Archive | maio, 2013

Tarragona

23 maio

Tarragona fica a mais ou menos 1h de trem de Barcelona. É uma cidadezinha bem turística por manter um conjunto de ruínas da época na qual estava sob domínio do Império Romano. Essas ruínas, muito bem preservadas, são consideradas pela UNESCO como patrimônios culturais da humanidade.

Imagem retirada da Internet do Complexo Romano.

O anfiteatro na beira do mar é impressionante. Ele foi construído por volta do ano 2 AC e comportava 15000 pessoas. Ali ocorriam diversos tipos de espetáculos, como as lutas dos gladiadores, eventos esportivos e rituais de execução.

Anfiteatro

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Há outras atrações como o Circo Romano ( e museu), as muralhas, o teatro e a catedral.

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Catedral

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Mas, como sentimos muita falta do sol – raro em Londres -, aproveitamos o tempo bom para ficármos estirados na praia.

Tarragona

Como chegar:

Pegamos o trem na Estação Sants e custou por volta de 15 euros, ida e volta. Essa estação é bem grande e ficamos um pouco perdidos. Fomos tentar comprar as passagens numa máquina que só nos dava a opção de um trem carérrimo, que sairia por 40 euros ida e volta. Quase desistimos! Fomos no balcão de informações e depois nos dirigimos para a máquina que vendia passagens para trens de média distância. Lá, conseguimos comprar os tickets num valor aceitável.

Confira os horários dos trens, preços e estações aqui: http://www.renfe.com/viajeros/index.html

Sites úteis:

Para saber os preços das atrações e horários (geralmente, não abrem às segundas-feiras), clique aqui: http://www.tarragona.cat/lajuntament/conselleries/patrimoni/museu-historia/en/monuments/amphitheatre

http://www.tarragonaturisme.cat/

Sitges

19 maio

Sitges é um outro bate-e-volta perfeito de Barcelona. Com clima de balneário, me lembrou Búzios, por conta da combinação praia, lojas charmosas e boas opções de restaurante.

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Igreja de São Bartolomeu

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Não é à toa que é conhecida como a St Tropez da Espanha. É famosa por sua noite, sendo comparada a uma pequena Ibiza e é conhecida por abrigar uma grande comunidade GLS.

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Em Sitges também acontece dois eventos culturais famosos, como o Festival Internacional de Cinema de Fantástico e de terror e um carnaval de rua.

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Fomos a Sitges para pegar uma prainha mais tranquila e aproveitar o domingo de sol com nossos amigos.

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Comemos num lugar maravilhoso, bom e barato. Se chama La Paradeta e fica bem pertinho da praia. O restaurante, na verdade, é uma peixaria. Você escolhe o seu peixe/fruto do mar fresquinho, escolhe o modo de preparo (frito, grelhado, empanado, etc), paga e recebe uma senha. Quando o seu número for chamado, é só se deliciar! A casa só tem como acompanhamento pão, a atração principal mesmo são os peixes. Comemos lula, chipirones, marisco, peixe e saiu 10 euros para cada um, com bebidas. Recomendadíssimo!

La Paradeta

La Paradeta

Como chegar:

– Sitges fica a 30 minutos de trem de Barcelona. O ticket ida e volta custa de 6 a 8 euros. Os trens saem das estações Sants, França ou Passeig de Gracia.

Horários dos trens e preço:

-http://www20.gencat.cat/portal/site/rodalies?newLang=en_GB

Restaurante La Paradeta:

http://www.laparadeta.com/marisqueria-la-paradeta-sitges-barcelona.html

Mais informações:

http://www.telegraph.co.uk/travel/destinations/europe/spain/5832845/Sitges-the-St-Tropez-of-Spain.html

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,sitges-a-pequena-ibiza,317384,0.htm

http://www.visitsitges.com/en/

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Montserrat

16 maio

Montserrat fica bem pertinho de Barcelona e é um bate-e-volta perfeito se você quiser fugir um pouco do burburinho da cidade.

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O local é surpreendente e místico. As cadeias montanhosas, com seus diversos picos, inspiraram lendas que até hoje povoam o imaginário catalão. Há quem diga que os picos das montanhas de Montserrat inspirou Gualdí a criar o projeto da Sagrada Família. Outros, juram que Montserrat é um local para se encontrar seres extraterrestres. Montserrat também seria o local onde a Virgem de Montserrat fez a sua aparição e daí a construção da capela, que originou o mosteiro, do século 11, que emerge lindamente das pedras.

