Arquivo | junho, 2011

Brighton

26 jun

O verão inglês é tão fugaz que esse ano decidi aproveitá-lo com todas as forças. Ano passado ouvi falar que Brighton era a praia para a qual os londrinos corriam nos dias de sol. Como foi o meu primeiro verão, fiquei esperando um fim de semana mais quente para ir a Brighton e não deu outra, perdi a oportunidade.

Praia de Brighton

Quando vi que a previsão para esse domingo era de 30 graus, decidi que não perderia a chance de dar um mergulho.

Praia de Brighton

Brighton fica ao sul de Londres, a 1 hora de trem. Estava super desconfiada da praia inglesa, pois já tinha ouvido falar que a praia não era boa, cheia de pedras e lotada. E é verdade. Havia uma multidão na “areia”, no mar, nos bares, na orla, no píer e de forma alguma achei isso ruim! Eu amo tanto essa sociabilidade “outside”, que estar de havaianas, tomando um sol, ouvindo o barulho do mar e vendo um agito nunca vai me incomodar.

"areia"

Mas não é de hoje que Brighton é destino dos ingleses.  O banho de mar virou moda em meados do século XVIII e Brighton foi o primeiro balneário inglês. O clima da cidade atraiu o Princípe de Gales, futuro Jorge IV, que comprou uma casa na cidade e a transformou num enorme palácio em estilo oriental.

Palácio do Jorge IV

Além da praia, uma das atrações é um píer de 1899 do palácio de Jorge IV. Hoje é uma espécie de parque de diversão, cassino, circo e praça de alimentação!

Píer ao fundo

Dentro do píer, tentando ganhar um ursinho da Pixar...

A praia é bem diferente também. Como ela tem muitas pedras, algumas pessoas entram no mar de sapatos. Além disso, não há uma moda praia. Eu vi de tudo. Gente no mar completamente vestida, gente de calcinha e sutiã, gente de calça jeans na areia, mulçumanos completamente vestidos, biquínis, sungas, casacos…diversidade total! E muita gente parecia não ter a menor intimidade com o mar…hahahha

Artistas de rua na orla...

De almoço, fish and chips para o dia inglês ficar completo!

 

 

Musicais

21 jun

Tem um programa aqui em Londres que é super turístico e que eu adoro demais: os musicais. Meu primeiro curso de inglês era em Picadilly Circus e eu sempre atravessava o West End (área onde a maior parte dos teatros que exibem musicais se encontram) e via aqueles letreiros luminosos das peças e ficava pensando o quanto me sentia em Londres circulando por essa área.

O primeiro musical que vi foi Billy Elliot. Estava com medo de não entender o inglês e aí escolhi uma peça na qual eu já conhecia a história, além de ser um filme que eu adoro. E o musical é lindo, os números de dança fantásticos e os atores excelentes. A primeira experiência foi tão boa, que não consegui mais parar!

Billy Elliot

Depois fui assistir Hair, que foi uma grande decepção. O roteiro é  fraco, o cenário é pobre, enfim, nada demais para um musical do West End. Depois disso, para não cair em furada, passei a pesquisar antes se o musical está bem falado ou não. Gosto das críticas da revista Time Out, que aliás é um ótimo lugar para se informar sobre a extensa programação cultural  londrina.

Hair

Depois assisti Thriller, que nada mais é do um show com músicas do Michael Jackson. O interessante é que uns 3 atores fazem o Michael. Um dança, o outro canta as músicas com voz “fina”, um outro canta as mais graves. Com certeza deve ser muito difícil encontrar um ator que reúna as habilidades do Michael numa pessoa só.

Thriller

Assisti também a peça Oliver. Em termos de cenário, foi a mais bonita que vi. Parece uma pintura. O figurino é lindíssimo. Porém, acho que os números musicais deixam a desejar e não me empolguei muito com essa peça não.

