Archive | Gravidez RSS feed for this section

A amamentação em terras estrangeiras

21 fev

Morar em outro país é lidar a todo momento com estranhamentos. Assim que engravidei e procurei o sistema de saúde daqui e comecei o pré-natal, sempre me perguntavam: “Você pretende amamentar?”. Eu achava a pergunta mais sem sentido a ser perguntada e respondia sempre, sem titubear, “Claro!”. Na minha cabeça, isso nunca foi uma opção e, sim, algo óbvio e natural. Pois é, mas aqui é diferente. Amamentar é opção sim e muitas optam por dar fórmula desde a maternidade ou combinar leite de peito com fórmula.

Não amamentar aqui não é nenhum absurdo e não há pressão social para que o faça, embora a política oficial do sistema de saúde é a de incentivar o aleitamento materno. Nas aulinhas do pré-natal, houve uma aula só para falar dos benefícios da amamentação para a mãe e bebê, apelando para a estética (“amamentar emagrece”) e para a economia doméstica (“Não custa nada”). Há, ainda, depois do nascimento, muitos grupos de apoio à amamentação nos centros sociais e postos de saúdes locais.

Segundo dados do NHS (National Health System ), divulgados em 2012, no nascimento, 81% das mães estão amamentando no Reino Unido. No entanto, aos 6 meses, apenas 1% estão amamentando exclusivamente (relatório completo aqui). Resumindo, se vê muito pouco peito para fora nas ruas aqui e a sensação é de que você é a única que amamenta na cidade!

Antes, achava que era o frio, que as mães tiravam o leite na bomba para facilitar e não pegar uma pneumonia na rua. Mas, depois, prestando mais atenção e lendo, vi que há outros motivos para a não amamentação.

Londres tem uma população de 37% de residentes nascidos fora do Reino Unido (Censo de 2011). Ou seja, é  muita gente de todo o mundo, de culturas diversas, que vem para cá sem suporte algum familiar. E, mesmos os britânicos que moram  aqui, muitos não são de Londres, mas de outras partes do Reino Unido. Sendo assim, sem suporte, tendo que trabalhar, cozinhar, lavar, passar, ir ao mercado e se virar em 1000, a mamadeira se torna a opção mais prática. Enquanto se faz mercado, enquanto se anda de ônibus, enquanto se circula pela cidade e leva vento e chuva na cara, é só dar a mamadeira para o bebê no carrinho e a vida continua, porque aqui, desde o nascimento, os bebês estão na rua em todos os lugares. A vida não pára mesmo por conta da chegada de uma criança.

Tem, também, é claro, o desejo da mulher em retornar logo à sua vida e dividir a tarefa da alimentação do bebê com o parceiro ou terceiros para manter a sua independência desde o começo. E isso não é visto como nenhum absurdo. Enfim, acho que cada um sabe o que funciona melhor em sua dinâmica familiar!

Mas acho que o que mais me chocou foi a constatação de que há uma vergonha de amamentar em público e que isso influencia na não amamentação. Recebi vários folhetos do sistema de saúde “Ninguém pode te discriminar por amamentar em público” e li reportagens e campanhas com relatos de mães que se sentiam tão constrangidas de amamentar em público, que iam para o banheiro!

Super concordo com as campanhas de mães que se recusam a ter seus seios, que amamentam um filho, sexualizados a ponto tal de constranger as pessoas ao redor. Acho muita hipocrisia, ainda mais nas sociedades ocidentais, onde a nudez é estampada em nossa cara  todos os dias…

Eu, particularmente, banquei a amamentação em público. Não vou dizer que não me sinto constrangida, mas respiro fundo e banco, pois queria muito amamentar exclusivamente. Mas vi a diferença quando estive no Brasil, onde se amamenta muito mais livremente e sem paranóias. Aqui, sempre busco, na medida do possível, estar em áreas mais “baby friendly”. Porém, como amamentar no seio é muito imprevisível, já tive que dar de mama em locais nada amigáveis, como no metrô. Foi estranho, não achei naaada legal, mas sobrevivi! Aliás, venho sobrevivendo…rs…

Na verdade, o que me deu coragem, foi ver que há mães sim amamentando aqui, mas é muito mais discreto. Quando o Tom começou a natação, com 1 mês e meio, vi que haviam várias mães amamentando lá, o que deu um alívio do tipo “que bom, não sou a única!”. E, depois, frequentando as atividades para bebês no centro social do meu bairro e observando mais ao meu redor, vejo várias mães fazendo o mesmo, o que dá um conforto.

Aqui, se usa muito uma espécie de veste para a amamentação, como essa aqui, o que é excelente para se ter mais privacidade. Eu acabei não comprando, mas acho que me facilitaria a vida, de repente.

Cartaz apoiando a amamentação num café. Só em um cartaz avisando que pode, já demonstra o quão não é natural amamentar em espaços públicos

Cartaz no café do Holland Park apoiando a amamentação. Só em ter um cartaz avisando que pode, já demonstra o quão não é natural amamentar em espaços públicos!

