Arquivo | novembro, 2011

Museu do Freud

20 nov

Desde que cheguei a Londres queria visitar o museu do Freud, mas acabei protelando, protelando e só mês passado consegui dar um pulo lá, aproveitando que 3 amigos psicólogos estavam me visitando. E valeu a pena esperar para ir com eles e relembrar os nosso tempos de faculdade!

Na verdade o museu do Freud é a casa que ele morou em Londres quando teve que fugir da Áustria após a invasão nazista. Freud era judeu e desde 1933 as suas obras começaram a ser queimadas publicamente na Alemanha pelos nazistas. Freud resistiu o que pode, mas em 1938, aos 82 anos, teve que abandonar a sua casa em Viena.

Freud permaneceu em Londres até a sua morte, em 1939. Morou em Londres somente um ano, mas foi aqui que terminou o texto “Moisés e o monoteísmo” e onde escreveu o seu trabalho final, “O esboço de psicanálise”. Mesmo com 82 anos, continuou a atender aqui em Londres.

O interessante da casa é que a família conseguiu recriar o escritório de Freud exatamente como era em Viena. E foi emocionante ver o divã original, ver as obras de arte, os quadros, os livros, enfim, tudo que servia de inspiração para Freud escrever a sua extensa obra.

No segundo andar da casa fiquei surpresa ao me deparar com dois quadros feitos pelo paciente do famoso caso “O homem dos lobos”. Um ele assinou com o seu verdadeiro nome e o outro, com o pseudônimo dado por Freud, o homem dos lobos.

Há também um retrato do Freud feito pelo artista surrealista Salvador Dali. O movimento surrealista foi influenciado pela psicanálise, já que a ideia era se libertar das amarras do consciente. Parece que Dali perguntou ao Freud o que ele achava de sua obra. E Freud respondeu: quando eu vejo uma obra de arte, eu sempre procuro o inconsciente nela e na sua, eu só vejo o consciente. Podem imaginar o golpe que foi para Dali ouvir isso! Conversando depois sobre isso com pessoas mais ligadas em arte, soube que Dali era questionado se era realmente um artista surrealista, por justamente ser muito consciente e preocupado com a forma.

A casa é pequena e a visita fica mais interessante se feita com o audio guide, pois assim ficamos sabendo das estórias que acompanham cada objeto. Há em português e custa só 1 libra! Não vou dizer que é um programa imperdível para quem vem a Londres, mas arriscaria dizer que para o fãs da psicanálise, sim, pode ser uma visita emocionante! Uma pena não poder tirar fotos lá dentro!

A Estação de metrô mais próxima é a Finchley Road. Mais informações no site: http://www.freud.org.uk/

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Miscelânia Cultural

6 nov

O maior ganho de estar em Londres é a oportunidade de entrar em contato com pessoas que nunca imaginei que um dia iria me deparar. A minha turma de mestrado é muito diversa. No começo ficava realmente desorientada a cada nacionalidade descoberta. Você é da onde? Sri Lanka. Você é da onde? China. Você é da onde? Paquistão. Você é da onde? Bangladesh. Você é da onde? Cazaquistão. Você é da onde? Índia. É claro que a cada resposta me maldizia por não ter prestado a atenção devida nas aulas de geografia do colégio.

Alguns brasileiros aqui ficam irritadíssimos quando as pessoas não sabem onde o Brasil fica ou acham que falamos espanhol. Acho perfeitamente normal que tal erro aconteça! Eu estudei geografia, mas confesso que perdi as palavras quando um menino me disse que era da Mauritânia e eu demorei um tempo para localizar esse país geograficamente e, pior, não ter o que dizer a essa pessoa. Não havia imagem na minha cabeça para a Mauritânia!

Tá certo que alguns vão argumentar que o Brasil é a quinto maior país do mundo em população e tamanho, tem a oitava maior economia e a maior população católica do mundo. Sim, mas mesmo se tratando de países com expressividade mundial em tamanho, economia ou seja lá o que for, por exemplo a China, o que realmente sei da China? Na minha turma tem um Venezuelano e eu me dei conta que não sei nada da Venezuela a não ser que o presidente de lá é Hugo Chávez. E se não fosse Borat, de repente não teria imagem para o Cazaquistão. E, sim, a surral novela de Glória Perez “Caminho das Índias” me serviu de fonte para perguntar às minhas amigas indianas o que era verdade ou não (na verdade fui obrigada pela minha irmã a perguntar se havia mesmo elefantes andando entre os carros. Que necessidade de saber isso eu não sei!? hahaha. Mas sim, é verdade. Parece que numa região específica da Índia os elefantes são sagrados e não podem ser enxotados!).

No começo tinha muita dificuldade em diferenciar os indianos do pessoal de Bamgladesh da minha turma. Eles se assemelham muito fisicamente! Até que um dia eu virei para uma indiana e falei “deixa fulano falar sobre a Índia, pois ele é indiano e vai ficar mais fácil para ele fazer as relações”. Senti que ela deu um pulo e falou enfaticamente “Mas ele não é indiano, ele é de Bangladesh!”. Nesse momento percebi que tinha cometido uma gafe e que para ela a diferença entre o povo dela e o de Bangladesh era mais do que clara.

Até que um dia voltei para casa no metrô com um rapaz de Bangladesh e aproveitei para perguntar com todo cuidado qual eram as principais diferenças entre eles e os indianos. Ele me disse “nós somos completamente diferentes! 90% da população do meu país é mulçumana, na Índia eles são hindus; os indianos gostam de música, dança, cores e nós somos mais reservados”. Pesquisando um pouco mais, os indianos são muito mais diversos. Há 23 línguas oficiais e muitas etnias vivendo no mesmo país; enquanto em Bangladesh há somente uma língua, o Bangla, e 98% da população é Bengali!!! Depois disso, passei a notar pequenas diferenças invisíveis aos meus olhos quando partia do pressuposto de que eles eram iguais…

No fim, ele me disse que adorava o futebol do Brasil, Kaká, Ronaldinho e que em Bangladesh eles levantam a bandeira para o Brasil na Copa!!! Sim, inegavelmente o futebol e o samba é a nossa imagem internacional, querendo ou não! Sim, é aquela visão bem estereotipada, igual a que nós temos quando pensamos em tantos outros países.

O mais engraçado é se dar conta de como somos vistos. Uma menina do leste europeu me achou super exótica quando soube que era do Brasil. Ficou impressionada em como eu tinha vindo parar em Londres, de tão longe! E uma outra da Rússia perguntou o que nós da América do Sul fazíamos para parecer tão jovens pois tanto eu e o venezuelano, apesar de beirármos os 30, parecíamos muito novos. hahahha. Tomei como um elogio, mas o “quase 30” pegou. Será a hora de esconder a idade do facebook? =)