Arquivo | março, 2012

O avental todo sujo de ovo…

27 mar

A ideia do blog não era se tornar um local de homenagens sem fim a pessoas importantes em minha vida. Mas acontece que viver longe me “revelou” um outro lado das minhas muitas facetas, que é a capacidade de me emocionar e amar ainda mais as pessoas. E como eu fiz “homenagens” públicas para o papi e a irmana, não podia faltar a dela, a abelha rainha. Prometo que páro com isso em breve antes que a paciência de vocês acabe com tanta melosidade (a minha já está se esgotando!) =)

Estava conversando um dia com a minha irmã sobre maternidade e ela me falou uma coisa que me impressionou, não pelo conteúdo da fala, que é um tanto quanto óbvio, mas pela constatação de que ela havia virado mãe, um caminho sem volta! Ela me contou que sempre quando via um acidente, ou uma notícia ruim no jornal, ela rezava e pedia a Deus que a livrasse daquele mal. Depois que ela teve filho, ela me disse que nunca mais conseguiu pedir para si própria, só para ele e por ele.  Caramba, que amor é esse que desconhece qualquer vaidade, orgulho, egoísmo, amor próprio (facetas nossas que tentamos esconder, mas insitem em povoar a nossa mente, mesmo que as reprimimos em prol do politicamente correto)?  Esse é o o amor de mãe (e pai!) na maioria das vezes – para não normatizar muito esses papéis -, que só conhece doação e amor sem medida!

Acontece que a gente nasce na perspectiva de filho e somente muito tempo depois vamos reconhecer e entender o quanto de doação, investimento (não financeiro, mas emocional mesmo) e renúncia existe na nossa relação com os nossos pais. Foram sonhos deixados para trás, horas a mais trabalhadas, noites mal dormidas por conta de uma doença ou outra, noites não dormidas pela falta de notícia, celebração de cada pequena conquista nossa. E tudo isso sem fórmula, sem manual, aprendem a ser pais na experiência, enquanto administram os outros importantíssimos papéis como o de esposa (o), de mulher (homem), de filho, de profissional…e um dia ainda ouvirão, de repente no auge da adolescência, ainda que da boca para fora, que foram culpados pela infelicidade dos filhos! É mole? A rapadura é doce, mas é dura pra caramba!!!

E vai perguntar se não valeu a pena? Uma vez minha mãe me disse que metade das coisas que ela conseguiu, ela não teria alcançado se não tivesse alguém para lutar por. E é nela mesmo que eu queria chegar. Dona Eva. Nascida depois de Cosme Damião, Damião e Adão, alguns dos seus muitos irmãos. Na mito bíblico fundador, Eva levou Adão a morder a maça proibida, fundando a humanidade no pecado. Danada essa Eva!

Como na história mitológica, ela não se contentou em somente viver no paraíso com Adão, ela queria mais. E foi isso que ela fez. Caçula de 10 irmãos de uma família bem humilde, ela não aceitou o destino que lhe esperava de ser esposa e criada para o lar. Meu avô não permitia que as mulheres estudassem, só os homens. Mas ela não se conformou e decidiu aos trancos e barrancos continuar. Começou a trabalhar com 9 anos e fez de um tudo. Carregou balde d’água, bolsas de compras  na feira, foi empregada doméstica, professora, secretária de político, vendedora de batata frita e dona de casa, não necessariamente nessa ordem. Quando não podia mais estudar no ensino público, bateu numa escola particular e ofereceu trabalho em troca de estudos. E não parou…

Medo de trabalho nunca teve. E muito menos de nada. É alegre, sorridente e vive saltitando por aí com uma energia que ninguém entende, apesar das dores que sente aqui e acolá. É caridosa, doa o que tem e poucas coisas guarda para si própria. Se meu pai me ensinou retidão, ela me ensinou a amar sem medidas, sem preconceitos, a ser paixão, emoção e explosão! “A gente não leva nada dessa vida…” posso ouvi-la dizer…

Quando eu era criança, sábado era dia de faxina e de vitrola rolando com Roberto Carlos, Agepê e Nelson Golçaves (o mais odiado por nós, na ocasião). A minha tarefa sempre foi a de tirar o pó dos móveis, tarefa que detesto até hoje (por que será?). E como ela não tinha muitos vinis, as músicas se repetiam e acabaram virando clássicos na minha memória, que me fazem lembrar dela quando as escuto. A música “Mamãe” do Agnaldo Timóteo foi uma dessas músicas que se repetiu muito. Acho que ela a colocava repetitivamente numa tentativa de que a letra entrasse, de alguma forma, por osmose em nossa mente. Se foi a música do Agnaldo, eu não sei, mas que ela é definitivamente a dona de tudo e vale mais para mim que o céu, a terra e o mar, isso é!

