Arquivo | outubro, 2011

Papo etílico

27 out

Nunca fui muito de “balada”. Não que não goste da noite, mas sempre preferi uma cerveja gelada e um bom papo em algum boteco da cidade. É claro que nos dias que o corpo pedia muito um saculejo, os sambinhas “lights” eram os campeões.

E aqui em Londres não podia ser diferente. Embora haja uma infinidade de “baladas” ultra modernosas e famosas, posso contar no dedo as vezes em que me aventurei. Então me perguntar qual é a boa nesse quesito pode ser um risco absurdo…=)

Porém, a lógica “botecão” permaneceu e eles continuam sendo a minha preferência, mas agora no formato de Pub. Literalmente os Pubs são os botecos daqui! Há um em toda esquina e sua função é a de ser um lugar quentinho e aconchegante para se tomar uma cerveja em paz. Na verdade eles são mais do que isso, eles tem uma função social importante nos bairros. É comum todo mundo aqui ter um “local”, que geralmente é um Pub do bairro no qual se mantém uma certa fidelidade. Por exemplo, no meu “local” há quiz toda semana, almoço no domingo, caça ao tesouro e se você frequentá-lo assiduamente, você provavelmente encontrará as mesmas pessoas, moradoras da sua área. E não pense que os ingleses vão ao Pub só para beber não, cansei de ver em Pub umas pessoas tomando café da manhã ou o chá da tarde no fim de semana.

Os Pubs (public houses) eram originalmente uma espécie de hospedaria, um lugar no qual os viajantes podiam comer, beber algo e descansar. O interessante são as placas dos Pubs. Geralmente tem um desenho, porque quando surgiram a maioria da população era iletrada e para ser fácil de decorar, era preciso ter desenhos que o identificassem.

Nos dias de tempo bom, as áreas ao ar livre ficam lotadas

Mas é claro que há também uns Pubs com música e mais agitados. Há um desse estilo que eu gosto bastante em Covent Garden, área bem central da cidade, irlandês, chamado Porterhouse. Geralmente a partir de quinta rola um rock ao vivo e o cardápio de cerveja é de encher os olhos. São mais de 100 tipos, de todas as partes do mundo e com o mais variado teor alcóolico. Além disso, o Porterhouse tem uma produção de cerveja própria, uma delas chamada Plain Porter, vencedora pela segunda vez do prêmio de melhor cerveja escura do mundo! Para mim sempre é uma boa pedida quando quero tomar uma cerveja, ouvir uma música e sair um pouco do “local”. E pode ser um bom lugar se você está turistando por aqui, já que é bem no centro.

The Porterhouse Covent Garden
21-22 Maiden Lane
Covent Garden
London WC2 E7NA

Tube station: Covent Garden

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O mar não está pra peixe!

10 out

Ontem estava por acaso nos arredores do Big Ben turistando com uma amiga que está de passagem pela cidade, quando nos deparamos com uma manifestação na Westmister Bridge. Até aí nenhuma novidade, afinal, manifestações ocorrem todos os dias, em qualquer parte. Mas como precisávamos atravessar a ponte para seguir o nosso caminho, tivemos que entrar na manifestação e participar dela minimamente.

A manifestação, bem pacífica por sinal, era contra os cortes no Sistema Nacional de Saúde (NHS) – que é público e universal aqui- e pedia a saída do Primeiro Ministro David Cameron. Situando rapidamente a atual conjuntura política inglesa: ano passado David Cameron, do Partido Conservador, assumiu o governo inglês a partir de uma coalizão com o Partido Liberal, já que seu partido não obteve a maioria necessária para governar sozinho.

Na testa do senhor, "NHS" e na placa ao fundo, "He's got to go"

Sob pretexto de conter a crise que assola a Europa inteira, o Estado de bem-estar social está sofrendo duros golpes. Uma série de cortes no orçamento estão afetando a saúde, educação e moradia, o que tem gerado insatisfações.

Ano passado mesmo aconteceu uma série de manifestações estudantis em decorrência da mudança de política em relação à Educação. O ensino superior aqui é pago, mas tinha uma regulação do Estado, que controlava o quanto as universidades podiam cobrar. O governo atual liberou as taxas universitárias, ou seja, as universidades podem cobrar o quanto elas bem entenderem. Embora o sistema de empréstimo seja até bem razoável para os estudantes financiarem sua educação, ronda um temor de que essa nova política limite o acesso ao ensino superior, excluindo aqueles que não tem como pagar as altíssimas taxas.