20140216_101758

Alguns links sobre a questão da vergonha e o amamentar:

– vídeo que se tornou viral da poeta britânica Hollie McNish: 

– texto comentando a questão e mostrando outros casos: http://www.huffingtonpost.ca/2013/07/05/hollie-mcnish-breastfeeding_n_3552062.html#slide=719508

O pós-parto no NHS

12 nov

Bem, acho que a série “como ter bebê no UK e no sistema público” está quase chegando ao fim. Mas ficaria faltando se não falasse sobre o acompanhamento pós-parto.

Aqui, como já disse, você não tem acesso ao especialista logo de cara. A porta de entrada é o GP (General Practice – tipo um posto de saúde), que tem médicos generalistas, enfermeiros e outros agentes de sáude, que, conforme a necessidade, encaminham para especialistas, geralmente localizados em hospitais.

Então, não rola do bebê ter um pediatra para quem ligar. É meio desesperador pensando assim, de não ter uma pessoa específica acompanhando o seu bebê desde o nascimento, mas por enquanto tem tudo corrido bem.

Assim que você sai do hospital, uma midwife (parteira aqui é uma profissão!) passa a ir na sua casa para acompanhar você e o bebê. Eu recebi a primeira visita no meu primeiro dia em casa. Essas visitas tem como objetivo pesar o bebê, acompanhar a amamentação e, no meu caso, a minha cirurgia. Além das midwives comunitárias (elas são vinculadas a um hospital e atendem na comunidade no primeiro mês de vida do bebê), recebemos visitas também de um health visitor, que é tipo um agente de saúde, que acompanha a vacinação, as condições de moradia da pessoa e o grau de vulnerabilidade dela, se o bebê está indo ao GP, se está ganhando peso, se a mãe está em depressão, etc.

Além dessas visitas, até os 2 meses, tinha que ir no “baby clinic” do GP de 2 em 2 semanas para o bebê ser checado. Agora, preciso ir uma vez no mês. Essas consultas não são necessariamente com o médico. Já fomos atendidos por médico, enfermeiro e agente de saúde. Cada vez é uma pessoa.

E a orientação é a mesma, qualquer problema, o GP é referência, a não ser em caso de uma emergência, que são os hospitais que atendem. (Há inclusive um guia para saber quando é para levar o bebê para uma emergência num hospital e quando é para chamar uma ambulância).

A angústia maior dos brasileiros com plano de saúde no Brasil  é não ter acesso direto ao especialista, que é o de praxe no Brasil (“estou com uma dor no estômago, vou a um gastro”). Eu mesma mantive o meu plano brasileiro para poder, quando estou no Brasil, fazer um check-up geral e escolher as especialidades que julgo necessário ter acompanhamento. Mas, para ter um sistema que funcione satisfatoriamente bem para todos, não tem como sustentar esse sistema onde todos vêem um especialista! Só mesmo na esfera do privado.

Há muitas reclamações aqui com o NHS, mas não deixo de aplaudir ainda sim um sistema no qual a maioria consegue fazer uso de verdade.

Bem, estou aprendendo a confiar e, por enquanto, acho que está tudo funcionando muito bem. Vamos ver até as primeiras doencinhas aparecerem se continuo feliz e calma com o sistema público…;)

O parto no NHS

1 out

Durante a gravidez, fiz vários posts sobre o pré-natal daqui. E agora chegou a vez de contar como foi o “desfecho” final. Fiquem tranquilos que os pouparei dos detalhes sórdidos (hahaha).  A ideia de compartilhar a experiência vem mais porque sei que muitos brasileiros que resolvem ter filho aqui ficam super preocupados sobre como será o parto num sistema de saúde estrangeiro e público, com uma filosofia bem diferente da brasileira.

A gente ouve muitas histórias sobre o parto vinda de brasileiros, como por exemplo, “fulana foi ao hospital 3 vezes e voltou”, “ficou 2 dias em trabalho de parto”, “eles não fazem cesária, deixam para o último minuto”, etc.  Essas histórias, é claro, apavoram sim, alguns até optam em voltar ao Brasil para ter o bebê. No meu caso, desde o começo, descartei a opção de uma volta. A nossa vida é aqui, não fazia sentido mudar tudo por conta da chegada do bebê, a não ser que achássemos, ao longo do pré-natal, que eu não estava recebendo o cuidado devido, o que não foi o caso (Há somente uma maternidade totalmente privada no Reino Unido, localizada em Londres, no Portland Hospital. Olhem o website aqui para informações e sintam o nível da “facada”).

Para começar a responder às perguntas, sim, fui ao hospital 3 vezes durante o trabalho de parto e voltei duas vezes para casa; sim, fiquei 43 horas em trabalho de parto, 30 e poucas horas com a bolsa rompida; sim, no fim do processo não consegui ter o parto normal e tive que ser submetida a uma cesariana.