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Há muita coisa para fazer em Montserrat, é um passeio de 1 dia se quiser aproveitar tudo.

A visita ao mosteiro é gratuita e há uma grande fila de devotos para ver e tocar a imagem da Virgem. O bom é que essa parte é separada, então você poderá entrar no mosteiro e vê-lo sem muitos problemas. Há um famoso coral de crianças que ocorre às 13h, de segunda a sexta, gratuito.

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Há ainda um museu, trazendo um pouco de pintura antiga, moderna, de vanguarda, esculturas e abrigando obras dos famosos Picasso e Caravaggio, por exemplo. Custa 7 euros, o adulto. Pulamos essa parte porque o que mais fazemos em Londres é visitar museus, então optamos em ficar ao ar livre e conhecer as montanhas.

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Há diversas trilhas em Montserrat. Os caminhos são lindos, com esculturas e ruínas ao longo deles. Uns são bem longos, de mais de 3 horas. Como estou gravidíssima, pegamos o furnicular até San Joan, ponto mais alto que é possível ir de transporte, e de lá fizemos caminhos de não mais de 30 minutos. Adorei as montanhas, amo caminhar e ficou um gostinho de quero mais. Da próxima vez, quero reservar o dia só para explorar as montanhas e seus lindos caminhos.

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Informações práticas:

Como chegar:

Os trens para Montserrat saem da Plaça Espanya, em Barcelona. Nessa estação, você pode comprar o ticket do trem + o ticket do furnicular ou bonde até o mosteiro de Montserrat. O trajeto é de 1h, 1h15. Importante: se você escolher subir de furnicular, você deverá descer na estação Monistrol Montserrat; se você escolher subir de bonde, deverá descer na estação Aeri Montserrat. O valor do ticket combinado é o mesmo, 17,85 euros, ida e volta.  Escolhemos, sem saber, subir de furnicular, mas depois me arrependi. O bonde leva 5 minutos só e me parece ter uma vista mais  interessante. O furnicular demora 15 minutos e a vantagem dele é que há mais conforto, pois você vai sentado.

No mosteiro, há dois funiculares que te levam para pontos mais altos na montanha. Esses terão que ser pagos à parte e custam 9,50 euros, ida e volta, para usar os furniculares até San Joan e San Cova. Descobrimos só depois que há um ticket combinado chamado Trans Montserrat que inclui metrô + trem + furnicular ou bondinho até o mosteiro + furniculares San Joan e San Cova ilimitados por 26,60 euros. Dependendo da sua programação e o que quer ver em Montserrat, veja se vale a pena esse pacote ou o outro.

Alguns sites úteis:

http://www.cremallerademontserrat.com/website_cremallera/eng/cremallera_tarifes.php

http://www.montserratvisita.com/en/index.html

http://www.museudemontserrat.com/horaris-tarifes.php

Protótipo de mãe

12 maio

Quando descobri que estava grávida, uma das primeiras coisas que pensei foi “Caramba, estou grávida e longe da minha mãe!”.

Não que não sobrevivemos sem a nossa mãe, mas muita coisa fazemos questão de não aprender, porque elas fazem muito melhor que a gente. Nesse momento gravidez então, nem se fala! É a pessoa que mais te conhece, que está com você desde o dia que você viu a luz do mundo pela primeira vez. Tê-la por perto é ter a segurança necessária de que tudo vai dar certo nesse processo, afinal, ela já o trilhou há muitos anos atrás para nos gerar…

Acho que essa vontade de ter a mãe por perto está relacionada com a mudança de papel que está prestes a acontecer na vida da grávida, principalmente na primeira gravidez. Parece que esses 9 meses de gravidez são momentos derradeiros, os últimos só como filha. É claro que serei filha dela para sempre, mas também serei mãe e o ponto de referência para alguém. E ser a provedora não é fácil! É se fazer de forte, quando não se é, é receber todo o tipo de demanda vinda dos filhotes, pois, afinal, que mãe que não sabe e resolve tudo? E os filhos demoram a entender que a mãe é uma pessoa, que ela errou por medo, que muitas vezes foi insegura, que tinha um milhão de problemas com o mundo e que teve crescer muito para alcançar esses “super poderes”,  à custa de muita “ralação”, tanto física quanto psíquica.