“Ela é a dona de tudo,
Ela é a rainha do lar,
Ela vale mais para mim,
Que o céu, que a terra, que o mar,
Ela é a palavra mais linda,
Que um dia o poeta escreveu,
Ela é o tesouro que o pobre,
Das mãos do senhor recebeu,

Mamãe, mamãe, mamãe,
Tu és a razão dos meus dias,
Tu és feita de amor e esperança,
Ai, ai, mamãe,
Eu te lembro chinelo na mão,
O avental todo sujo de ovo,
Se eu pudesse,
Eu queria outra vez mamãe,
Começar tudo, tudo de novo”

Algumas das suas músicas preferidas para faxinar:

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O inverno e o tempo!

23 mar

Nem acredito que o inverno acabou! Esse ano nem foi um dos piores, pois foi iluminado, com Sol, o que faz toda a diferença. O primeiro inverno que passei aqui foi um pesadelo, o Sol desapareceu, ficamos no escuro e no cinza a maior parte do tempo. E aí o corpo sente demais, pois a sensação é de que não houve dia.

Inverno

Não é fácil atravessar o inverno, o corpo fica mais fraco com a falta de luz, as pessoas mais fechadas e doentes e a vontade é de ficar em casa hibernando. Passar pelas estações é algo muito novo para nós brasileiros. No Rio a gente passa basicamente do absurdamente quente para um menos quente. Tá, faz um pouquinho de frio em julho, mas nada grave!

Auge do Outono!

O passar das estações é a materialização do passar do tempo e isso ainda me soa estranho. Ver com clareza o tempo passar na natureza, é saber que o tempo está passando para mim também, ainda que a sua ação em mim não seja percebida tão claramente…

Verão delícia!

Aqui sinto meu corpo e mente variar com as estações, como os animais. Sabe aqueles programas tipo Discovery que mostram os animais se preparando para os meses terríveis do inverno, coletando comida e guardando energia? É mais ou menos isso! No verão todos ficam aproveitando avidamente qualquer Sol e tempo para passar ao ar livre. O outono para mim é lindo com todo aquele degradê de cores das folhas das árvores, mas ainda sim não deixo de achá-lo meio depressivo, pois a cada dia você vê a natureza morrer e tudo secar ao seu redor e a sua mente não para de te dizer “Tá chegando!”. E a Primavera, é o recomeço e a promessa de que dias melhores virão…

Primavera!

A coordenadora do meu mestrado – Inglesa e já senhora – falou algo interessantíssimo sobre as estações. Um aluno da India levantou uma questão argumentando que não entendia por que a maioria dos nossos trabalhos deviam ser entregues no inverno, quando todos estavam cabisbaixos e sem energia. E ela respondeu que desde que ela se entende por gente foi assim, outubro era época da escola começar e daí para frente o período mais pesado de trabalho começava, junto com a escuridão, para terminar com a chegada da primavera, onde todos renasciam!!!

Primavera - adoro essa primeira folhagem rosa! Depois ela cai e vem as folhas verdes!

E é mais ou menos isso. Acho que não é algo perceptível ao turista, que vem para cá de férias e qualquer estação do ano será boa. Mas a primavera é especial. Ela nem é tão quente, mas como ela vem após o inverno, tudo parece mudar, as flores começam a nascer e as pessoas a ficarem mais excitadas pelo fato de que o pior já passou. E o primeiro dia quente após o inverno é especial, todos correm para o Sol, e ficam lá estirados como lagartos, com os pés de fora e um sorriso no rosto. E a sensação de que “sim, podemos ser felizes com as pequenezas!”

E ela vem chegando...

Tempo Rei…

5 mar

Hoje fazem dois anos que chegamos aqui, com quatro malas na mão, sem casa, sem passagem de volta e com sonhos do tamanho do mundo…poderia dizer que “passou num piscar de olhos” ou que “parece que foi ontem”, mas eu mesma fico confusa olhando para trás e vendo o tanto de coisas que aconteceram, se realmente esse tempo passou na velocidade de um piscar de olhos…

Esse tempo danado está sempre nos pregando peça. Os momentos que queremos eternizar, ele corre com a velocidade da luz; nos momentos sombrios, ele se arrasta que só e cada minuto parece uma eternidade…quanto mais prestamos atenção nele, ele não passa; se cochilamos por um minuto, ele voa…

Outro dia vi um vídeo chamado Timeless-London Timelapse, que começava com essa frase: ‎“Time is like a handful of sand – the tighter you grasp it, the faster it runs through your fingers” (Henry David Thoreau). Traduzindo grosseiramente seria mais ou menos assim: O tempo é como um punhado de areia – o quanto mais você o aperta, mais rápido ele escorre pelos seus dedos

E não é que é? Ele não pára, não pára não…

Dessa janela, uma Londres desconhecida foi imaginada e um futuro por vir, vislumbrado...