Oliver

Outro que vi e é o máximo para quem gosta do Queen é a peça We will rock you.  A história se passa no futuro, no mundo “GaGa world”, onde todos os jovens vestem as mesmas roupas, veem os mesmos filmes e os computadores fazem as músicas e as pessoas apenas fazem o download delas. Nesse “Planet Mall”, os instrumentos foram banidos, só existem as “Boy Bands” e as “Girl Bands” e os sucessos são programados.  Mas os Bohemians – os rebeldes – acreditam que em algum momento as pessoas tinham suas próprias bandas e escreviam suas próprias músicas.  Eles acreditam na lenda de que há uma guitarra em algum lugar e eles precisam de um herói para iniciar a revolução “rock”.  E o melhor que todas as músicas são do Queen. O roteiro é muito bom, todas as músicas se encaixam perfeitamente na história. Sem contar que é um showzão, né?

We will rock you

Assisti Wicked também. Tenho que confessar que duas vezes, de tanto que gostei. Esse musical para mim é perfeito, pois combina história linda, números musicais maravilhosos e cenário grandioso. A história é sobre a Bruxa verde do Oeste, que aparece no filme Mágico de Oz e persegue a Dorothy. A história se passa quando a Bruxa Verde do Oeste e a Bruxa Branca eram jovens e estudavam juntas na escola de magia. Enfim, explica como a Bruxa Verde do Oeste virou a bruxa má. O legal é que também entendemos como o homem lata virou o homem lata; como o espantalho virou o espantalho e como o leão virou o leão no Mágico de Oz e também porque a Bruxa Verde perseguia a Dorothy na história. É lindo demais!!! Posso dizer que esse é o que mais gosto, por enquanto.

Wicked

Wicked

E o último que assisti, recentemente, foi o Legalmente Loira. Tinha super preconceito com essa peça, achava que era mais uma dessas enganações, para pegar turista desavisado. Queria ver O Fantasma da Ópera, mas não tinha mais ingresso e como tinha para esse, para não perder a viagem, comprei. Além disso, ano passado essa peça ganhou um prêmio de melhor novo musical e a crítica da Time Out estava favorável. E o musical é ótimo, bem divertido, roteiro fechadinho e excelentes números musicais. É uma peça pequena, o cenário não é fantástico, mas foi uma agradável surpresa.

Legalmente Loira

Acho que para quem nunca viu um musical, eu aconselho a procurar uma peça clássica, que está em cartaz há 10 anos, por exemplo, e é sucesso absoluto. É legal ver uma produção grande, com cenário suntuoso, porque é uma coisa que não se vê no Brasil. Depois que já viu algum desse tipo, aí pode experimentar. É importante se informar também para não cair em furada. Pagar para ir numa peça no West End e ver uma produção fraca, com nada que você não veria no Brasil, será frustrante. Então se informe!

Costumo comprar os tícketes no dia da peça ou para o dia anterior. Compro no quioske Tckts, que fica bem no meio da praça Leicester Square. Acho uma boa opção, pois você pega ingressos mais baratos, em lugares bons (são ingresso que sobram e/ou fazem parte da cota de ingressos que tem que ser vendidos no dia). E não há o risco de não ver nenhuma peça, pois são tantas opções que nunca não consegui assistir uma quando eu quis.

É importante ficar atento quanto ao lugar. Há teatros imensos e não adianta comprar o mais barato pois pode ser que você fique tão longe, que não conseguirá participar da peça. Pergunte se tem algum “restrict view”, se é um bom lugar, etc.

Bem, os próximos que estão na minha lista são: O Fantásma da Ópera, Priscilla, Blood Brothers…e essa lista só vai crescer, tenho certeza! Ai, ai, haja libras…hahahha

Barcelona

15 jun

Poderia começar este post de muitas maneiras, falando, por exemplo, da presença massiva do arquiteto Gaudí na cidade e suas lindas intervenções; ou pela revitalização de Barcelona após as Olimpíadas de 1992 ou, ainda,  descrever o quanto Barcelona respira e inspira arte, afinal, nessa cidade moraram nada menos que Picasso, Dalí, Miró, Gaudí, para citar os mais famosos.

Porém, quero começar falando sobre a situação complicada que a Espanha vive nesse momento. A taxa de desemprego no país está por volta de 20% e, entre os jovens, mais de 40%; a  esquerda, após 32 anos governando Barcelona, perdeu as últimas eleições. Diante desse cenário conturbado e de transformação, jovens ocupam a praça da Catalunha desde 15 de maio. Preocupados com a falta de perspectivas, a praça da Catalunha virou um verdadeiro acampamento e local de debates.

