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Highlands e Ilha de Skye

27 maio

A Escócia é dividida em duas grandes regiões: as Highlands (terras altas) e as Lowlands (terras baixas). Em novembro do ano passado, passei 1 semana visitando as Highlands, viagem que relatarei nesse post.

Já tinha feito uma viagem, em junho desse mesmo ano, para a Escócia e conheci as maiores cidades, Edinburgo e Glasgow, além de Dundee, cidade na qual queridos amigos moram, e redondezas (todas localizadas nas Lowlands). Na ocasião, fizemos um passeio de um dia pelo comecinho das Highlands e isso foi o bastante para querermos retornar e explorar de fato essa região.

Fernando e Andréa, amigos brasileiros que moram em Dundee, apaixonadíssimos pela cultura escocesa (Fernando principalmente! Tricolor, niteroense e agora escocês desde criancinha…hahaha) nos ajudaram a programar essa viagem com preciosas dicas, inclusive nos acompanhando em parte dela.

O roteiro foi o seguinte:

1° dia: Dundee;

2° dia: Perth, Dunkeld, Queen’s view, Aviemore;

3° dia:  Loch Morlich, Loch an Eilein, Carrbridge, Inverness;

4° dia: Castelo Urquhart, passeio no lago Ness em Fort Augustus;

5° dia: castelo Eilein Donan, Ilha de Skye (Old Man of Storr, Kilt Rock e Portree);

6° dia: Ilha de Skye (Castelo Dunvegan e destilaria Talisker); Fort Willians;

7° dia: Nevis Range, Dundee;

8° dia: St Andrews e  castelo Glamis;

1° dia:

Começamos a nossa viagem por Dundee. Pegamos um trem até lá, passamos uma noite com nossos amigos e no dia seguinte pegamos a estrada sentido Highlands. Alugamos um carro em Dundee, pois seria impossível explorar a região como queríamos de transporte público. Há muitos vilarejozinhos perdidos no nada, além de querermos liberdade para ficar mais tempo numa cidadezinha ou outra.

Dundee

2° dia:

Saímos de Dundee bem cedo e a primeira parada foi em Perth. Na verdade foi uma parada bem rápida, só para ver  rio Tay e dar uma olhadinha na cidade. Havia tanta coisa a ser vista mais à frente, que rapidamente continuamos a viagem.

Perth - rio Tay ao fundo

A próxima parada foi em Dunkeld, um lugarzinho bem fofinho e minúsculo que a gente já tinha visitado na primeira vez que fomos à Escócia. Tem basicamente duas ruas de comércio e uma catedral do século XIV. Os jardins da catedral ficam às margens do Loch (lago) Tay.

Dunkeld

Dunkeld - auge do outono

Seguimos viagem até Queen’s view, uma espécie de mirante para o Loch Tummel. Alguns acreditam que esse ponto recebeu o nome de “vista da rainha” após uma visita da Rainha Vitória ao local em 1866. Mas parece que essa história não é verdadeira e esse nome seria uma homenagem à Rainha Isabella, esposa do Rei Robert de Bruce, que governou a Escócia durante os anos 1306 e 1329.

Queen's view

Depois de apreciar essa fantástica vista, seguimos em frente até Aviemore, local escolhido para pernoitármos. Nessa época do ano, a luminosidade na Escócia está muito baixa, 15h30, 16h já estava escurecendo. E como o objetivo da viagem era aproveitar as belezas naturais, tínhamos que acordar no escuro e sair assim que clareasse, pois sabíamos que cedo estaríamos sem luz. Justamente ao contrário do que aconteceu quando visitamos a Escócia em junho, quando pegamos o solstício e tivemos o privilégio de experienciar o dia mais longo do ano. Me lembro que escureceu quase meia noite e 3 da manhã já estava sol.

3° dia:

Embora fosse outono, já estava muito frio. A temperatura estava por volta de zero. Acordamos com o nosso carro coberto de gelo. Até então nunca tinha visto neve e havia uma possibilidade de nevar naquela época e eu estava excitada com a possibilidade.

A primeira parada foi no Loch Morlich, que parece com uma praia por conta da extensa faixa de areia.

Loch Morlich

Seguimos até o Loch an Eilein e caminhamos pela floresta que o margeia até chegar em um ponto no qual pudéssemos ver as ruínas de um castelo, localizado no meio do lago.

Loch an Eileian

Loch an Eileian

Um pouco antes de chegar em Inverness, maior cidade das Highlands e local que escolhemos para pernoitar, paramos num vilarejo chamado Carrbridge para apreciar a suposta ponte mais antiga de pedra das Highlands, construída em 1717. Aproveitamos para tomar um café. Quando entramos na cafeteria, nos deparamos com uma cena curiosa. Um grupo enorme de velhinhas tricotando literalmente! Todas sentadas em círculo, fazendo tricô e tomando um chazinho da tarde. hahaha. Só faltou ser às 17h! Éramos tão estrangeiros naquele local, que fiquei constrangida de tirar uma foto desse momento.

Pack-horse bridge

4° dia:

Estava chovendo tanto em Inverness que decidimos seguir viagem e tentar a sorte em algum outro lugar. Queríamos explorar o lago Ness em busca do famoso monstro que habita suas águas.

A primeira parada do dia foi no castelo Urquhart. As fotos a seguir falam mais do que qualquer comentário meu!

Ruínas do castelo Urquhart

Jardim do Castelo Urquhart

Lago Ness visto do castelo Urquhart

Continuamos a viagem sentido Fort Augustus, pois queríamos fazer um passeio de barco pelo lago Ness. Nesse dia o tempo estava ingrato, chuva o tempo todo. Chegamos lá e compramos o passeio. Não sei se foi por conta do tempo, mas não achei o passeio tão interessante. O barco explora muito pouco o lago e estava tão frio fora, que tivemos que ficar um tempo dentro do barco para não congelar e nessa perdemos a paisagem.