O cenário parece terrível, mas na verdade não foi isso tudo. Quem estava acompanhando no Brasil o meu trabalho de parto, estava revoltado, achando que eu estava numa maca sofrendo horrores, sem cuidado e atenção, jogada num canto displicentemente…

E foi justamente o contrário! O atendimento que recebi do hospital foi excelente desde o começo do processo. Só que, certamente, é uma outra forma de proceder e eu estava preparada para isso, para esperar o parto normal acontecer e também para uma cesariana, caso as coisas não evoluíssem devidamente. Sabia que a cesária não seria me oferecida antes do parto normal ser tentado, então não houve traumas, até porque ele poderia ter acontecido (na enfermaria, no pós-operatório, conheci várias mães que tiveram normal e ficaram 2/3 dias em trabalho e estavam lá ótimas, em observação por tempo mínimo e dando “cambalhotas” de tão bem, dando um banho nas operadas!).

As contrações começaram meia-noite e meia de domingo para segunda. Como elas estavam irregulares, num intervalo de meia em meia hora, resolvi seguir o conselho que havia recebido durante a gravidez e tentar dormir. E nem avisei nada a ninguém. Por volta das 3 da manhã, elas estavam mais frequentes, de 15 em 15 minutos, mas ainda irregulares, umas chegavam a 1 minuto, mas outras não. No meio da noite, avisei ao maridão que naquele dia nasceria o nosso bebê, mal sabia eu que ele nasceria mesmo só na terça-feira às 19h30! Às 6 da manhã a minha bolsa estourou. Liguei para o hospital, ainda em dúvida se tinha estourado mesmo pois não foi algo claro, e eles me pediram para eu ir lá checar.

Fui tranquila, de metrô, andando calmamente e aproveitando o belo dia de sol. Chegando lá me foi dito que a minha bolsa estava estourada mesmo e que meu parto deveria evoluir em 24 horas, caso contrário, eu teria que me internar às 6 da manhã do dia seguinte para eles me monitorarem e induzirem meu parto. Até lá, eu deveria voltar para casa, relaxar, ir a um parque, almoçar, tomar uma taça de vinho, ou seja, ficar ao máximo tranquila para que o trabalho de parto evoluísse nessas 24 horas (Nesse momento, a galera brasileira que estava acompanhando de longe estava já chocada, afinal, como liberaram uma grávida com a bolsa estourada? ). É claro que estava com todas as orientações para que se algo mudasse para correr para lá, ou ligar imediatamente. Como estou a 15 minutos do hospital de táxi e com canal de comunicação direto com o hospital, relaxei e fomos embora.

Voltamos de metrô, caminhando calmamente (é impressionante como andar diminui a dor!) e jogando conversa fora sobre a vida, o futuro próximo, o passado.  Chegando em casa, seguimos o conselho do hospital. Fomos almoçar num restaurante italiano com a família, abrimos um vinho para celebrar a vinda próxima do Tom, depois vimos um filme juntos, sempre respirando a cada contração e tentando mentalizar que em breve o nosso bebê estaria conosco.

Por volta de meia noite, de segunda para terça, as dores estavam bem intensas, de 5 em 5 minutos. Como estava em dúvida se estava na hora de ir, liguei para o hospital e eles me pediram para ir lá, pois na dúvida, era melhor checar. O problema é que elas estavam irregulares quanto a intensidade, estavam de 5 em 5 minutos, mas umas duravam 1 minuto e outras 20 segundos. Enfim, não estava na hora ainda! Eles não poderiam ainda me oferecer uma suite, pois eu ainda não estava em trabalho de parto ativo. Poderia ficar lá na triagem, mas fui recomendada a voltar para casa, se quisesse, para ficar mais confortável. E foi melhor mesmo! Nessa madrugada já estava sentindo muita dor e passei a noite na banheira com água quente. Santo remédio, as dores ficam bem melhores e eu consegui sobreviver a elas.

Como nada aconteceu, às 6 da manhã de terça, 24 horas de bolsa rompida, voltei ao hospital para ser internada e começar a indução, que começa menos invasiva (mecânica, gel) até a mais invasiva, que é a aplicação de ocitocina sintética (nada é feito autoritariamente, tudo é consultado e você tem, na medida do possível, autonomia para decidir o que quer) . Enfim, passei  a manhã e a tarde, já devidamente acomodada e com todo o cuidado e monitoramento possível por uma equipe de médicos e midwives, esperando o parto normal acontecer. Mesmo sendo induzida, não consegui dilatar. Por volta de 7 da noite, com 30 e poucas horas de bolsa rompida, eu comecei a ter febre. Nesse momento, a equipe se reuniu e optou pela cesária. Me disseram que eu não estava em risco e nem o bebê, que podiam esperar mais 2 horas para ver se a minha dilatação evoluía. Mas nesse momento, já exausta das duas noites sem dormir, com medo da febre e sem muitas esperanças de que de 5 de dilatação eu fosse para 10 em duas horas, optei por não esperar mais.