Fuck the fucking fuckers!

As consequências dessa política conservadora, porém, só serão sentidas daqui a alguns anos. Só mesmo mais à frente poderemos saber o quanto os cortes sociais afetarão o funcionamento da cidade e a qualidade de vida das pessoas. A verdade é que o mar não tá pra peixe para ninguém! Tá cada vez mais difícil o continente europeu sustentar as garantias sociais conquistadas no pós-guerra. A ideia de aliar capitalismo com bem-estar social foi uma saída plausível diante da ameaça do comunismo. Sem ela, o que vimos foi o retorno do capitalismo selvagem, com uma nova roupagem sob forma de políticas neoliberais.

People before profit (pessoas antes do lucro)

Além disso, o fortalecimento dos países do chamado Terceiro Mundo – agora Países em Desenvolvimento – está causando sim algum impacto na política mundial, que ficou menos polarizada entre Europa, EUA e Japão. Acredito que o século XXI vai terminar bem diferente de como ele começou…

Principais Museus de Londres

2 out

Nesse mês nada menos que 6 pessoas passarão pela minha casa. Cada um numa semana, alguns se esbarrando, outros não. Por conta disso, tenho trocado intensos emails “explicativos”, desde os mais burocráticos, relativo aos transportes, quanto os mais turísticos, sobre a cidade e suas atrações. Este post é resultado dessas conversas no privado!

Os maiores e mais importantes museus de Londres são gratuitos. Não pensem que por serem gratuitos são museus “caídos”. Justamente o contrário! São museus enormes, com uma vasta coleção e muito bem conservados! Há muitos turistas, mas também muito morador da cidade. Por serem espaços gratuitos, são lugares para se voltar muitas vezes, nem que seja só para entrar rapidinho, tomar um café e ir ao banheiro (são ótimos, geralmente!). E no inverno, com a impossibilidade de ocupar os espaços ao ar livre, são ótimos locais para se passar o dia. Alguns deles ficam cheios de crianças, há muitas famílias fazendo o programa de domingo neles, como já falei um pouco num post anterior.

Acho um desperdício não aproveitar essa vantagem, não somente por conta da gratuidade, mas pela possibilidade de aproveitar esses museus sem aquele peso do “agora que paguei, tenho que ver tudo!”. Como são bem localizados, em áreas bem turísticas, não custa nada entrar e dar uma conferida, sem compromisso mesmo. Se gostar, fica mais, se não, vê quais são as galerias mais indicadas e tchau. Afinal, nem todo mundo é obrigado a gostar de arte e, se obrigar a fazer todo o circuito, pode ser muito cansativo e chato.

Então vamos aos dito cujos: National Gallery, British Museun, Tate Modern, Science Museun, National History Museun e o Victoria & Albert Museun.

A National Gallery é uma  galeria dedicada à pintura Europeia Ocidental, do século 13 ao 19. São mais de 2300 quadros. O site é bem legal de ser olhado, pois ele indica os 30 quadros imperdíveis, que incluem obras dos famosos Monet, Van Gogh, Cézanne, Da Vinci, Rembrandt, Michelangelo, etc. Pode ser uma boa orientação de como explorar esse museu! Além disso, essa galeria fica na Trafalgar Square, praça turística – onde acontecem vários eventos –  e bem central, perto de Buckinghan, Leicester Square, Covent Garden, áreas que provavelmente serão passadas se você está aqui a turismo. E por que não entrar? Ao lado da National Gallery se encontra a National Portrait Gallery voltada exclusivamente para o retrato de britânicos historicamente importantes. Não sou fã dessa galeria, mas conheço pessoas que amam, pois aquelas pinturas posadas seriam a fotografia da época.

National Gallery

O British Museun  é imperdível para quem adora história. É um dos maiores museus dedicado à história da humanidade, cobrindo todos os continentes. O seu acervo conta com mais de 7 millhões de peças. É um choque quando se chega nele, pois há fontes, portais, estátuas enormes e paredes inteiras de diversas épocas e partes do mundo. Para alguns ele é símbolo do imperialismo e demonstra o quanto a Inglaterra saqueou o mundo inteiro. Inclusive, metade do que sobrou do Parthernon está lá e uma briga é travada desde os anos 80 com as autoridades gregas, que reivindicam essas peças, trazidas entre 1801 e 1805 pelo Lord Elgin. As autoridades gregas questionam a legalidade do direito do British Museun sobre as peças e o British Museun, por sua vez, se recusa a perder esse direito alegando que é um museu dedicado a cultura da humanidade e para a humanidade e, por isso, ele é gratuito, dividindo esse patrimônio cultural com mais de 6 millhões de visitantes que recebe anualmente. O legal é que na parte dedicada à Grécia, há um papel exposto aos visitantes explicando a “briga” e contatos do site do British Museun e do Hellenic Ministry of Culture para você ter acesso aos dois lados da história. Tentando ser breve, nesse museu se pode ver a Rosetta Stone, pedra a partir da qual se pôde decifrar os hieróglifos. A seção das múmias também é sensacional (Egyptian death and afterlife: mummies)

