Archive | julho, 2011

Camden Town

31 jul

Já havia algum tempo que queria escrever um post sobre Camden, primeiro por ser um lugar que eu adoro e fui apresentada logo nas primeiras semanas aqui e segundo por conta da riqueza e diversidade desse bairro, que traduz muito bem o way of life londrino.  Por isso sempre faço questão de dar uma passadinha em Camden com as minhas visitas.

Sábado passado estava lá com a minha família turistando pelos mercados de Camden, brincando de procurar a Amy por algum Pub da área e mal sabíamos que naquele horário ela já tinha falecido. Inspirada por essa triste e precoce morte, resolvi que era a hora de escrever sobre este bairro do qual ela gostava tanto.

Quando disse que Camden representa para mim muito bem o que é Londres, não significa que Londres possa ser reduzida a esse bairro, tamanha complexidade dessa cidade que combina muito bem o antigo e tradicional com o novo e ultra moderno.

Camisa do Mengão sendo vendida na feira

Camden é um dos lugares que me dou conta “Caramba, estou em Londres!”. No bairro há 4 mercados, que de tão próximos parecem um só. E mercado é algo que os londrinos amam. Há vários espalhados pela cidade. É o local perfeito para o fim de semana, onde se pode comprar, comer  nas diversas barraquinhas em pé mesmo e tomar uma cerveja.

Além dos mercados, Camden tem uma High Street (rua principal) cheia de lojas de sapatos,  roupas diferentes, lojas de discos, estúdios de tatuagem e piercing, Pubs e enormes casas de shows como o Roundhouse, onde acontece o itunes festival, evento de rock totalmente gratuito durante 1 mês.

Os mercados são o máximo. Há uma enorme variedade de roupas diferentes e camisas engraçadas; comidas de todo canto do mundo, DJs discotecando, sucos, doces, bares, muita coisa do grafiteiro Banksy, roupas militares, brechós, malas antigas e pessoas de todos os tipos e estilos.

Banksy - he's not the messiah

Há uma loja que eu acho fantástica chamada Cyberdog. São três andares para baixo, sendo que o último é um  sexy shop. Você se sente numa Rave! As roupas, músicas e produtos são voltados para esse público, então os vendedores são totalmente clubers, há uns dançarinos dançando trance no meio da loja, muito neon, música alta eletrônica…vale a pena ver!!! A sessão dos bebês é bem engraçada, com suas roupas futuristas e fluorescente…

Há um bar chamado Proud Camden que eu adoro! Ele se localiza no stable market, segundo andar. Ele é bem diferente, pois aproveita a estrutura de estábulo para criar diferentes ambientes. Todos eles tem TV, onde você pode jogar videogame, ver filmes, programas esportivos e ouvir DVDs de música disponibilizado pelo estabelecimento. Além disso, há uma galeria de fotos, lojinha e um espaço que fica rolando umas apresentações de música. À noite o espaço se transforma em um perfeito local para quem gosta de música, havendo apresentações de bandas novas e alternativas.

A maneira que gosto de chegar em Camden é pelo Regent’s Canal. Geralmente atravesso o Regent’s Park, que é um parque lindo e bem florido e vou caminhando pelo Regent’s Canal até Camden. O passeio é lindo, pois se pode observar as casas barcos, ver as casas que margeiam o canal, as pessoas andando de caiaque ou bote. Sempre faço o caminho a pé, mas é possível fazer de barco, saindo de Little Venice (“pequena Veneza” – área da onde os barquinhos partem e cheia de bares e restaurantes).

Regent's Canal

Chegando a Camden pelo Regent's Canal

Regent's Canal

Regent's Canal no inverno

Parabéns!!!

15 jul

Essa semana foi aniversário de uma das pessoas mais importantes da minha vida: meu pai! Como estou mega ocupada para escrever algo mais extenso sobre qualquer coisa, decidi mandar um alô público para esta pessoa mais do que querida.

Meu pai é meu pai! É o mais fofo do mundo, é o mais amigo, é o mais amado, é o mais tudo que eu possa escrever aqui. Sempre sereno, sempre nos bastidores, tão tímido, tão quieto, tão presente. Sempre nos demos incrivelmente bem, mesmo sendo tão diferentes. Eu falo alto, meu pai quase não fala; eu sou uma pessoa de muitos amigos, meu pai de pouquíssimos; eu gargalho, meu pai esconde o sorriso; eu canto alto, meu pai sussurra; eu sou Flamengo e ele é fluminense…como poderíamos ter tanta afinidade? Pois é, temos muitas…

É para ele que gosto de contar os meus problemas, porque ele sabe ouvir e acolher como ninguém. É com ele que gosto de debater as notícias do Brasil e do mundo. É com ele que assistia futebol e os programas esportivos e até hoje comentamos, via skype, a última rodada do Campeonato Brasileiro…

Lembro que eu e minha irmã quando crianças esperávamos ele chegar do trabalho com balas Compenhagen e chocolate surpresa, pois colecionávamos as fotos dos animais. Lembro das vezes que tínhamos que ir com ele na padaria para ganhar um picolé. Ou das vezes que íamos no Mercado de Peixe e ele levava a gente no segundo andar para ver os peixes, o ponto alto do passeio.

