Arquivo | maio, 2011

Highlands e Ilha de Skye

27 maio

A Escócia é dividida em duas grandes regiões: as Highlands (terras altas) e as Lowlands (terras baixas). Em novembro do ano passado, passei 1 semana visitando as Highlands, viagem que relatarei nesse post.

Já tinha feito uma viagem, em junho desse mesmo ano, para a Escócia e conheci as maiores cidades, Edinburgo e Glasgow, além de Dundee, cidade na qual queridos amigos moram, e redondezas (todas localizadas nas Lowlands). Na ocasião, fizemos um passeio de um dia pelo comecinho das Highlands e isso foi o bastante para querermos retornar e explorar de fato essa região.

Fernando e Andréa, amigos brasileiros que moram em Dundee, apaixonadíssimos pela cultura escocesa (Fernando principalmente! Tricolor, niteroense e agora escocês desde criancinha…hahaha) nos ajudaram a programar essa viagem com preciosas dicas, inclusive nos acompanhando em parte dela.

O roteiro foi o seguinte:

1° dia: Dundee;

2° dia: Perth, Dunkeld, Queen’s view, Aviemore;

3° dia:  Loch Morlich, Loch an Eilein, Carrbridge, Inverness;

4° dia: Castelo Urquhart, passeio no lago Ness em Fort Augustus;

5° dia: castelo Eilein Donan, Ilha de Skye (Old Man of Storr, Kilt Rock e Portree);

6° dia: Ilha de Skye (Castelo Dunvegan e destilaria Talisker); Fort Willians;

7° dia: Nevis Range, Dundee;

8° dia: St Andrews e  castelo Glamis;

1° dia:

Começamos a nossa viagem por Dundee. Pegamos um trem até lá, passamos uma noite com nossos amigos e no dia seguinte pegamos a estrada sentido Highlands. Alugamos um carro em Dundee, pois seria impossível explorar a região como queríamos de transporte público. Há muitos vilarejozinhos perdidos no nada, além de querermos liberdade para ficar mais tempo numa cidadezinha ou outra.

Dundee

2° dia:

Saímos de Dundee bem cedo e a primeira parada foi em Perth. Na verdade foi uma parada bem rápida, só para ver  rio Tay e dar uma olhadinha na cidade. Havia tanta coisa a ser vista mais à frente, que rapidamente continuamos a viagem.

Perth - rio Tay ao fundo

A próxima parada foi em Dunkeld, um lugarzinho bem fofinho e minúsculo que a gente já tinha visitado na primeira vez que fomos à Escócia. Tem basicamente duas ruas de comércio e uma catedral do século XIV. Os jardins da catedral ficam às margens do Loch (lago) Tay.

Dunkeld

Dunkeld - auge do outono

Seguimos viagem até Queen’s view, uma espécie de mirante para o Loch Tummel. Alguns acreditam que esse ponto recebeu o nome de “vista da rainha” após uma visita da Rainha Vitória ao local em 1866. Mas parece que essa história não é verdadeira e esse nome seria uma homenagem à Rainha Isabella, esposa do Rei Robert de Bruce, que governou a Escócia durante os anos 1306 e 1329.

Queen's view

Depois de apreciar essa fantástica vista, seguimos em frente até Aviemore, local escolhido para pernoitármos. Nessa época do ano, a luminosidade na Escócia está muito baixa, 15h30, 16h já estava escurecendo. E como o objetivo da viagem era aproveitar as belezas naturais, tínhamos que acordar no escuro e sair assim que clareasse, pois sabíamos que cedo estaríamos sem luz. Justamente ao contrário do que aconteceu quando visitamos a Escócia em junho, quando pegamos o solstício e tivemos o privilégio de experienciar o dia mais longo do ano. Me lembro que escureceu quase meia noite e 3 da manhã já estava sol.

3° dia:

Embora fosse outono, já estava muito frio. A temperatura estava por volta de zero. Acordamos com o nosso carro coberto de gelo. Até então nunca tinha visto neve e havia uma possibilidade de nevar naquela época e eu estava excitada com a possibilidade.

A primeira parada foi no Loch Morlich, que parece com uma praia por conta da extensa faixa de areia.

Loch Morlich

Seguimos até o Loch an Eilein e caminhamos pela floresta que o margeia até chegar em um ponto no qual pudéssemos ver as ruínas de um castelo, localizado no meio do lago.