E Tom veio ao mundo de cesariana, com 57cm e 3,950kg. Confesso que fiquei um pouco frustrada por não ter conseguido o parto normal. Se ele tivesse acontecido naquela terça-feira estaria tudo zerado e esquecido. Realmente não achei uma coisa do outro mundo não. É uma dor misturada com amor. Quanto menos espaçadas e mais fortes as contrações ficam, você sabe que mais próximo o seu bebê está de você e é muito bom saber que você o está ajudando a vir ver a luz, a nascer. Sinceramente, o pior foi ter que ser submetida a uma cirurgia de abdômen depois disso tudo e ter que conviver com o pós operatório com um recém-nascido nos braços (não há berçário, desde o primeiro minuto o bebê vai para o seu braço, operada ou não).

Mas a verdade é que quando estamos lá, no momento fatídico, só queremos ter o nosso filho nos braços. Não importa por onde e como ele saia, desde que saia, até pelo ouvido tá valendo!!! ♥

Uma manhã qualquer no metrô de Londres, menos para mim!

Uma manhã qualquer no metrô de Londres, menos para mim!

Família reunida na alegria e na contração! rs

Família reunida na alegria e na contração! rs

A melhor dor do mundo!

A dor que vale a pena!

E ele chegou!

E ele chegou, nos mostrando um amor maior, desconhecido, grandão, que chega a fazer o peito doer e que faz rir e chorar na mesma fração de segundo!

* Para confiar nesse modelo, realmente é necessário ter uma rede de amparo por trás. E eles confiam no sistema deles. Territorialização dos serviços, que colocam postos e hospitais perto de você, e sistema de comunicação e informação fortíssimos te dão a segurança de que no caso de qualquer problema você terá uma resposta rápida e eficiente. Desde o pré-natal fiquei impressionada como os serviços são integrados. Sendo atendida no GP ou no hospital, todas as informações estavam no sistema. Recebia mensagem de texto me lembrando das consultas, cartas com feedback dos resultados dos exames e ligações, caso tivesse que fazer algo mais específico. Além disso, o meu hospital disponibilizava uma “midwife virtual”, para responder perguntas não emergenciais através de email, página no facebook e twitter. Eu usei e funcionou (estava com dúvida sobre a autorização de viagem de avião no sétimo mês e sobre quando fazer exame tal, e sempre fui respondida prontamente!). Nunca tive como referência um médico, uma midwife, mas estava conectada a uma rede, equipe, 24 horas, que me “respondia” a cada demanda. Tentava pensar que o sistema de saúde aqui é referência e se o modelo deles fosse falho, as taxas de mortalidade e índice de problemas relacionado a partos seria alto, o que não é o caso.

** Falhas há, é claro, o NHS tá bem longe de ser perfeito e, dependendo do sue problema, ele é generalista demais, mas acho que para um sistema público e único, a experiência foi muito positiva, tanto em atendimento quanto em estrutura.

*** A qualidade do serviço do NHS varia de área para área. Não dá para generalizar. Essa foi a experiência que tive e, com certeza, há outros relatos, bom e ruins, por aí.

**** Acesse o site do NHS relacionado a gravidez e maternagem. Lá você encontra todas as informações oficiais sobre os cuidados no antes, durante e depois da gravidez. Tem muita informação de boa qualidade, além de você ir se familiarizando com o sistema. Lá você encontra todo o passo-a-passo. Link: http://www.nhs.uk/Conditions/pregnancy-and-baby/pages/pregnancy-and-baby-care.aspx#close

Esperando o Tom Tom…

5 ago

Meu filho,

Em muito breve você estará conosco e desde já sonhamos com você. Passamos noites e noites sonhando com o seu rostinho e imaginando se você será branquinho como a mamãe, com a cara em formato de lua, ou moreninho como o papai, com cabelos e olhos escuros como a noite.

Você nascerá num país diferente do qual a mamãe e papai nasceram e foram criados.  Aqui se fala inglês, língua que papai e a mamãe ainda penam para dominar e se cansam de falar, porque nada melhor do que se expressar na sua língua nativa! Para você, o inglês não será um desafio, pois será a sua língua, mas sim o português, que lutaremos para você adotar, gostar e falar…

O seu referencial cultural será outro. E isso assusta os papais, pois viemos de um outro mundo. Será que nos entenderemos, falaremos a mesma língua?