Lembro que quando ele tinha que fazer algo em Niterói, ele levava a gente de ônibus e era uma tortura andar do terminal (que nem existia) até o Plaza, mas o fazíamos sem reclamar por conta da promessa de ganhar uma boneca e ir ao Mc Donalds depois. Ele tomava um chopp e pedia uma batata frita e a gente ganhava um lanche carioca!

Na fase de pré-adolescentes era ele quem nos levava para comprar roupa, pois mamãe não tinha paciência com loja. E ele tinha demais, pois ficávamos horas rodando o shopping e escolhendo as roupas mais absurdas e ele só falava assim “Não tá muito curta não?”, “Não pai, você não entende nada de moda”. E a gente sempre dava um jeito de exceder o orçamento estipulado por ele. A conta final sempre passava e ele sempre deixava passar. Não posso esquecer o acontecimento que era ir à praia, acordávamos às 5 da manhã para voltar às 10h30. A questão é que nunca queríamos voltar a hora estipulada pelo papi e como ele não entrava na água, eu e a minha irmã ficávamos lá horas, fingindo que não estávamos vendo ele acenar. hahaha. Crueldade!!!

Tantos “não” ele nos deu. Tínhamos hora para chegar, não deixava a gente sair domingo, tinha ciúmes dos amigos homens, batia a chave na janela para a gente entrar, nos obrigava a pedir a benção aos mais velhos (que abolimos assim que ganhamos um mínimo de autonomia! rs!), não deixava a gente namorar, muito menos beber e ficava bem emburrado quando saíamos da linha. Com muita sabedoria conseguíamos enrolar ele bem e ir, aos poucos, abolindo todas as regras loucas. E ele se deixou enrolar tanto, que uma vez ele me disse “até que virei um pai moderno”. hahahaha. Fofo, muito moderno sim, foi crescendo junto com a gente e se adaptando às nossas demandas, mesmo que fosse difícil para ele aceitar o crescimento das filhotas!

E também foi muito duro pra mim deixar de ser a loirinha do papai e perder todas as regalias que essa existência de caçulinha me proporcionava, como os suquinhos frescos de laranja ao acordar, feito com muito amor pelo papai; as limonadas fresquinhas na hora do almoço e os muito sucos naturais que ele inventava e eu adorava! Aliás, continuo adorando, pena que não inventaram toque e sabor via skype! hahahah…É, crescer é duro!!! 😉

Papi, poderia ficar aqui horas e horas lembrando tantas coisas boas que passamos. Te amo demais…que honra encontrar com você nessa existência! Te escolho como PAI para sempre…

OBS: Mami, sem ciúmes! Qualquer dia sai um post para você bem especial!!!

Amsterdã

7 jul

Tenho uma amiga muito próxima que é apaixonada pela Holanda. A relação dela com esse país é marcada por muitos risos, lágrimas, idas e vindas e inesperados bons encontros. Em janeiro fui visitá-la em Amsterdã, pois não podia perder essa oportunidade de encontrá-la num lugar que ela ama tanto. E já havia algum tempo que ela me falava que queria ver a minha impressão da cidade, me cobrando um post. E eu, com essa baita responsabilidade, só adiando.

Bem, essa semana fui contagiada por ela a escrever sobre essa cidade que ela ama tanto. Então vamos lá. Amsterdã é uma delícia. Ela tem um ar romântico, expresso pelas muitas bicicletas estacionadas em qualquer canto da cidade; os infinitos canais, com as suas casinhas barcos; as diversas pontes; as casinhas tortas; e os barquinhos indo e vindo nos canais. Tudo isso dá um chame à cidade, transformando-a num lugar de calmaria, mesmo sendo a capital (Haia é a sede do governo) e maior cidade dos Países Baixos, com uma população com quase 800 mil habitantes (menor que São Gonça!!!). E olha que eu não peguei as flores, pois fui no auge do inverno e estava tudo seco. Não é à toa que essa minha amiga se apaixonou tanto pela cidade!!!

Ao mesmo tempo, Amsterdã tem um lado profano, “dark”, já que a prostituição é legalizada e a maconha também. Então passear pelo Red Light District (Bairro da Luz Vermelha) significa ver prostitutas se exibindo, chamando a clientela e muitos coffee shops, locais onde se vende maconha.

Red Light District

O engraçado é que esse lado profano se tornou tão turístico que há uma infinidade de souvenirs relacionadas a maconha e ao sexo. Daí sentimos o quanto esse tal de capitalismo é danado, não deixa passar nada e transforma tudo em mercadoria sem o menor pudor.

