de atrações turísticas gratuitas em Londres. Crianças com menos de 4 anos não pagam, de 5 a 15 anos, pagam 21,50 libras e depois disso, 29 libras. Mas acho que vale a pena sim o dinheiro. O tour é livre, exceto pelo começo, no qual há uma breve apresentação. E não é pequeno não. Ficamos lá 2h30. No nosso grupo haviam 4 fãs do livro/filme e um, meu sogro, que acha uma palhaçada Harry Potter…hahaha…mas até ele curtiu. =) É essencial agendar com antecedência. Quando decidimos ir, conseguimos quase um mês depois um horário no fim de semana…

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O Beco Diagonal é lindo!

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Para chegar, se você quiser ir de transporte público, é bem fácil e rápido, mais ou menos meia hora do centro de Londres. Você pode pegar um trem (Euston) ou overground até Watford Junction e de lá há um ônibus do estúdio saindo de 30 em 30 minutos, a partir de 9h20 (o próximo 9h50, depois 10h20 e por aí vai) até 17h20. O ônibus custa 2 libras ida e volta. Há outras opções, olhe aqui.

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Pura ilusão de ótica!

Para mais informações, acesse o site.

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Richmond Park

15 dez

Richmond Park é o maior parque real de Londres. Para se ter uma ideia, ele tem uma área de 10 km², enquanto o Hyde Parque tem 1,41 km² e o Central Park, de Nova Iorque, 3,41 km².

Richmond Park

Mas diferente do Hyde Park e Central Park, o Richmond não fica numa área central, mas sim na zona 4 do metrô de Londres.  É considerado uma reserva natural e também a maior área verde urbana de Londres. O diferencial desse parque é que cerca de 600 veados vivem livres em seus campos. Isso porque o Richmond era um local de caça da realeza. O rei Charles I, que estava em Richmond com sua corte se abrigando do surto de peste em Londres, viu que a área era excelente para caça e, a despeito das reclamações dos proprietários de terra  locais, mandou fechar essa grande área com um muro, colocando cerca de 2000 veados nela e criando oficialmente o  parque para caça em 1637.

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Eu fiquei igual a uma criança atrás dos veados. Assim que chegamos no parque já nos deparamos com um grupo enorme de veados tomando sol. Fiquei com medo de me aproximar, mas vi que haviam famílias perto, fazendo picnic e lá fomos nós. Esse grupo era daqueles veados com galhos enormes na cabeça, que mais pareciam troncos. Medooo! Depois, caminhando no parque, vimos também veados de outro tipo, do estilo bambi do desenho, saltitando na mata. Lindos! Foi incrível!

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Outro ponto interessante do parque é o monte Rei Henrique VIII. De lá, se pode avistar a catedral de St Paul, que fica na zona 1 da cidade, a mais de 16 km. Tal proeza é conseguida porque essa vista é tombada, o que impede que construções altas sejam feitas de modo a obstruir essa vista. Há 13 dessas vistas protegidas em Londres. Londres é uma cidade bem horizontal, as leis são rígidas quanto à construção de prédios altos, principalmente em áreas onde pode afetar a Londres antiga. Geralmente os grandes prédios se localizam na City e em Canary Wharf, centros financeiros da cidade.

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O parque é muito grande e nos arrependemos de não ter alugado uma bicicleta para explorá-lo e também de não ter feito uma mochila com comida, pois nos perdemos várias vezes lá e demoramos horrores para achar uma lanchonete. Ficamos com inveja da galera fazendo aquela farofa nos campos verdes do parque….;)

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Há metrô e trem para lá. A linha do metrô é a district line (verde) e a estação Richmond.

Guimarães e Ponte de Lima

11 dez

Guimarães é uma cidade histórica, do século 9, considerada como o local onde Portugal nasceu enquanto nação. A parte histórica está tão bem conservada, que foi declarada patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO. E esse ano Guimarães  é a Capital Européia da Cultura, evento organizado há 25 anos pela União Europeia com o objetivo de promover e divulgar a diversidade cultural do continente.

Guimarães

Chegamos tarde a Guimarães, já estava escuro, e acabou que não conseguimos visitar o castelo da cidade, do século 10, e nem ver a cidade com a luz do dia.  O que nos restou foi passear pela cidadezinha, ver os prédios antigos, as pracinhas e tagarelar. Mas ficou aquela sensação de que foi pouco tempo. Mas, claro, deu tempo sim para  tomar um cafezinho com docinhos portugueses deliciosos e levar um pão de ló fresquinho para casa para comer com queijinho da serra. Hummm.