Uma vez li em algum lugar sobre o quanto a natureza era sábia, nos dava 9 meses para nos acostumar com a ideia de ser mãe. Por isso adoro a expressão em inglês, que sou na verdade uma “mother to be”, o que significa mais ou menos que sou uma “mãe a ser”. É claro que poderia ser mãe hoje, se um bebê caísse no meu colo, porque mãe não é só aquela que gera. No entanto, quando não se tem o “objeto” ainda,  não!  É uma relação que vai se construindo a dois (3, 4, 5?), com o tempo e começa a se materizar ao longo desses 9 meses.

No começo não há sinais algum no corpo. Aos poucos eles começam a aparecer e, com eles, o se dar conta de que há uma vida sendo gerada. Porém, tudo é muito no escuro, são sonhos, planos, idealizações de um ser sem rosto ainda. Não há como saber desde agora que tipo de mãe serei. Só na presença dele é que um dia me darei conta se fui a mãe neurótica, a relaxada, a liberal, a rígida ou todas elas…só caminhando para saber que história escreveremos juntos.

Bonita, conflituosa, conturbada, afetuosa, todos tem uma mãe e uma história para contar. Que eu possa escrever uma história linda com o meu filho e que um dia ele olhe para trás, como faço hoje, e agradeça a mãe que tem, que presente ou ausente, chata ou legal, amorosa ou rígida, na terra ou no céu, é só nossa e de mais ninguém!

Olhar de amor!

Olhar de amor!

O pré-natal no NHS

3 maio

Recentemente fiz um post que contava mais ou menos como funciona o sistema público de saúde daqui, chamado NHS. Nesse, vou explicar melhor como o pré-natal é organizado.

Para começar, gravidez aqui é tratada como a coisa mais natural do mundo. Os lugares, como supermercados, bancos, museus, não tem fila prioritária e descobri que assento prioritário no metrô é uma coisa recente. Senti muita diferença quando fui ao Brasil em março, aproveitei todas as prioridades de que tinha direito..hahahha! Adorei!!!

Dentro do sistema de saúde não é diferente. Gravidez não é tratada como doença e tudo é lidado de forma bem tranquila e calma. Se for o seu primeiro filho, você tem direito a no mínimo 10 consultas (isso pode aumentar dependendo da situação da gravidez). Se for o segundo filho, as consultas caem para 7.

Como aqui não é um país medicalizado, no sentido de que tudo gira em torno da figura do médico, muito do tratamento que você recebe é feito por enfermeiros e outros atores. As consultas de pré-natal ocorrem dentro do hospital, mas com as midwives (parteiras). O conceito de parteira aqui é um pouco diferente do Brasil. Elas foram incorporadas pelo sistema de saúde e tem uma formação rigorosa. São 4 anos de formação para se tornar uma; esse tempo diminui se já for enfermeira.

As midwives são atores importantíssimos, pois elas não só acompanham a sua gravidez – encaminhando para os devidos exames e identificando possíveis problemas – como são elas que realizam o parto, seja no hospital ou em casa. Os hospitais tem obstetras, mas eles só são chamados ou consultados no caso de algum problema durante o trabalho de parto, que geralmente não ocorrem no centro cirúrgico.

A cesariana aqui é vista como um procedimento cirúrgico e não como parto. Por isso, de forma alguma ela é sugerida ou até mesmo mencionada ou discutida (ver aqui sobre a política do NHS em relação a cesária). Não há escolha nesse sentido. Recebi  um folheto informativo sobre o parto e achei hilário o tom que eles usavam para  explicar a cesária. Era do tipo “em alguns caso há a necessidade de se fazer um procedimento invasivo, a cesariana, para não colocar a vida do bebê e mãe em risco”. Na verdade, ter que fazer uma cesária aqui é uma derrota, pois significa que algo de grave está realmente acontecendo. E ninguém quer passar por isso, né?

As consultas com a midwife consistem em tirar a pressão, checar a urina, mediar a barriga e ouvir o coração do bebê. E tem a parte informativa, cada consulta tem um tema, como amamentação, alimentação, parto, etc.

