Arquivo | abril, 2012

Singin’ In The Rain e outros musicais

15 abr

Ja falei nesse post aqui o quanto adoro musicais. E sempre quando recebo visitas é uma ótima desculpa para ver um novo. Como disse antes, sempre há umas furadas, uns musicais com produções fracas, caros e misturados com os grandes e sendo vendidos no mesmo valor. Então, sempre é bom dar uma pesquisada antes de comprar.

Nesse post vou falar sobre os últimos musicais que vi, começando pelo Singin’ in the rain, que vi nessa última sexta-feira. O show me surpreendeu. A peça estreou esse ano, é uma produção nova e está lindíssima. É um espetáculo bem humorado, que faz você sair da peça querendo dançar e pisar em todas as poças de chuva da cidade! E o ritmo da peça é muito bom. Tem uma crescente, a peça vai ganhando força ao longo do tempo. E a cena clássica imortalizada por Gene kelly na qual ele dança e canta feliz na chuva no cinema, não deixa a desejar no teatro. Achei que ia ser uma chuvinha mixuruca, ou falsa, mas não imaginava que ia cair um temporal no palco, com direito a cheirinho de chuva e tudo. Essa cena ganha qualquer um. E a platéia vibra com o musical. Como disse no post anterior, amo o musical Wicked, já vi duas vezes e para mim é um dos mais lindos que assisti. Mas acho que o Singin’ in the rain entrou no páreo sério…

Priscilla foi um outro musical que vi e gostei bastante. Ele não está mais em cartaz em Londres, mas valeu a pena ter ido com meus pais assistir essa peça. Meus pais não falam nada de inglês, então Priscilla foi uma excelente opção, pois as músicas são conhecidas, a peça é divertida e alegre e tem figurino e cenário suntuosos. A peça está em São Paulo agora e eu li que infelizmente ela não poderia ir ao Rio porque não havia teatro que comportasse a sua enorme estrutura. Uma pena! Mas quem estiver em São Paulo, vale a pena conferir!

Chicago foi uma completa decepção. Pesquisei, pesquisei, pesquisei um musical para ir com a minha irmã e errei feio. A peça é chatíssima, cenário parado o tempo todo, os números musicais fracos…acho que foi a pior peça que vi aqui. E não foi só uma percepção minha, as quatro pessoas que estavam comigo não gostaram também.

Ano passado o Fantasma da Ópera completou 25 anos que está em cartaz. Essa peça tem uma legião de fãs no mundo inteiro e pessoas que já assistiram mais de mil vezes esse musical. Quem sou eu para dizer qualquer coisa né? Achei lindo, amo as músicas, mas acho que prefiro as produções novas, em alguns momentos me cansou um pouco e achei meio brega…hahahha…podem me matar!!!!

Mágico de Oz foi outro musical que vi e gostei. Adoro a história, as músicas e o cenário está lindíssimo, parece pintura. Mas ainda sim prefiro o lado B da história, contada em Wicked pela bruxa verde do Oeste.

The Mousetrap é uma peça que está em cartaz no West End há 60 anos! Não é exatamente um musical, mas sim uma peça da Agatha Christie. Quem é leitor da Agatha Christie sabe que a peça gira em torno de um assassinato e o suspense sobre quem é o assassino fica no ar até o último minuto. A cada momento desconfiamos de alguém e o final sempre é surpreendente (ninguém que estava comigo acertou quem era o assassino). Mas como é uma peça e o foco está no texto, só vale a pena ir quem entende inglês. Caso contrário, é melhor ir a um musical, pois tem outros recursos para entreter, como as danças, músicas e cenários.

Para comprar os ingressos, eu sempre olho o site http://www.lastminute.com/ para pesquisar as promoções ou compro em alguma das lojas da Leiceister Square que oferecem ingressos com desconto para o dia da peça. Gosto da loja Tckts, que fica bem no meio da praça.

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Paris, mon amour!

2 abr

Paris é uma daquelas cidades que dispensa maiores apresentações. Acho que deve ser a cidade mais turística do mundo, de repente não em volume de turista, mas em divulgação. Quantos filmes, livros não tiveram como palco a Cidade da Luz? Paris habita no imaginário mundial como a cidade do romantismo, do amor, da poesia, do refinamento, da arte…então ir à Paris pela primeira vez foi estranho. Tive a sensação de déjà vu, parecia realmente que estava apenas reencontrando aqueles monumentos e ruas que vi tantas vezes em fotos e em filmes, e não sendo apresentada pela primeira vez à cidade.

Parafraseando uma amiga minha, a Julinha, Paris é o melhor clichê do mundo. Adorei passear pelo Sena, assistir o pôr-do-sol na Sacre Coeur, avistar a Notre Dame, ver a torre Eiffel de muitos ângulos, me impressionar com o tamanho dos Arcos do Triunfo, amar o jardim do Rodin, ver as padarias com filas e um bando de franceses carregando o seu vício – o pão -, as lojinhas de queijos e de vinhos, os muitos bistrôs, as barracaquinhas de crepe com nutela, etc.