Loch an Eileian

Loch an Eileian

Um pouco antes de chegar em Inverness, maior cidade das Highlands e local que escolhemos para pernoitar, paramos num vilarejo chamado Carrbridge para apreciar a suposta ponte mais antiga de pedra das Highlands, construída em 1717. Aproveitamos para tomar um café. Quando entramos na cafeteria, nos deparamos com uma cena curiosa. Um grupo enorme de velhinhas tricotando literalmente! Todas sentadas em círculo, fazendo tricô e tomando um chazinho da tarde. hahaha. Só faltou ser às 17h! Éramos tão estrangeiros naquele local, que fiquei constrangida de tirar uma foto desse momento.

Pack-horse bridge

4° dia:

Estava chovendo tanto em Inverness que decidimos seguir viagem e tentar a sorte em algum outro lugar. Queríamos explorar o lago Ness em busca do famoso monstro que habita suas águas.

A primeira parada do dia foi no castelo Urquhart. As fotos a seguir falam mais do que qualquer comentário meu!

Ruínas do castelo Urquhart

Jardim do Castelo Urquhart

Lago Ness visto do castelo Urquhart

Continuamos a viagem sentido Fort Augustus, pois queríamos fazer um passeio de barco pelo lago Ness. Nesse dia o tempo estava ingrato, chuva o tempo todo. Chegamos lá e compramos o passeio. Não sei se foi por conta do tempo, mas não achei o passeio tão interessante. O barco explora muito pouco o lago e estava tão frio fora, que tivemos que ficar um tempo dentro do barco para não congelar e nessa perdemos a paisagem.

Passeio de barco pelo lago Ness

Não é que avistamos o mostro!?

Depois de pegar chuva o dia inteiro, decidimos que era hora de parar e dormir em Fort Augustus mesmo, vilarejo bem simpático.

Fort Augustus

5° dia:

Acordamos cedo para mais um destino: Ilha de Skye. Depois que alcançássemos a ilha, começaríamos a voltar.

O caminho para a ilha de skye é maravilhoso. A paisagem começa a ficar mais exótica do que já é, com grandes lagos, montanhas nevadas e vegetação rasteira. A viagem pelas Highlands já é solitária, mas o caminho para Skye é tão deserto que a sensação é de que estamos nos afastando do mundo.

Super feliz porque vi uma montanha nevada!

Caminho para Skye

Na entrada da ilha de Skye, paramos no castelo mais lindo que vi: Eilean Donan. Ele é de pedra, situado às margens do Loch (lago) Duich, com uma vegetação rasteira e queimada ao redor. Não há nenhum sinal de construção humana. Só ele, lindo e maravilhoso. Esse castelo é bem famoso, servindo de locação para diversos filmes, como Elizabeth: a era de ouro; Highlander; O cálice sagrado; O amigo da noiva; etc.

Eilean Donan

Finalmente alcançamos a Ilha de Skye, quase na Islândia já…hahahha. Fiquei impressionada com a ilha. Todas as paisagens são de filme. A ilha parece ser deserta, com uns “vilarejos” de três casas. Ficamos na maior cidade de Skye, Portree, que significa Porto do Rei. A pequena orla do porto é toda composta por casinhas coloridas.

Portree

paisagem de Skye

Exploramos a ilha da seguinte maneira: queríamos ver o Old Man of Storr, paredão de pedra recortado. Dirigimos até lá e pegamos uma trilha para tentar alcançá-lo.

Parece pintura né? Paisagem básica comum nas estradas de Skye. Ao fundo, o Storr.

A sinalização estava caótica e não tínhamos informação de quanto tempo demoraríamos para alcançá-lo. Embarcamos nessa aventura sem muita preparação e no meio do caminho pegamos uma tempestade de gelo. Fiquei tensa, pois a trilha estava deserta e havia uns pontos de mata fechada com pouca luminosidade. Não fomos até o Old Man of Storr, pois tinha uma placa avisando que a partir daquele ponto havia risco de deslizamento de pedras. Mas só de ter chegado nesse ponto valeu, pois tivemos uma vista linda da ilha e dessa formação rochosa.

Storr

O céu é o limite!

Seguimos pela costa leste de Skye até chegar em Kilt Rock. Kilt Rock é um penhasco com colunas hexagonais de basalto, que lembram a saia típica usada pelos escoceses, o Kilt. Daí esse nome. O cenário fica ainda mais belo porque um riacho cai penhasco abaixo, formando uma linda cachoeira.

cachoeira Kilt Rock

6° dia:

Acordamos e partimos para o castelo Dunvegan, ocupado pela mesma família por quase 8 séculos! Mas estava fechado e então mudamos os nossos planos e fomos visitar a única destilaria de Skye, a Talisker, fundada em 1830. Como não sou apreciadora, gostei mais de ver a produção do vinho, achei a do uísque muito mecanizada.