A gente recebe um carderninho com todas as 10 consultas agendadas e o que vai ocorrer em cada uma delas. Somente 2 ultras são garantidas (a da 12° semana e 20° semana), as outras acontecem se houver necessidade. Tudo é muito bem informado e consentido. Eu assino termos se quero fazer determinados exames ou não. Eu assinei para fazer os exames de sangue e também consenti as ultras que verificavam alguma anomalia. Acho que por ter tanta gente de culturas e religiões diferentes, eles não fazem nada contra a vontade do paciente, embora alertem para a importância de certos exames.

O meu hospital oferece 4 aulas de pré-natal para mim e meu parceiro. Farei durante o mês de junho. Essas aulas são temáticas: a primeira é para sabermos reconhecer o trabalho de parto e o que fazer; a segunda é sobre como lidar com a dor do parto e os anestésicos disponíveis; a terceira é sobre a importância do parceiro na hora do parto e discutir a indução ou casos mais graves; e a quarta é sobre cuidados com o bebê e amamentação.

Essas aulas são importantes, pois em determinado momento do pré-natal, eu tenho que fazer o planejamento do parto com a midwife, no qual ela deixará anotado o que eu quero (tem gente que escolhe fazer sem nenhum anestésico, outros escolhem com mas com restrições, etc).

Aqui eles esperam até 42 semanas. Na 41° semana, se o bebê não nascer, eles discutem uma possível indução de parto, se a mãe aceitar, a ser realizada até a 42° semana. A mãe pode recusar, mas eles apresentam todos os riscos dessa escolha de esperar mais de 42 semanas…

Bem, vamos as desvantagens:

– Como o sistema é público, ele é para todo mundo. Então você não terá um médico/midwife particular que te atenderá sempre. É um trabalho de equipe, cada consulta pode ser com uma midwife diferente e, como não se agenda parto aqui, no dia que chegar a hora, você será recebida pela equipe de plantão. Isso é uma coisa terrível para nós brasileiros, que gostamos de ter alguém de confiança ao lado.

– Eu acho duas ultras muito pouco! Por mim, faria uma por mês para ter certeza de que está tudo bem, ainda mais no final, para ver se está encaixado mesmo. É difícil acreditar que eles vão saber identificar que o bebê tá na posição certa sem “ver por dentro”.

– Embora o hospital seja ótimo, com boas instalações, nem sempre eles poderão garantir o conforto e privacidade de que você precisa.  Como não há agendamento prévio (salvo exceções), você e mais 20 mulheres podem entrar em trabalho de parto no mesmo dia e aí, mermão, ferrou, né? Já ouvi histórias de conhecidos que a pessoa foi ao hospital 3 vezes e foi mandada para casa, pois ainda estava longe.

– O processo não é rápido. As pessoas que conversei ou soube por amigos que tiveram aqui ficaram 18/ 20 horas em trabalho de parto…=O

Bem, por enquanto está tudo correndo bem. Esqueço até que estou grávida, pois desde o começo recebi instruções de seguir a vida normalmente, fazendo os exercícios que estava acostumada e ficando tranquila. É claro que dá um medinho, né? Cada mulher tem uma experiência de parto diferente. Para umas, tudo corre bem; para outras, nem tanto.  E no fim das contas, a gente só quer ter o filhote bem nos braços…então bate uma ansiedade para saber como será a minha hora! E isso, não dá para saber, só vivendo…ai, ai, muitas emoções por vir nesse últimos 3 meses!

No hospital...

No hospital…campanha para o parto ser o mais natural possível!

Obs 1: cada hospital e GP tem uma forma de organização, então o pre-natal pode variar um pouco, de acordo com o hospital onde a pessoa esteja inscrita. O sistema não é perfeito, há muitas falhas e, infelizmente, nem todos hospitais são bons. Esse post de forma algum tem como objetivo dizer que o sistema de saúde público daqui é perfeito, mas compartilhar a minha experiência nele até agora e também ajudar as brasileiras que, como eu, vão ter filhos aqui e não sabem como o pré-natal funciona por esses lados….

Obs 2: Não sou nada contra a cesária. Na verdade a cesária foi um grande avanço da medicina, quando mulheres pararam de morrer no parto com seus bebês atravessados. O problema maior é o seu uso indiscriminado. Tanta gente no Brasil querendo o parto normal e não consegue porque o sistema de saúde não o favorece. Li uma excelente reportagem sobre violência obstétrica aqui e um vídeo denúnica sobre essa situação aqui.