Grenoble e Alpes

5 mar

Bem, continuando a minha série de posts atrasados de viagem, acho que hoje finalizo a minha “dívida”. Na verdade, ainda teria uma viagem pendente que fiz a Edinburgo, Glasgow e Dundee, na Escócia, mas terei que deixar passar por enquanto. Temos queridos amigos morando em Dundee, e da próxima vez que formos visitá-los (fomos duas vezes já), faço uma post sobre lá decente e atualizado.

Grenoble

Sem mais blá blá blá, o que falar dessa viagem delícia? Na verdade acho que meus posts de viagem acabam sendo meio redundantes, pois sempre acho tudo maravilhoso, impressionante e surpreendente! Acho que cada lugar tem suas particularidades, o seu charme e é difícil fazer um ranking. Acho que das viagens que fiz, só uma cidade não me impressionou, que foi Glasgow. Acho que não voltaria lá, a não ser que tivesse um motivo…

Muitos bares e restaurantes ao ar livre

Grenoble surgiu no nosso roteiro de viagem porque o Felipe tem queridíssimas primas francesas que moram lá, nos pés dos Alpes. Então como estávamos querendo esquiar, a gente uniu o útil ao agradável, visitar uma das primas (a outra estava no Camboja na ocasião) e aproveitar para esquiar.

Essas montanhas nevadas que circundam Grenoble deixam a cidade um charme!

E foi tudo perfeito. Sabe aquelas viagens que você descansa, não tem pressa para nada? Foi assim. Voamos para o aeroporto de Grenoble, o que não foi uma boa opção, pois o aeroporto é bem pequenino e as opções de transportes públicos para a cidade são escassas. Para acessar Grenoble, o melhor aeroporto é o de Lyon, pois há mais opções para chegar na cidade. Porém, o aeroporto de Grenoble é o mais próximo de Alpe d’Huez, a estação de esqui dos Alpes.

Grenoble vista da Bastille

Fomos maravilhosamente bem recebidos pela priminha francesa, que foi nos pegar no aeroporto com uma amiga, passeou com a gente na cidade, fez jantar especial, enfim, ficou todo o fim de semana conosco, proporcionando-nos boa companhia, comidas maravilhosas e bons vinhos. Confesso que é uma emoção consumir todas as delícias francesas, tão caras no resto do mundo, a preço de banana lá. Um parênteses para o pain au chocolat, que é um croissant recheado com chocolate…comer essa delícia fresquinho, saindo do forno, é algo divinamente divino! =)

Comendo Raclete pela primeira vez...

Grenoble é uma cidade universitária, então tem um clima gostoso, jovial. O tempo estava bom e tinha um monte de estudantes nos parques namorando, jogando algo, bebendo e os bares ao ar livre estavam lotados. Ficamos horas sentados num parque em ócio absoluto….

Parque...

Visitamos a Bastille (Forte, localizado num topo de um morro), que pode ser acessada por bonde ou à pé. De lá, os visitantes tem uma vista excelente da cidade e das montanhas nevadas que circundam a cidade.

Bastille

De Grenoble, fomos de carro até Alpe d’Huez sem GPS, seguindo placas. Nos perdermos várias vezes, é claro, mas foi ótimo para conhecer cidadezinhas minúsculas no meio do caminho. Acabamos parando numa cidadezinha chamada Bourg D’Oisans, onde as primas do Felipe moraram por anos. Pegamos a feirinha de sábado, super local, com todos aqueles queijos frescos deliciosos, vinhos, peixes e verduras.

Bourg d'Oisans

Subimos para a estação de esqui, encontramos um tio do Felipe que ele não via há anos, e que trabalha lá, o que nos deu acesso livre à estação.

Alpe D'Huez

Infelizmente a pista de esqui para iniciantes estava descongelando e não pudemos praticar. Mas mesmo assim adorei passar o dia lá e sentir o clima. Acho que deve ser excelente ficar hospedado na estação.

Subimos de teleférico no ponto mais alto, 3800 metros, da onde se podia ver Suíça e Itália. O melhor foi ver família inteira descendo montanha abaixo, com seus filhotes minúsculos! Impressionante!!! Muita criança de 4, 5 anos já fera, dominando completamente o esporte…

Como tudo que é bom dura pouco, o fim de semana prolongado passou num piscar de olhos, deixando de antemão saudades de uma vida calma nunca vivida num lugar pequenino qualquer desse mundão…

Queridíssima! Almoço de despedida...

Hora de dar tchau...