British Museun

Tate Modern é um museu dedicado a arte moderna e contemporânea, localizado na beira do Tâmisa. A área é linda. Em sua frente há a Milleniun Bridge – ponte para pedestre construída para comemorar os anos 2000, que dá na linda e importante catedral St Paul – e ao lado o Shakespeare Globe. Sem contar que a sua estrutura é o máximo, pois esse museu ocupa uma antiga estação de energia e, portanto, tem aquela estrutura de fábrica, com um chaminézão. Adoro esse contraste, de uma estrutura dura de fábrica no exterior e, no interior, um museu de arte moderna! O seu acervo é composto por arte do século XX e é dividido em temas: Poesia e sonho (surrealismo); Material Gesture (expressionismo); Energia e processo (arte povera); Estados de Fluxo (Cubismo, Futurismo, Vorticismo e Pop Art). Tem uma outra Tate em Londres, a Britain, dedicada a arte inglesa, mas a Modern é mais interessante, a não ser que você seja interessado em arte britânica e suas influências, particularmente.

Tate Modern

Vista da varanda do Tate. Ao fundo St Paul e à esquerda a Milleniun Bridge

Alguma obra do Tate - não me lembro o nome do artista!

O Natural History Museun, o Science Museun e o Victoria & Albert Museun (V&A) são três museus localizados em South Kensington, um ao lado do outro. Ficam bem perto do Hyde Park/Kensigton Gardens. Quem for a esses museus, pode aproveitar para ver o Albert Memorial no Kensington Gardens, um monumento super bonito em homenagem ao Príncipe Albert, encomendado pela rainha Victoria em homenagem ao marido falecido (em frente se localiza o Albert Hall, casa de concerto super bonita!)

O Natural History Museun é dedicado à história natural, ou seja, a tudo que se relaciona ao desenvolvimento das espécies e do planeta terra. Se estiver acompanhado de alguma criança, ele é imperdível. A parte dos dinossauros é super atrativa para os pequenos. Aliás, nesse museu e no de ciência você verá muitas crianças, fazendo uma farra só! Eu gosto das galerias dedicadas ao planeta terra!

Natural History Museun

Entrada da parte do Planeta Terra do Natural History Museun

O Science Museun é dedicado à ciência. Ele é bem interativo e também lotado de criança. Ele conta o desenvolvimento da ciência ao longo do tempo em relação a várias áreas, como matemática, aviação, computação, telecomunicação e por aí vai. Eu gosto bastante, acho que é uma boa pedida se você já não aguenta mais ver pintura e escultura pela frente!

Science Museun

Por fim, O V&A Museun é um museu dedicado a arte decorativa, com uma coleção permanente de mais de 4 milhões de objetos. Você encontrará nesse museu um pouco de tudo, roupa, escultura, jóias, tapeçaria, pilastras, tumbas, quadros, mobília de tudo quanto é lugar do mundo. Gosto particularmente da galeria sobre vestuário (como mudamos no modo de nos vestirmos em tão pouco tempo!) e as de jóias (impressionante, há jóias do mundo todo, algumas de antes de Cristo!). Vale a pena dar uma passadinha no café, que é lindíssimo e, se for verão, sentar no jardim interno do museu, onde as pessoas deitam na grama e se refrescam na água da fonte.

V&A Museun

Para mais detalhes, acessem os sites dos museus. Geralmente há  indicações do que é imperdível, importantíssimo para você programar a sua visita, principalmente se você não tem muitos dias na cidade e não pode se dar o luxo de perder horas a fio num museu só. Por curiosidade, olhem a lista de workshops e atividades de entretenimento infantil que acontecem nesses museus. Às vezes há “noitadas”, com DJ e tudo!

Estações de metrô:
– National Gallery: Charing Cross; Leicester Square.
– British Museun: Holborn; Russel Square.
– National History, Science Museun e V&A Museun: South Kensington.
– Tate: St Paul; Southwark.