Mamãe cresceu ouvindo as histórias do Saci Pererê e da Mula sem Cabeça. Quando o vovô da mamãe a ninava (seu biso Hélio, que infelizmente já está morando com as estrelas), ele cantava “Boi da Cara Preta” e a mamãe dormia rapidinho com medo do boi a pegar. Mamãe gostava de fazer barcos de papel e jogar nos valões de São Gonçalo, enquanto esperava a sua vovó na casa da bisa. Ficava impressionada como havia girinos, que pensava ser filhotinhos de peixes, naquele mar de sujeira!  Mamãe sempre adorou carnaval, o papai da mamãe, seu vovô, a levava na Rio Branco para pular Carnaval ou no clube Tamoio, em São Gonçalo, desde pequenina para jogar confete e serpentina nos amiguinhos. Mamãe também adorava se vestir de Pai João, e sair em bando com os amigos assustando as pessoas.  Mamãe também ia à praia com os primos, e levávamos sacolé ou picolé do China, no isopor (ovo cozido também, mas isso é “farofa” demais, não conte a ninguém!). O Papai da mamãe nos levava para pescar na praia das pedrinhas e sempre era uma festa quando conseguíamos capturar um caranguejo em meio àquela lama. Mamãe colocava os sapatinhos na janela para esperar Papai Noel e ele sempre chegou! Mamãe dançou muita quadrilha e olhou muito o céu cheio de balões no dia de São João. E foi também acordada com os fogos de São Jorge e ficou maravilhada com as histórias de Iemanjá, contada em Mar Morto, do Jorge Amado, primeiro livro que a mamãe leu de “adulto”, indicação do vovô da mamãe.

Mamãe sempre teve muitos primos. Mamãe brigava,  brincava e viajava também com eles! Você não terá os primos por perto, a praia, as festividades tradicionais, o folclore, o carnaval…não terá o calor e muito menos poderá ficar só de short o dia inteiro se lambujando em sacolés…

Mas você terá um outro mundo pela frente, tão rico quanto, que nem mamãe entende muito bem ainda, mas que desbravaremos juntos!

Por você, me tornarei o máximo inglesa que uma mãe brasileira possa ser. Tomarei chá com leite nas noites frias, farei cupcakes para as suas festinhas, te deixarei comer fish and chips, frequentaremos o pub local para comer um Sunday Roast e ler o jornal de domingo juntos e, de vez em quando, tomaremos um English Breakfast bem gorduroso. Só de vez em quando! Farei paquecas no Pancake Day e abotoarei uma rosa na camisa em memórias dos mortos de guerra no Remenbrance Day. Desconsiderarei o tempo cinza e iremos brincar no parque assim mesmo, passaremos o dia no museu conhecendo a história do mundo, viajaremos para o countryside nas férias e me esforçarei para entender as regras de rugby, tênis e netball. De repente aprendo até a cantar o hino da Inglaterra todo, para te ensinar. Vou tentar, também, não me chocar com a independência européia e te deixar ir quando chegar a hora da universidade, sem chorar (essa parte estou prometendo de dedos cruzados!).

Mas não se esqueça que o sangue que corre em suas veias é latino, nunca se envergonhe do Brasil, onde estão todas as suas raízes – primos, tios, avós, bisavós. E que o português soe como canção para você e que você entenda a potência das palavras “eu te amo” e  “saudade”, tão presentes no nosso vocabulário familiar. E que você ame o Brasil, pois assim, estará amando também o que o papai e a mamãe são!

Desenho Tom 2

O pré-natal no NHS: as aulas

15 jul

No mês de junho, participamos das aulas de pré-natal oferecidas pelo hospital onde estou fazendo o meu acompanhamento. Confesso que no início achei que seriam aquelas aulas para os pais ficarem amigos ou para ensinar a trocar fraldas ou a dar banho, cheias de blá blá blá. Nada contra, mas não estava muito animada não.

Mas práticos como são, no primeiro dia eles já avisaram que essas coisas a gente ia esquecer tudo e só ia aprender na prática e, por isso, iam logo direto aos pontos essenciais para podermos escolher o nosso parto e estar a par sobre como proceder no grande dia e depois também.

As aulas eram às terças-feiras no meio da tarde e me surpreendeu a quantidade de parceiros presentes. Quase todas as futuras mães estavam com seus companheiros, o que é bem legal, pois eles são atores importantes antes, durante e depois do parto e também receberam dicas sobre qual o seu papel nesse processo.

Enfim, a primeira aula foi sobre o reconhecimento dos sinais do trabalho de parto. Aqui você ouve muitas histórias de brasileiros chocados porque foram para o hospital e os mandaram retornar para casa, não só uma, mas duas vezes. E eles disseram que mandam voltar mesmo! Na verdade, o que eles acreditam é que você passando o primeiro estágio do parto em casa é muito mais confortável para a mãe. Eles recomendam ver um filme, almoçar, tomar um banho, dar uma volta e não se desesperar e sair correndo para o hospital, pois o processo é demorado mesmo e ficar numa cama, preso num hospital só bloqueará o desenvolvimento do trabalho de parto. Há exceções, é claro, se houver sangramento, se a bolsa estourar, aí sim tem que ir para o hospital direto. Caso contrário, eles recomendam ir para o hospital só quando as contrações tiverem de 3-4 minutos, durando 1 minuto!