Barcelona – zona de brutalidade policial

Visitamos a praça e o que vimos foi isso: estátuas cobertas, uma infinidade de cartazes, grupos de jovens reunidos debatendo, muitas barracas, música, capoeira, cerveja, etc.

Praça da Catalunha
Praça da Catalunha – reparem na estátua ao fundo. Estavam todas cobertas, fantasiadas

Voltando ao turismo. Pode-se dizer que o arquiteto catalão Gaudí é a alma de Barcelona. Nada menos que 7 obras do Gaudí foram declaradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Elas são tão marcantes na cidade, que chega uma hora que você precisa dar até uma “respirada” da sua arte tão típica.

Parque Güell – dragão que virou símbolo da obra de Gaudí

Foi um “alívio” quando visitamos o Palácio da Música Catalã, construído por outro arquiteto, Lluís Domènech i Montaner, que também projetou o famoso Hospital St Pau, que não tive tempo de conhecer. O Palácio da Música Catalã é lindíssimo por dentro. A sala de concerto tem capacidade para 2,200 pessoas e foi a primeiro auditório da Europa a usar somente luz natural durante o dia, graças aos muitos vitrais – o mais pomposo o do teto, uma espécie de cúpula invertida em tons amarelos, cercado de tons azuis, representando o Sol e o céu. Em 1997, recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Uma pena não poder tirar fotos dentro!

Palácio da Música Catalã

Bem, voltando ao Gaudí, a primeira obra que visitei dele foi a Casa Bartló, também conhecida como Casa dos Ossos. Esta construção surgiu a partir de uma competição entre 3 arquitetos modernistas rivais e o quarteirão onde essas casas se localizam ficou conhecido como o “Quarteirão da discórdia” (Casa Bartló – Gaudí; Casa Amatller – Puig i Cadafalch; Casa Lleó Morera – Domènech i Montaner).

Casa Bartló (direita) e Casa Amatller lado-a-lado.

A Casa Bartló é fantástica. Não há linhas retas e nem quinas. Várias partes dela se parecem com formas de animais, como um corrimão em forma de um grande esqueleto. Gaudí brincava muito com a luz e os seus projetos tinham essa preocupação, de usar a luz natural de uma forma funcional. Ele deu várias soluções para isso usando azulejos azuis com tonalidades variadas, janelas de tamanhos diferentes e vitrais. O resultado é uma casa linda, com uma proporção fora do comum e muito funcional.

Casa Bartló

A segunda obra que visitei do Gaudí foi o edifício La Pedrera, localizado na avenida “Paseo de Gracia”, mesma avenida na qual a Casa Bartló se encontra. O que mais gostei desse prédio foi o teto, que parece a gravura Relativity do Escher.

A terceira foi o lindíssimo Parque Güel, projetado por Gaudí e construído entre os anos 1900 e 1914. Ele fica situado no alto de um morro, de onde se tem uma vista da cidade.

Parque Güell
As 3 cruzes – Parque Güell
Lindo teto da “Sala das 100 Colunas”

E para finalizar, a última e impressionante obra de Gaudí que visitei foi a Igreja Sagrada Família, que está em construção desde 1882 (Gaudí assumiu o projeto em 1883) e a previsão atual é que esteja pronta em 2030. Será?

Sagrada Família

Gaudí morreu em 1926 quando menos de um quarto da igreja estava construído. Ele se envolveu tanto com o projeto, que passou a morar na Igreja e morreu atropelado em suas imediações. A Sagrada Família tem 3 grandes fachadas. Uma representa o nascimento de Cristo (fachada que ele mais trabalhou); outra, a morte; e a terceira, a ressurreição. Esta última só começou a ser construída em 2002, então ainda não se pode ver nada. A que eu mais gostei foi a fachada que representa a morte. É tão bonita, representa a dor, todas as estátuas estão cabisbaixas e com um semblante de tristeza. E Cristo não está “colado” na cruz, o seu corpo tem um peso.