Passeio de barco pelo lago Ness

Não é que avistamos o mostro!?

Depois de pegar chuva o dia inteiro, decidimos que era hora de parar e dormir em Fort Augustus mesmo, vilarejo bem simpático.

Fort Augustus

5° dia:

Acordamos cedo para mais um destino: Ilha de Skye. Depois que alcançássemos a ilha, começaríamos a voltar.

O caminho para a ilha de skye é maravilhoso. A paisagem começa a ficar mais exótica do que já é, com grandes lagos, montanhas nevadas e vegetação rasteira. A viagem pelas Highlands já é solitária, mas o caminho para Skye é tão deserto que a sensação é de que estamos nos afastando do mundo.

Super feliz porque vi uma montanha nevada!

Caminho para Skye

Na entrada da ilha de Skye, paramos no castelo mais lindo que vi: Eilean Donan. Ele é de pedra, situado às margens do Loch (lago) Duich, com uma vegetação rasteira e queimada ao redor. Não há nenhum sinal de construção humana. Só ele, lindo e maravilhoso. Esse castelo é bem famoso, servindo de locação para diversos filmes, como Elizabeth: a era de ouro; Highlander; O cálice sagrado; O amigo da noiva; etc.

Eilean Donan

Finalmente alcançamos a Ilha de Skye, quase na Islândia já…hahahha. Fiquei impressionada com a ilha. Todas as paisagens são de filme. A ilha parece ser deserta, com uns “vilarejos” de três casas. Ficamos na maior cidade de Skye, Portree, que significa Porto do Rei. A pequena orla do porto é toda composta por casinhas coloridas.

Portree

paisagem de Skye

Exploramos a ilha da seguinte maneira: queríamos ver o Old Man of Storr, paredão de pedra recortado. Dirigimos até lá e pegamos uma trilha para tentar alcançá-lo.

Parece pintura né? Paisagem básica comum nas estradas de Skye. Ao fundo, o Storr.

A sinalização estava caótica e não tínhamos informação de quanto tempo demoraríamos para alcançá-lo. Embarcamos nessa aventura sem muita preparação e no meio do caminho pegamos uma tempestade de gelo. Fiquei tensa, pois a trilha estava deserta e havia uns pontos de mata fechada com pouca luminosidade. Não fomos até o Old Man of Storr, pois tinha uma placa avisando que a partir daquele ponto havia risco de deslizamento de pedras. Mas só de ter chegado nesse ponto valeu, pois tivemos uma vista linda da ilha e dessa formação rochosa.

Storr

O céu é o limite!

Seguimos pela costa leste de Skye até chegar em Kilt Rock. Kilt Rock é um penhasco com colunas hexagonais de basalto, que lembram a saia típica usada pelos escoceses, o Kilt. Daí esse nome. O cenário fica ainda mais belo porque um riacho cai penhasco abaixo, formando uma linda cachoeira.

cachoeira Kilt Rock

6° dia:

Acordamos e partimos para o castelo Dunvegan, ocupado pela mesma família por quase 8 séculos! Mas estava fechado e então mudamos os nossos planos e fomos visitar a única destilaria de Skye, a Talisker, fundada em 1830. Como não sou apreciadora, gostei mais de ver a produção do vinho, achei a do uísque muito mecanizada.

Destilaria Talisker

Em várias partes da Escócia, o gaélico escocês ainda é falado. Em Skye isso ficou bem visível, pois todas as placas eram em gaélico (e em inglês, claro!) e um dos canais de rádio da BBC era narrado todo nessa língua. O gaélico é uma língua céltica, não oficial, embora o parlamento escocês estude a possibilidade de torná-lo língua oficial juntamente com o inglês. Não sei se isso é viável ou concreto, mas rola essa história.

Esse era o nosso engarrafamento nas estradas de Skye!

7° dia:

Dormimos em Fort Willians pois queríamos ir a Nevis Range e avistar a montanha mais alta do Reino Unido, o Ben Nevis. Queria tanto ver neve e lá era meio que garantido. Mas foi só decepção, a neblina era tanta, que não conseguia ver 5 metros à minha frente. Esperamos, esperamos e nada da neblina baixar. Fui embora decepcionada por não ter visto absolutamente nada. Valeu pelo passeio de teleférico até o alto da montanha.

Gondolas

Neblina na montanha

8° dia:

Já nas lowlands (terras baixas), visitamos St Andrews (sim, a cidade na qual Kate Middleton e Príncipe Willians estudaram!) e o Castelo Glamis.

St Andrews, cidade universitária mais antiga da Escócia, é toda construída por pedras, saqueadas de uma catedral do século 12, maior catedral da Europa na época. As ruínas dessa catedral são lindas!

Catedral St Andrews

St Andrews

O castelo Glamis foi uma agradável surpresa. Quase desistimos de visitá-lo por conta do tempo apertado, pois tínhamos que pegar o trem para Londres nesse dia, devolver carro, etc. Porém, decidimos arriscar. O castelo é lindo por dentro e por fora. Foi nele que Elizabeth, a rainha mãe, passou a sua infância.

Castelo Glamis

Vacas peludas no pasto do Glamis!

A Escócia é um país lindo e os escoceses têm a fama de serem alegres e simpáticos! A população não é tão densa e há muito espaço vazio. Os muitos vales solitários, os grandes lagos, a vegetação, as montanhas compuseram um cenário perfeito para quem queria paz e contato com a natureza.

Para quem se interessar, eis o mapa com os pontos visitados marcados!

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