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Santiago de Compostela

26 nov

Estou tão sumida do blog, que antes de começar, preciso fazer um mea-culpa aqui para justificar tamanha ausência. Já tinha me conformado de que não conseguiria colocar aqui tanta coisa bacana que faço e conheço por essas bandas. Isso porque não sou frenética nas postagens e escrevo somente quando estou com vontade. Só que quando acumulo muitos possíveis posts, paralizo, pois fico sem saber o que priorizar ou por onde retomar. E esse mês foi super agitado por aqui, 8 pessoas passaram pela nossa casa, o que deixou o mês bem corrido.

Catedral de Santiago de Compestela. Em primeiro plano, romeiro com uma vieira, um dos símbolos da peregrinação.

Mas vamos ao que interessa. No meio dessa correria, fomos passar 4 dias em Portugal, para visitar a família que mora lá. Essa é a terceira vez que vou a terrinha, país que eu adoro visitar pois me sinto em casa. Mas isso ficará para outro post! Como estávamos no norte de Portugal, decidimos passar um dia em Santiago de Compostela, na Espanha, que fica mais ou menos a 2 horas e meia de carro do Porto.

A cidade nos surpreendeu! Eu tinha uma ideia de que Santiago era uma cidade mais rústica, basicamente a catedral para onde os peregrinos se direcionam e nada mais. Mas não, ela é bem grandinha e super bem conservada, cheia de opções de restaurantes charmosos, cafés e museus.

Romeiros para todas as direções

Meu interesse por Santiago de Compostela começou quando li o livro “Diário de um Mago”, do Paulo Coelho, quando tinha 15 anos. Antes que me massacrem, não sou fã dos livros do Paulo Coelho, mas li sim dois dele, o mencionado acima e o Alquimista, quando era adolescente.  O livro relata basicamente, pelo que me lembre, o percurso que o Paulo Coelho fez até chegar em Santiago e o seu processo místico de transformação em mago. O que me encantou na ocasião foi a descrição do caminho, que corta a Espanha toda, de leste a oeste, e atrai milhares de peregrinos ao longo do ano em busca de autoconhecimento, reflexão e/ou aventura!

Santiago de Compostela virou destino de tantos peregrinos pois acredita-se que os restos mortais de um dos apóstolos de Cristo, o São Tiago, estão lá. Por volta do ano 8 D.C, uma pessoa, numa espécie de sonho/visão/revelação, achou o suposto local onde São Tiago teria sido enterrado junto com algumas relíquias.  Desde então Santiago de Compostela começou a atrair peregrinos e a sua catedral foi construída sobre esse túmulo achado.

O clima da cidade é o dos melhores. Pessoas do mundo inteiro com suas mochilas e cajados são vistas fora e dentro da catedral, sozinhas ou em grupos, com cara de exaustão e felicidade por terem completado o caminho, motivadas por diferentes razões, seja para agradecer, se autoconhecer ou se aventurar! Só é considerado peregrinação se a jornada for feita a pé, a cavalo ou de bicicleta.

Além da catedral, visitamos o Museu das Peregrinações, que aos sábados entre 17h e 20h é gratuito. Ele custa 2,40 euros e vale a pena mesmo assim. O museu é muito bem organizado e conta a história das peregrinações na área, super interessante para quem quer  entender como Compostela se tornou o terceiro destino de peregrinação cristã do mundo, perdendo somente para Roma e Israel. Além disso, Santiago se localiza na Galícia onde se fala o galego, parecidíssimo com o português! Nos comunicamos sem problemas em português lá. É impressionante como tanto a língua falada quanto escrita são tão similares ao nosso idioma…

Almoçamos divinamente também por lá. Geralmente não gosto de tapas (espécie de mini porções de comida para dividir, típicas da Espanha), pois sempre acho que vem pouco e acaba que gastamos demais com elas. Mas por sorte, sem indicação, paramos num restaurante chamado Central que nos surpreendeu. As tapas eram enormes e divinas!

Lulas divinas!

E polvo mais ainda…

Obs: fomos de carro, partindo do Porto. A estrada é boa e fizemos em 2horas e meia. Não há trem direto do Porto. Tem que se pegar até uma cidade chamada Vigo e trocar para seguir até Santiago de Compostela.