Fachada que representa a morte de Cristo

Por dentro a igreja está bem inacabada, porém, com os poucos vitrais que tem, já se pode imaginar o quão bonita ela ficará por conta das muitas cores que entrará na igreja por eles. O teto também é impressionante!

Teto da Sagrada Família

Saindo do “circuito” Gaudí, adorei o parque da Cidadela. O parque Güell é muito turístico e o da Cidadela parece ser aquele frequentado pelos moradores. Quase não entramos nele, mas que bom que mesmo exaustos pelas muitas andanças paramos para conhecê-lo. É lá que fica a sede do Parlamento da Catalunha. E tem uma fonte enorme, muito linda.

Parque da Cidadela

Além disso, presenciamos um grupo dançando músicas à la anos 60 no coreto. Super divertido! Aliás, Barcelona é bem musical, pois no dia anterior presenciamos também em frente à catedral de Barcelona um grupo enorme de pessoas dançando alguma música típica. Ambos os casos não eram dançarinos profissionais não. Eram pessoas comuns se divertindo e bailando!

Dança no coreto
Pessoas dançando em frente à Catedral…

Como vivo uma carência de Sol aqui em Londres, troquei alguns passeios culturais pela praia de Barceloneta (Fundação Miró, Museu do Picasso, Montjuic, etc). A praia é normal, urbana, mas não podia perder a oportunidade de dar um mergulho. E esse simples mergulho merece um comentário. A praia em Barcelona é engraçadíssima para os padrões brasileiros. Para começar, topless é a coisa mais natural do mundo. Até aí tudo bem, mas o engraçado foi ver pessoas nuas completamente, na boa, andando. Como para gente não é natural, eu ficava olhando tudo e achando tudo engraçado demais (as pessoas chegam de roupa e se trocam na praia, sem a menor cerimônia!rs). Mas o legal é que para eles é tão natural isso, que não gera nenhum constrangimento. E o melhor, todos convivem no mesmo espaço. Não é preciso criar espaços para a nudez, ou a semi-nudez, em praias afastadas. Todos estão ali, da maneira que querem, numa praia urbana, central.

Barceloneta

Esse choque cultural é interessante pois você acaba conhecendo a sua própria cultura. Para nós, brasileiros, a nudez é tabu. As nossas praias, embora não tenham mulheres com os seios à mostra, é super erótica, muito mais do que Barceloneta, por exemplo. As estampas dos biquínis, os lacinhos, as bolinhas, o tecido que só cobre o mamilo, ou quase nada da bunda, gera um ambiente de muita sensualidade, de “mostra, mas não mostra”. Entretanto, em Barceloneta, onde o nu é exposto de forma tão natural, a sensualidade se perde, um peito é um peito, uma bunda é uma bunda, sem muitas fantasias a respeito disso. Bem, como sou uma boa brasileira, tive super dificuldade de fazer meu primeiro topless da vida…hahahha…acho que eu prefiro mesmo o tradicional biquini!!!hahahha

Bem, de resto fiquei perambulando pela La Rambla, pelo bairro gótico, pelo Porto Velho, comendo Tapas e levando uns “canos” dos espanhóis (cuidado, turistas!!!)…

La Rambla
Porto Velho

Shakespeare’s Globe

9 jun

Embora não saiba muito sobre a história do teatro, sempre ouvi falar que ele era bem tradicional e forte na Inglaterra. E é mesmo! Há uma infinidade de peças em cartaz, de tudo quanto é tipo e no verão há apresentações ao ar livre em parques e jardins.

É óbvio que essa minha impressão – acho que de todos – vem do fato de que William Shakespeare é inglês. Mesmo quem nunca foi a um teatro na vida conhece a história de Romeu e Julieta, não é mesmo? Shakespeare, sem dúvida alguma, é o maior dramaturgo que temos notícia. As suas peças são conhecidas e encenadas no mundo inteiro!

Shakespeare nasceu numa cidade inglesa chamada Stratford-upon-avon, mas foi em Londres que fez carreira. Em 1599, Shakespeare, juntamente com outros, inaugurou um teatro chamado Globe Theatre, ao Sul do Tâmisa. Este teatro só funcionava no verão, já que não era coberto e, por conta dos frequentes surtos de peste, passava períodos fechado.

