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O pós-parto no NHS

12 nov

Bem, acho que a série “como ter bebê no UK e no sistema público” está quase chegando ao fim. Mas ficaria faltando se não falasse sobre o acompanhamento pós-parto.

Aqui, como já disse, você não tem acesso ao especialista logo de cara. A porta de entrada é o GP (General Practice – tipo um posto de saúde), que tem médicos generalistas, enfermeiros e outros agentes de sáude, que, conforme a necessidade, encaminham para especialistas, geralmente localizados em hospitais.

Então, não rola do bebê ter um pediatra para quem ligar. É meio desesperador pensando assim, de não ter uma pessoa específica acompanhando o seu bebê desde o nascimento, mas por enquanto tem tudo corrido bem.

Assim que você sai do hospital, uma midwife (parteira aqui é uma profissão!) passa a ir na sua casa para acompanhar você e o bebê. Eu recebi a primeira visita no meu primeiro dia em casa. Essas visitas tem como objetivo pesar o bebê, acompanhar a amamentação e, no meu caso, a minha cirurgia. Além das midwives comunitárias (elas são vinculadas a um hospital e atendem na comunidade no primeiro mês de vida do bebê), recebemos visitas também de um health visitor, que é tipo um agente de saúde, que acompanha a vacinação, as condições de moradia da pessoa e o grau de vulnerabilidade dela, se o bebê está indo ao GP, se está ganhando peso, se a mãe está em depressão, etc.

Além dessas visitas, até os 2 meses, tinha que ir no “baby clinic” do GP de 2 em 2 semanas para o bebê ser checado. Agora, preciso ir uma vez no mês. Essas consultas não são necessariamente com o médico. Já fomos atendidos por médico, enfermeiro e agente de saúde. Cada vez é uma pessoa.

E a orientação é a mesma, qualquer problema, o GP é referência, a não ser em caso de uma emergência, que são os hospitais que atendem. (Há inclusive um guia para saber quando é para levar o bebê para uma emergência num hospital e quando é para chamar uma ambulância).

A angústia maior dos brasileiros com plano de saúde no Brasil  é não ter acesso direto ao especialista, que é o de praxe no Brasil (“estou com uma dor no estômago, vou a um gastro”). Eu mesma mantive o meu plano brasileiro para poder, quando estou no Brasil, fazer um check-up geral e escolher as especialidades que julgo necessário ter acompanhamento. Mas, para ter um sistema que funcione satisfatoriamente bem para todos, não tem como sustentar esse sistema onde todos vêem um especialista! Só mesmo na esfera do privado.

Há muitas reclamações aqui com o NHS, mas não deixo de aplaudir ainda sim um sistema no qual a maioria consegue fazer uso de verdade.

Bem, estou aprendendo a confiar e, por enquanto, acho que está tudo funcionando muito bem. Vamos ver até as primeiras doencinhas aparecerem se continuo feliz e calma com o sistema público…;)

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