Pont des arts

Paris é monumental, claramente uma cidade planejada, com vias largas e edifícios gigantes e suntuosos. Londres é apertada, bem industrial mesmo e isso me chamou a atenção, os espaços. Londres é dos parques (que no passado eram locais de caça), então são mais rústico e grandes. Paris é das praças e jardins, com aquelas cadeirinhas, chafarizes e estátuas. E lá eu entendi perfeitamente a expressão “ver a moda passar”. As mesas dos cafés ficam todas alinhadas voltadas para a rua, parecendo uma arquibancada, uma fila de cinema, e o pedestre é o filme, a atração, a moda passando…

Jardim de Tuileries


Ficamos pouco tempo na cidade, apenas um fim de semana prolongado, o que é bem pouco se você quiser visitar todas as atrações da cidade, que são inesgotáveis. Geralmente, todo munda fala que se você não tiver muitos dias em Paris, para não entrar no Louvre. Mas eu não queria deixar de entrar num dos maiores museus do mundo de jeito algum. E foi tão simples de entrar. Chegamos lá na hora sem ingresso e esperamos somente 10 minutos para acessá-lo. E valeu muio a pena. De fora, o Louvre já impressiona, pelo tamanho do prédio. O Louvre é o maior palácio da Europa e o segundo maior prédio do continente em área construída (perde para um da Romênia). O valor do ticket é bem honesto, 10 euros, comparando com os museus de Florença e Barcelona, que são bem carinhos. Reservamos o domingo chuvoso para passar lá dentro. O próprio museu fornece um folheto informativo indicando as obras mais importantes.

Louvre

Louvre

O encontro com a Monalisa foi desconfortante. É chocante ver a multidão que se aglomera ao redor do quadro para tirar uma foto com ela. Nem estou dizendo que ela não merece, pois realmente não entendo de arte a ponto de dizer sobre seu valor artístico. Mas com certeza deve ter um contexto histórico que a fez ficar tão famosa. Uma amiga me disse que ela sempre foi famosa, mas ficou bem mais depois que foi roubada do Louvre. Mas ver os outros quadros abandonadinhos e a Monalisa como a pop star do museu me incomodou. Obviamente eu garanti também a minha foto com a Monalisa, por via da dúvidas, como a massa, mas não há como negar que a Monalisa é um produto. A gente tira foto dela antes mesmo de tentar vê-la e apreciá-la enquanto objeto de arte. E aí vem aquela história recorrente sobre o que é arte, quem determina se uma coisa é arte ou não, a passividade do espectador diante da obra, como determinar o valor que uma obra tem, quem determina isso…e por aí vai.

Monalisa pop star

Bairro que eu adorei foi Montmartre, onde se localiza a lindíssima Sacre Coeur. Fomos para lá ver o pôr-do-sol e Paris de cima. Tinha uma multidão de turistas lá na escadaria fazendo o mesmo, e rolou até um Michel Teló, para acabar com todo o glamour Parisiense, mas tudo bem.;) Estávamos na casa de uns amigos que moram em Paris e a minha amiga se encontrou com a gente lá para fazermos um happy hour num “pé-sujo” de vinhos, tudo que queríamos e precisávamos depois de um dia intenso de andanças. Na frente, é uma loja de vinhos e nos fundos tem umas poucas mesas, um balcão e um banheiro precário. Como não precisamos mais do que isso mesmo, tomamos uns bons vinhos lá e comemos frios e queijos deliciosos num preço camarada. O local se chama La Cave des Abbesses, em Montmartre mesmo.

Basílica de Sacre Coeur

No mesmo dia, esticamos num bar bem legal em Belleville, bairro onde abriga uma grande comunidade chinesa. Este bairro fica no 20 arrondissement, não é perto do Centro e pesquisando para escrever este post, descobri que foi nesse bairro que Edith Piaf nasceu e que o bairro é um pouco estigmatizado por ser no passado uma área de imigrantes e pobre da cidade. Atualmente, ele está virando um bairro cool, já que artistas de todos os tipos tem se mudado para lá, em busca de preços menos inflacionados e também por conta da diversidade do local. Achei essa reportagem da revista Boa Viagem bem interessante sobre o bairro. Nela, quem tiver interesse, se pode encontrar informações mais detalhadas:  http://oglobo.globo.com/boa-viagem/cores-do-mundo-nas-ruas-de-belleville-bairro-de-edith-piaf-4105791 (pena que encontrei essa reportagem depois, pois fiquei com muita vontade de explorar o bairro melhor). Enfim, fomos a um bar bem interessante lá chamado Mon café chérie. O bar era aberto, com mesas do lado de fora e pessoas em pé papeando, e dentro rolava um DJ excelente, tocando músicas alternativas. Nada como estar com “nativos” para conhecer esse lugareszinhos.

Mon Café Chérri

Ficamos hospedados na Bastille – quem não lembra da “Queda da Bastilha”, um dos eventos que marca o início da Revolução Francesa que somos obrigados a estudar em História? – sim, é ela, antes prisão, hoje uma praça. Pegamos uma manifestação da esquerda lá (claro!). Parece que o SarKozy está com um discurso bem radical, se aproximando da extrema direita para angariar votos. Isso é motivo de preocupação para os imigrantes do país, que provavelmente sofrerão com a plataforma de governo conservadora e o temor de que a França caminhe para um ‘fascismo’ é crescente. Li essa coluna outro dia que apresenta um olhar sobre a situação política atual francesa: http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/03/17/xenofobia-o-grande-mal-da-franca-e-porque-o-brasil-deve-tomar-cuidado/

Na praça da Bastille

Bem, para completar toda a experiência intensa que tivemos no fim de semana prolongado, ainda fomos recebidos maravilhosamente bem pelo super casal gênio, que tornou a nossa viagem muito melhor!

Casal gênio.

Momento Marilyn em frente ao Molin Rouge.

Para quem está em Londres, vale a pena dar uma olhada no site da Eurostar. O trem liga o centro de Londres ao centro de Paris em apenas 2h15min. É muito conveniente, já que aeroportos geralmente são mais afastados do centro e sempre se perde tempo e dinheiro para acessá-los, sem contar toda aquela burocracia de aeroporto (segurança, check-in, etc). Sempre tem promoção, pegamos uma na qual os tickets estavam custando apenas 59 libras ida e volta!!!