The Globe Theatre - original

Em 1613, o Globe Theatre pegou fogo durante uma encenação da peça Henrique VIII, quando uma fagulha de um canhão atingiu a palha do teto do teatro (Canhão num teatro? As peças deviam ser bem inovadoras e perigosas! hahaha). Em 1614, o Globe Theatre foi reconstruído e reaberto. Porém, em 1642, foi fechado (como todos os outros teatros da época) pelos Puritanos e, em 1644, demolido para dar lugar a novas moradias.

Shakespeare's Globe

Em 1997 foi inaugurado o Shakespeare’s Globe,  uma réplica do Globe Theatre, a apenas 230 metros do local original. E o lugar é simplesmente o máximo! A ideia é que seja bem parecido com as encenações da época de Shakespeare. O teatro também não é coberto e só funciona de maio a setembro, épocas mais quentes em Londres. Você se senta em desconfortáveis bancos de madeira, não há microfones e as peças são encenadas com o linguajar da época. O teatro é circular e a galera fica em pé no meio. Os ingressos para ficar em pé são baratos, em torno de 5 libras! Pode-se dizer que era onde a “plebe” assistia o espetáculo.

Pessoal em pé aguardando a peça começar...

Fui ano passado no fim da temporada de 2010 e como o teatro fica fechado por 7 meses, os ingressos esgotam rápido. Mas conseguimos, na ocasião, ingressos para a peça Bedlan. Compramos sem saber muito bem do que se tratava e no fim das contas acertamos em cheio. Bedlan foi a primeira peça a ser encenada no Globe escrita por uma mulher, já que na época do Shakespeare as mulheres não podiam atuar, muito menos escrever. Além disso, o tema muito me interessava, já que era sobre um asilo psiquiátrico do século XVIII. Então nem preciso dizer que adorei ter ido!

"Sofrendo" nos bancos de madeira

Porém, fiquei com um gostinho de quero mais, pois queria ver uma peça de Shakespeare lá. E nesse ano não perdi tempo e fui lá conferir a peça “All’s well that ends well” (Tudo bem quando termina bem).

Globe por dentro

Foi bem mais difícil de entender do que Bedlan, porque ela é bem mais tradicional, com um vocabulário arcaico.  Mas me diverti mesmo assim! Mesmo quem não está com o inglês afiado, acho que vale a pena, pois você se sente na época do Shakespeare! E o clima do teatro é tão legal, que quero voltar toda temporada…nunca fui em pé, mas qualquer dia quero passar também por essa experiência …

Intervalo - pausa para um drink!

O teatro aluga almofadas e cobertores. Há um tour guiado também. Nunca fiz, mas pode ser interessante…

De brinde, essa linda vista do Tâmisa no intervalo!

O teatro fica quase ao lado da Tate Modern. As estações de metrô próximas são: St Paul, Southwark, Mansion House e London Bridge

Imperial War Museun

2 jun

Quando achava que já tinha esgotado todas as minhas possibilidades de museus interessantes e gratuitos em Londres, “descobri” o Imperial War Museun, que eu simplesmente amei.

Os maiores museus de Londres são gratuitos. E não pensem que são museus chinfrins não! São museus enormes com uma vasta coleção e variados entre si. A lista é grande: National Gallery, British Museun, Natural History Museun, Science Museun, Victoria & Albert Museun, Tate Modern e por aí vai.

Eu nunca consegui ver a coleção permanente inteira desses museus e nunca me importei com isso. Como é gratuito, absorvo tudo sem pressa, no meu tempo, no momento que estou disponível. E é tão bom entrar e sair dos museus sem pagar! Isso cria uma relação diferente com os moradores da cidade, pois eles são utilizados por todos, são acessíveis e não pertencem somente a um público apreciador de arte. Eles estão lá, para serem usados por um público diverso, com diferentes propósitos. Há famílias inteiras que passam o fim de semana dentro do museu, almoçam, tomam café, participam das atividades interativas paras as crianças; há trabalhadores que trabalham em suas redondezas e vão almoçar nos seus jardins ou pátio; há alunos com pranchetas, desenhando, anotando, pintando; há turistas fotografando tudo e falando diferentes línguas; há pessoas de passagem, que entram no museu exclusivamente para usar os banheiros e aproveitam para dar uma olhadinha em algo…