Fizemos um tour pela maternidade e ela é separada por setores. Há a triagem, para avaliar quem já está na hora de ir para um quarto para começar o acompanhamento do trabalho de parto. E, caso esteja preparada, há três alas para seguir. Uma chamada Birth Centre, que é aquela para as mães que querem tentar parto natural, sem epidural. Os quartos são providos de piscina, banheira, aromoterapia, doulas e são as midwives (parteiras) que ficam o tempo inteiro acompanhando o processo. A outra ala é chamada Labour Ward, para aquelas mães que querem tomar a epidural e, portanto, requer uma presença médica. Mas, mesmo assim, as midwives estão presentes acompanhando todo o processo. E o centro cirúrgico, para os casos de cesária agendada ou de emergência, totalmente “médico”.

Eles disseram que depois que você vai para o quarto, demora, mais ou menos, em média, 12 horas até o bebê nascer. Pode ser que seja mais 6 ou 18 horas, não é regra. Bem, o bebê fica com você o tempo todo, a não ser que ele precise de ir para a UTI. Ele nasce, vai para o seu peito e depois eles cortam o cordão. Aí você fica no quarto individual mais 1 hora, para tomar um banho, e depois é transferida para a enfermaria, onde todas as outras mães estão com seus parceiros e bebês. Se o parto for normal e sem complicações, 6 horas depois você já pode ir embora (cesária é diferente, fica mais tempo).

Não tem aquela coisa que tem no Brasil, de um vidro onde as pessoas veem o bebê. Eles recomendam as famílias esperarem em casa. Visitamos o local e realmente não há condições para visitas. É tudo muito pre-programado para funcionar para todos e não há espaço para hotelaria, visitas e confusão no hospital. A ala comunitária estava cheia e confusa por si só, com as mães, os pais e os bebês. Imagina um monte de visitante lá??? (Se tiver que ficar mais tempo no hospital, por conta de alguma complicação, pode ter visitas, mas é limitado também!)

A segunda aula foi sobre os anestésicos que o hospital dispõe e os prós e contras de cada um deles. Esse tópico é super importante para as mães saberem quando podem pedir certos anestésicos e o que estão pedindo. Eles não recomendam de antemão nada, dizem que as experiências são muito pessoais e isso é uma escolha nossa mesmo. Eles dizem que na hora eles podem recomendar um anestésico ou outro, se verem que a  grávida está num nível de tensão tão grande que não deixa o parto fluir.

A terceira aula foi sobre as complicações. Falaram, principalmente, da cesária, que aqui é vista como um caso extremo e às vezes é renegada por algumas mães, que sofrem por ter que fazê-la. Embora eles digam para planejar o seu dia e que o normal é que o bebê venha naturalmente, pois somos programadas para isso, temos que estar aberta para possíveis imprevistos e complicações e aceitar que durante o dia as coisas não sairão como sonhado e planejado.

Aqui eles esperam até a 42 semana. Na 41 semana, eles planejam a indução e começam a fazê-la as poucos, ao longo da semana. O último recurso é a ocitocina, processo iniciado na 41 semana e 5 dias. Eles dizem que tentam outros métodos antes, pois a ocitocina é muito agressiva e dolorosa, já que promove contrações artificiais. Fiquei surpresa quando eles falaram que cordão enrolado no pescoço não é indicação de cesária, pode estar até com duas voltas, que não impede o bebê de vir naturalmente. Sempre achei que não podia…

A última aula foi sobre amamentação, um ponto problemático aqui na Inglaterra. Aqui muitas mães escolhem de cara não amamentar ou não amamentam exclusivamente nos primeiros 6 meses. Eu sempre fico chocada quando, no sistema de saúde, me perguntam se pretendo amamentar. Na minha cabeça, não havia escolha, sempre achei uma pergunta óbvia, mas aqui não é. Alguns fatores estão associados a isso; primeiro, há uma vergonha de amamentar em público, várias mães se sentem constrangidas e amamentam escondido no banheiro e, segundo, pelo menos em Londres, por conta da vida mais prática e solitária dos moradores da cidade. Muitas mães tem filhos aqui sem suporte familiar algum, só do parceiro, pois as famílias moram do outro lado do mundo ou em outras cidade da Inglaterra. E tendo, desde a primeira semana, que cozinhar, lavar, passar e fazer mercado com um bebê recém-nascido, acaba-se optando pela praticidade e as fórmulas, já que aqui também não é comum se ter empregadas domésticas…

Nesse dia foi só para ensinar a forma correta de se amamentar, o que fazer se empedrar, como retirar o leite e o tanto de benefício para a mãe e bebê, tudo para estimular as mães a aderirem. Fomos informadas, que depois que saírmos do hospital, passaremos a receber visitas em casa de uma midwife comunitária ou de um health visitor (agente de saúde),  que acompanharão o crescimento do bebê, a amamentação e qualquer outra questão que envolva o cuidado dele nos primeiros meses (não sei a frequência e duração dessas visitas ainda…).