A experiência é bem engraçada, afinal, não é comum para o resto do mundo essa liberalização geral da Holanda. A prostituição é considerada uma profissão, como outra qualquer. E há de todos os tipos no mercado. Há meninas lindas, outras nem tanto, gordinhas, idosas, magras, altas, baixas, enfim, para todos os gostos. E basta ficar um pouquinho observando as vitrines, que você verá os clientes chegando, negociando preço, tudo numa boa. Há também uns teatros com shows de sexo ao vivo, além das cabines individuais. Se não bastasse tudo isso, há os coffee shops. Enfim, uma nova forma de organizar a cidade. Não conheço a história da Holanda e em qual contexto se liberou a maconha, mas sei que esse país sempre foi inovador em suas políticas de saúde, sendo um dos primeiros a implantar a política de redução de danos, distribuindo seringas aos usuários de heroína como forma de conter a disseminação da AIDS.

Camisinhas

Não tive tempo de ir a todos os museus de Amsterdã, mas os que fui recomendo. O primeiro é o museu do Van Gogh. É lá que está a maior parte da obra deste artista. Embora já soubesse um pouco sobre a história de vida do Van Gogh, sobre a sua loucura – por conta da época que estagiei num serviço que atendia psicóticos e neuróticos graves-, ver o impacto dessa loucura em sua obra é fascinante: a mudança dos traços, a temática, o tormento e também a beleza de um mundo ora visto como engolidor, ora visto cheio de cor.

Só um parêntese, o Van Gogh se tornou pintor nos últimos 10 anos de sua vida, em 1880. Começou a estudar pintura e seu primeiro quadro pago foi somente em 1882. Em tão pouco tempo de artista, Van Gogh produziu demais. Só no último ano de vida produziu mais de 80 pinturas. Em 1888, Van Gogh cortou um pedaço da sua orelha esquerda e em 1890, se matou com um tiro no peito. Há vários textos que teorizam sobre o quanto a pintura tinha uma função organizadora na vida do Van Gogh, ajudando-o em sua psicose. Mas vamos seguir pois senão esse post vai ficar “psi” demais. rs!

O legal é que o museu divide a obra do Van Gogh em períodos, o que dá para acompanhar bem o trabalho e vida dele. Ele é dividido em: primeiros trabalhos (1880-1886); Paris (1886-1888); Arles (1888-1889); Hospital psiquiátrico St Remy (1889-1890); e Auvers (1890). Essa divisão torna o museu bem didático para aqueles que não tem muita intimidade com arte, como eu.

O outro museu que visitei lá foi a casa da Anne Frank. O museu é emocionante porque você se conecta com o sofrimento daqueles perseguidos pelo nazismo. Você visita o anexo no qual Anne, sua família e mais uma outra família judia ficaram escondidos por dois anos. Conforme você vai passando pelos cômodos, trechos do diário da Anne é destacado. A menina escrevia tão bem, com uma riqueza de detalhes, que você pode sentir o que foram esses dois anos de privação naqueles cômodos, sem luz, sem fazer barulho, tudo para não serem descobertos. Até hoje não se sabe quem os traiu, mas em 1944 eles foram descobertos e levados para o campo de concentração. O único sobrevivente foi o pai da Anne, Otto Frank. Anne morreu aos 15 anos, a poucos meses do fim do nazismo.

Otto Frank, quando retornou a Amsterdã, descobriu o diário de Anne e o seu desejo de que ele fosse publicado. Em 1947, o Diário de Anne Frank foi publicado, se tornando símbolo do Holocausto e um dos livros mais traduzidos no mundo.

Casa barco

Fizemos um passeio de barco pelos canais, mas o tempo estava tão ruim que não achei tão fantástico esse programa. De resto ficamos zanzando pela cidade, nos perdendo pelas ruaszinhas, parando para apreciar um canal e outro e vendo a vida passar. Amsterdã é bem pequenina e isso é um ponto super positivo, pois se pode fazer tudo à pé, não se precisa de transporte e bater perna é o que há. Como alguns dizem, Amsterdã não é uma cidade para ser visitada, mas sim para ser experienciada. E eu concordo.

Jantar Holandês

Para finalizar, termino com uma historinha de viagem. Estávamos sentados apreciando um dos muitos canais da cidade e eis que surge um senhor num barquinho amarelinho tocando uma música. E logo uma pequena multidão começou a se juntar para apreciar a música desse senhor. E ela era super bonita e surreal ao mesmo tempo, afinal, não é qualquer dia que vemos um senhor num barquinho fazendo um som para simplesmente alegrar a todos, a troco de nada, pois não havia nem como dar dinheiro. Ficamos ali, sentados ouvindo um ótimo som, olhando o canal e papeando gostoso. Estou convicta que este velhinho músico no barquinho não cruzou nosso caminho à toa. Foi a energia boa dessa minha amiga, chamando para perto de nós o amor e as coisas boas da vida!

Música no canal

Recomendo o albergue que fiquei pois ele era ótimo, limpo e com um café da manhã honesto:
Stayok Vondelpark: http://www.stayokay.com/index.php?pageID=3207&hostelID=356022

Museu Van Gohh: http://www.vangoghmuseum.nl/vgm/index.jsp?lang=en

Casa Anne Frank: http://www.annefrank.org/en/