Guimarães

Ponte de Lima é a vila mais antiga de Portugal, havendo registros de presença humana na área desde os tempos pré-históricos. É bem pequenina e também muito bem conservada. É banhada pelo rio Lima, que deu nome à vila, que tem ares medievais. A ponte original foi construída pelos romanos, no século 1. Ponte de Lima foi e ainda é passagem de peregrinos rumo a Santiago de Compostela.

Ponte de Lima

Ponte de Lima

"O amor e o tempo"

“O amor e o tempo”

Não posso terminar o post sem comentar o nosso almoço. Por acaso, naquela correria de achar um lugar antes das 15h, paramos na Casa do Provedor. Gente, foi uma das melhores comidas que comi em Portugal! O restaurante é gerenciado por uma moça novinha e seu namorado, simpaticíssimos, e a comida muito bem servida e, o melhor, barata. A meia porção dá para dois! Eles não tem site ainda, mas uma página no facebook com os detalhes.

Bacalhau na Broa - detalhe: isso é a meia porção!

Bacalhau na Broa – detalhe: isso é a meia porção!

O dia da visita a Ponte de Lima era o nosso último dia em Portugal e o grupo estava já nostálgico e um tanto quanto bobo. E a nossa trilha sonora do dia foi marcada pela música “Uma casa portuguesa”, de Amália Rodrigues, com direito a cantorias e performances dançantes, tudo devidamente registrado para um futuro…;)

Para variar, mais bacalhau!

Para variar, bacalhau com batatas ao murro!  Ah Evinha, mamy linda, nesse lugar…=)

Como disse no post anterior, a nossa base era o Porto. De lá, é bem fácil de carro chegar nessas cidades ao redor, demorando em torno de 1 hora ou menos para acessá-las.

Braga

4 dez

Braga é a terceira maior cidade de Portugal, depois de Lisboa e Porto. É uma das cidades mais antigas, com mais de 2000 anos de história. Não tivemos muito tempo para explorar a cidade, então escolhemos alguns locais para visitar dessa vez.

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Um deles foi o Santuário do Bom Jesus do Monte. A Igreja do século XIX fica dentro de uma reserva florestal e, o mais impressionante, é a sua escadaria, que foi construída de forma tal a contar a história da Via Sacra (caminho que Jesus teria feito até o Calvário, onde foi crucificado).

Igreja Bom Jesus

Igreja Bom Jesus

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Se você chegar de carro e acessar diretamente a Igreja, perderá a visão do conjunto harmonioso que a Igreja faz com a sua escadaria. Para apreciá-lo, é preciso descer a escadaria até o seu começo. Vale a pena o esforço, a vista é essa:

A bela escadaria...

A bela escadaria…

Visitamos também a catedral de Braga, antiguíssima. Para se ter uma ideia, lá se encontra o túmulo dos pais de D. Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal e “fundador” do país enquanto nação. O estilo arquitetônico predominante é o românico (confesso que não sabia da existência desse estilo e fiquei achando por um tempo que a grafia do folheto estava errada e o estilo correto seria romântico…rs! Shame on me!!!!). Bem, esse estilo  precede o gótico na história da arte (rá, esse eu já ouvi falar…ha ha ha) e é bem típico de igrejas católicas da época da expansão do cristianismo na Europa…

Foto de uma das fachada da Catedral - não tinha uma melhor!

Foto de uma das fachada da Catedral – não tinha uma melhor!

Paramos também para ver os jardins da Universidade do Minho, mas não estavam floridos, o que ofuscou bastante a sua graça.

Na rua...

Arte de rua…

Ops...

Ops…numa vitrine de uma loja!

Paramos para almoçar no restaurante O Alexandre, porque sempre vale a pena almoçar em Portugal! Infelizmente não encontrei o site do estabelecimento, somento o endereço (Campo Hortas,10, Braga). A comida, claro, estava delícia, só lembrem que os restaurantes da terrinha fecham para almoço e, por isso, é necessário achar um local antes das 15 horas, sempre um problema na correria da turistação; caso contrário, almoço bom só no jantar!

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Os vinhos portugueses são uma delícia. Este é da região, do D’Ouro. Fizemos em 2010 um turismo pelo rio D’Ouro para conhecer a produção do vinho. O relato está aqui.

Para quem quiser um cafezinho esperto, por que não o Café a Brasileira? Estávamos lotados de comida e na correria para visitar a próxima cidade, mas certamente teríamos parado nessa cafeteria super tradicional, que funciona desde 1907, se tivéssemos mais tempo.

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Bem, próxima parada e post, Guimarães!

Obs: as fotos são da sogrinha, porque não quero ser processada depois…;)