Finalizando, eu recomendo quem é de fora, e não está familiarizado com o sistema de saúde daqui, a participar dessas aulas. Para mim, foi fundamental saber exatamente como proceder e o que me espera. Informação não faltou!

Saímos de lá confiantes, eles passam segurança e encaram com muita naturalidade o parto. Numa das aulas, falaram “Gente, é o dia do nascimento do seu filho! Que dia importante! Se quiserem tomar no café da manhã um bolo com champanhe, fiquem à vontade. Abram um vinho no almoço, tomem uma taça, relaxem e celebrem! Algumas de vocês vão tomar drogas muito mais pesadas, então nesse dia tá tudo liberado, esqueçam as restrições dos 9 meses!”…hahahah…Felipe e eu ficamos imaginando a cena, eu com contração, pedindo para ele abrir um vinho e os nossos pais chocados achando que ficamos malucos de vez…hahaha!

Bem, na teoria tá tudo resolvido, agora é esperar o grande dia e saber se tudo vai ocorrer como o planejado ou será um caos total e o próximo post será para esculhambar o sistema público de saúde inglês…hahaha.

Último mês, aí vamos nós!!!

——-

Obs:

1) Uma informação importante é checar quais companhias de táxi levam mulheres em trabalho de parto para o hospital. Eles pediram para gente ligar antes e se certificar, pois algumas se recusam.

2) Repasso aqui a minha experiência de pré-natal no hospital onde faço acompanhamento; como as escolas públicas daqui, há boas e ruins, assim como hospitais. Então, de forma alguma, pretendo generalizar nada e dizer que tudo é perfeito na Inglaterra e tudo funciona aqui…

pré-natal

Viajando grávida

4 jul

Fiz 4 viagens durante a gravidez – no primeiro, segundo e terceiro trimestre – e posso afirmar que o segundo trimestre (4, 5, 6 meses) é  de longe o melhor para viajar.

Quando estava com 1 mês de gravidez, fomos à Escócia passar 13 dias na casa de amigos queridos. Como era época de Natal e Ano Novo, os preços do trem estavam exorbitantes e decidimos ir de ônibus até lá. Eles moram no caminho para as Highlands e a viagem tem duração de 11 horas. O ônibus era bem desconfortável, não fazia uma inclinação sequer. A ida, sem enjoos, foi tranquila, já a volta, com enjoos, foi mais chatinha.

Os enjoos começaram assim que cheguei lá e pouco aproveitei turisticamente. O risco de uma viagem no primeiro trimestre é esse, é nesse período que os enjoos e o cansaço aparecem e pode ser um risco investir numa viagem. No meu caso, estava entre amigos, num clima bem tranquilo e o objetivo maior era estar junto e não turistar freneticamente, mas podia ser diferente. Porém, isso varia de mulher para mulher, pois conheço pessoas que não enjoaram e se sentiram perfeitamente normais nos primeiros 3 meses de gravidez.

dundee

Dundee-Escócia

O segundo trimestre é maravilhoso. Num piscar de olhos os enjoos passam, o cansaço também, a barriga ainda não está pesada e a vida parece voltar ao normal! Nesse período, fui ao Brasil e à Espanha e foi muuuuito tranquilo, disposição total para turistar o dia inteiro, sem problemas.

IMG_0458

Montserrat -Espanha/ 6 meses

A viagem do Brasil foi a única de longa duração e, portanto, tive que ter mais cuidado com o voo.  É importante consultar o seu médico, para saber a sua condição. No meu caso, fui recomendada a usar aquelas meias de compressão (aqui, vende na Boots e são chamadas de flight socks), a caminhar de meia em meia hora e a beber bastante líquidos. Mas há outras recomendações, dependendo da sua condição médica.

Brasil/ 4 meses

No início do sétimo mês, último trimestre, fiz a minha última viagem grávida, para a Holanda. O voo foi tranquilo, 50 minutos e não tive muitas recomendações. Mas já estava mais cansada, pois nesse trimestre a barriga começa a fazer diferença e a gente começa a ficar mais lenta. Entretanto, deu para aproveitar bem ainda, mas num ritmo mais lento.

Holanda/ 7 meses

É importante lembrar que viajar grávida exige alguns cuidados:

– Primeiro, é importante sempre ver a sua condição médica e avaliar o que é possível para você naquele momento, principalmente quando se trata de viagens longas e internacionais; para viajar e se estressar, melhor nem ir.