Galera tomando um sol em frente ao British Museun

Galera se refrescando no Victoria & Albert Museun

Mas hoje quero falar do Imperial War Museun. Ele não está na lista dos maiores e nem dos mais famosos museus de Londres, mas encontrá-lo foi uma surpresa. Eu achava que o War Museun era um museu sobre tecnologia de guerra, sobre tanques, canhões, armamentos, etc. E isso sinceramente não estava na lista dos meus interesses. Até uma prima, a Luiza, vir nos visitar e falar que  o War Museun era o que ela tinha mais gostado. E daí fui lá conferi-lo por esses dias e vou voltar certamente!

Imperial War Museun

O Imperial War Museun é muito mais sobre o impacto da guerra na vida das pessoas do que propriamente sobre a guerra em si. Ele é dividido por temas: Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Conflitos pós-1945, Crianças na guerra, Holocausto, entre outros.

Imperial War Museun

E foi justamente por poder “ver” o impacto da guerra nas relações sociais, no cotidiano das pessoas, que eu gostei tanto desse museu. O cartaz abaixo (a foto está péssima) ilustra bem essa modificação, quando as mulheres durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, precisaram assumir diversas funções outrora masculinas, alterando para sempre o papel da mulher na sociedade.

British Women! The Royal air force needs your help!

Cartazes de convocação para a guerra, pedaços de jornais anunciando o racionamento de comida, instruções a serem seguidas no caso de bomba e recomendações de medidas “simples” – como não acender nenhuma luz depois de escurecer, para o local não virar alvo de ataque, ou até mesmo ter cuidado com o que falar pois poderia ser muito perigoso -, te colocam em contato direto com o sofrimento, com as perdas, com as separações, com as privações impostas pelo tempo de guerra.

Your contry needs you

Na parte da Primeira Guerra Mundial há uma Trenche Experience, montagem que simula uma trincheira e na parte da segunda guerra, uma Blitz Experience, que simula um ataque.

Havia placas nas trincheiras !

Suicide Corner - umas das placas "macabras"

A exposição do Holocausto é a maior exposição permanente sobre o tema. As fotos e os relatos são emocionantes e apavorantes. Foi a primeira vez, numa guerra, que recursos industriais foram utilizados para o extermínio em massa. E a pergunta “Como teve lugar na história mundial tamanho genocídio?” não sai da cabeça. Quando falamos em holocausto pensamos logo em judeu, porém, não podemos esquecer que os ciganos, homossexuais, pessoas com deficiências, testemunhas de Jeová, entre outros, também foram perseguidos e exterminados. E quanta criança morreu, por volta de 1,5 milhões!!! Estima-se que, no total, 60 milhões de pessoas morreram durante a Segunda Guerra Mundial…

Essa foto é fantástica! Mulher chorando fazendo saudação a Hitler...

Na parte Crianças na Guerra, havia um relato de uma pessoa que tinha vivido os horrores da Segunda Guerra Mundial dos 11 aos 17 anos. Outro, falava do momento em que se separou dos pais…

"Will I ever see my parents again?"

Acho que à medida que vou conhecendo a história do continente Europeu, vou entendendo melhor as pessoas daqui. No começo ficava impressionada com a economia que eles fazem de tudo. O guardanapo é contado, as casas não tem tanques, os banheiros e a cozinha não tem ralos – o que nos impede de jogar um balde de água e dar aquela lavada -, muitos tomam banho de banheira, embora tenham chuveiro…achava que isso tinha a ver com um conceito diferente de higiene. Mas a cada dia percebo que não! Estou cada vez mais inclinada a achar que tem a ver com as muitas guerras que esse continente atravessou. Eles aprenderam a racionar, a viver com limitações e tiveram que ser práticos para reconstruir os seus países assolados pelas muitas batalhas travadas aqui!

"I pray you to believe what I have said, I reported what I saw and heard but only part of it. For most of it I have no words". Ed Murrow, Buchenwald, 1945

Para ir ao Imperial War Museun, a estação de metrô mais próxima é a Lambeth North, Bakerloo line.