– Não esquecer de fazer o seguro saúde, pois “seguro, morreu de velho”, e acaba que ficamos mais vulneráveis e também somos responsáveis por um outro ser;

– Ver quais são as condições da companhia aérea, pois elas tem o direito de recusar grávida de viajar, depois de certo período. Por exemplo, na viagem que eu fiz no último trimestre, me pediram se eu tinha autorização do médico (GP, midwife, etc) para viajar e eu, felizmente, tinha. A Ryanair tem uma autorização própria, que eles pedem para ser assinada pelo médico/midwife se você for viajar a partir da 28ª semana. A easyjet já permite viajar até a 35ª semana (32, se for gêmeos), sem autorização específica. De qualquer forma, se for viajar no último trimestre, é bom carregar alguma autorização, para evitar dor de cabeça no embarque.

– Acho que a mala é um ponto a ser revisto. Eu viajo aqui na Europa em companhia de baixo custo, o que significa que você não tem direito a despachar mala e pode levar somente um volume com você no avião (tamanho de uma mala de mão). Eu, particularmente, adoro levar poucas coisas, seja numa viagem de 3 dias ou de 1 semana, e às vezes divido essa mala de mão com o marido, para a gente ficar mais livre de peso. Para fazer viagens baratas, a gente usa muito transporte público e às vezes chegamos numa cidade e já vamos turistar, pela falta de tempo ou porque a estadia ainda não está liberada. E nada melhor do que ficar livre! Durante a gravidez, mantivemos o nosso padrão viagem de baixo custo e continuamos só usando transporte público para nos locomover. Se você não consegue fazer uma mala pequena e, mesmo que ande de carro e táxi, lembre que não poderá carregar muito peso e o seu parceiro terá que fazer isso por você ou dependerá de ajuda de terceiros, se tiver viajando sozinha…no Brasil, acho até mais fácil conseguir ajuda, mas aqui, pelo menos na Inglaterra, não há filas especiais para grávidas e, no geral, você é tratada como um ser normal…então, por via das dúvidas, é a hora de ser o máximo econômica!!!

– Faça tudo com calma, com o dobro de tempo, para não se cansar e guardar energias para o que realmente vale à pena! Ficar correndo com mala, grávida, para pegar o avião/trem/ônibus é um estresse desnecessário.

De resto, é relaxar e curtir!

Protótipo de mãe

12 maio

Quando descobri que estava grávida, uma das primeiras coisas que pensei foi “Caramba, estou grávida e longe da minha mãe!”.

Não que não sobrevivemos sem a nossa mãe, mas muita coisa fazemos questão de não aprender, porque elas fazem muito melhor que a gente. Nesse momento gravidez então, nem se fala! É a pessoa que mais te conhece, que está com você desde o dia que você viu a luz do mundo pela primeira vez. Tê-la por perto é ter a segurança necessária de que tudo vai dar certo nesse processo, afinal, ela já o trilhou há muitos anos atrás para nos gerar…

Acho que essa vontade de ter a mãe por perto está relacionada com a mudança de papel que está prestes a acontecer na vida da grávida, principalmente na primeira gravidez. Parece que esses 9 meses de gravidez são momentos derradeiros, os últimos só como filha. É claro que serei filha dela para sempre, mas também serei mãe e o ponto de referência para alguém. E ser a provedora não é fácil! É se fazer de forte, quando não se é, é receber todo o tipo de demanda vinda dos filhotes, pois, afinal, que mãe que não sabe e resolve tudo? E os filhos demoram a entender que a mãe é uma pessoa, que ela errou por medo, que muitas vezes foi insegura, que tinha um milhão de problemas com o mundo e que teve crescer muito para alcançar esses “super poderes”,  à custa de muita “ralação”, tanto física quanto psíquica.

Uma vez li em algum lugar sobre o quanto a natureza era sábia, nos dava 9 meses para nos acostumar com a ideia de ser mãe. Por isso adoro a expressão em inglês, que sou na verdade uma “mother to be”, o que significa mais ou menos que sou uma “mãe a ser”. É claro que poderia ser mãe hoje, se um bebê caísse no meu colo, porque mãe não é só aquela que gera. No entanto, quando não se tem o “objeto” ainda,  não!  É uma relação que vai se construindo a dois (3, 4, 5?), com o tempo e começa a se materizar ao longo desses 9 meses.

No começo não há sinais algum no corpo. Aos poucos eles começam a aparecer e, com eles, o se dar conta de que há uma vida sendo gerada. Porém, tudo é muito no escuro, são sonhos, planos, idealizações de um ser sem rosto ainda. Não há como saber desde agora que tipo de mãe serei. Só na presença dele é que um dia me darei conta se fui a mãe neurótica, a relaxada, a liberal, a rígida ou todas elas…só caminhando para saber que história escreveremos juntos.

Bonita, conflituosa, conturbada, afetuosa, todos tem uma mãe e uma história para contar. Que eu possa escrever uma história linda com o meu filho e que um dia ele olhe para trás, como faço hoje, e agradeça a mãe que tem, que presente ou ausente, chata ou legal, amorosa ou rígida, na terra ou no céu, é só nossa e de mais ninguém!

Olhar de amor!

Olhar de amor!