Destilaria Talisker

Em várias partes da Escócia, o gaélico escocês ainda é falado. Em Skye isso ficou bem visível, pois todas as placas eram em gaélico (e em inglês, claro!) e um dos canais de rádio da BBC era narrado todo nessa língua. O gaélico é uma língua céltica, não oficial, embora o parlamento escocês estude a possibilidade de torná-lo língua oficial juntamente com o inglês. Não sei se isso é viável ou concreto, mas rola essa história.

Esse era o nosso engarrafamento nas estradas de Skye!

7° dia:

Dormimos em Fort Willians pois queríamos ir a Nevis Range e avistar a montanha mais alta do Reino Unido, o Ben Nevis. Queria tanto ver neve e lá era meio que garantido. Mas foi só decepção, a neblina era tanta, que não conseguia ver 5 metros à minha frente. Esperamos, esperamos e nada da neblina baixar. Fui embora decepcionada por não ter visto absolutamente nada. Valeu pelo passeio de teleférico até o alto da montanha.

Gondolas

Neblina na montanha

8° dia:

Já nas lowlands (terras baixas), visitamos St Andrews (sim, a cidade na qual Kate Middleton e Príncipe Willians estudaram!) e o Castelo Glamis.

St Andrews, cidade universitária mais antiga da Escócia, é toda construída por pedras, saqueadas de uma catedral do século 12, maior catedral da Europa na época. As ruínas dessa catedral são lindas!

Catedral St Andrews

St Andrews

O castelo Glamis foi uma agradável surpresa. Quase desistimos de visitá-lo por conta do tempo apertado, pois tínhamos que pegar o trem para Londres nesse dia, devolver carro, etc. Porém, decidimos arriscar. O castelo é lindo por dentro e por fora. Foi nele que Elizabeth, a rainha mãe, passou a sua infância.

Castelo Glamis

Vacas peludas no pasto do Glamis!

A Escócia é um país lindo e os escoceses têm a fama de serem alegres e simpáticos! A população não é tão densa e há muito espaço vazio. Os muitos vales solitários, os grandes lagos, a vegetação, as montanhas compuseram um cenário perfeito para quem queria paz e contato com a natureza.

Para quem se interessar, eis o mapa com os pontos visitados marcados!

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Processo seletivo para Mestrado

24 maio

Este post é super especial, pois tem como objetivo contar uma notícia muitíssimo feliz! Fui aceita no mestrado!!! É claro que assim que recebi a notícia o frio na barriga bateu instantaneamente e por um minuto esqueci até de comemorar e já comecei a pensar “E agora?”, “Como vai ser?”, “Será que darei conta de fazer um mestrado em inglês, se em português já não é fácil?”. Todas as minhas inseguranças em relação à língua pipocaram em minha mente com uma potência…aff! Mas decidi que vou só me preocupar com isso em setembro, quando o mestrado de fato começa. Uma coisa de cada vez, Rhani!

Na verdade ainda não está certo, certo, pois ainda não me inscrevi oficialmente, mas tenho a oferta da vaga na mão. Me candidatei para três universidades e fui aceita nas três e ainda não me decidi por qual. Tenho que fazer isso para ontem…

A seleção de mestrado aqui é bem diferente do Brasil. No Brasil, é um processo é longo, tem que se ter um projeto de antemão, fazer prova específica, prova de línguas, entrevista…aqui não!

No meu caso funcionou da seguinte maneira: análise de histórico escolar, duas referências (acadêmica ou de trabalho), personal statement, preenchimento de uma ficha na qual você relata a sua experiência profissional e acadêmica e IELTS (International English Language Testing System), caso você seja estrangeiro. Dependendo da sua área de atuação, é exigido que se envie portfólio. Você pode optar também em fazer o mestrado full-time (em 1 ano) ou part-time (2 anos).

Somente uma das universidades que tentei exigiu que uma das referências fosse da academia, um ex-professor, tutor, etc. Nas outras, essas referências podiam ser do trabalho ou da academia, não importava.

O personal statement é uma espécie de carta que você envia à universidade contando um pouco sobre a sua experiência, as suas aspirações, as suas motivações para fazer esse mestrado, o que ele poderia te acrescentar e quais são seus planos para o futuro. É muito importante fazer um bom personal statement, pois é o momento que o avaliador tem de conhecer você e também de você convencê-lo porque merece a vaga. Há casos que há ainda um entrevista, os editais aventam essa possibilidade, mas no meu caso, felizmente, não precisei fazer. Recebi uma oferta incondicional! Ufa..

O IELTS é um exame de proficiência na língua. Ele é o mais aceito nas universidades daqui. Há dois tipos, o Academic Training e o General Training. O aceito nas universidades é o Academic Training. O exame consiste em 4 etapas: listening, reading, writing e speaking. Não é um exame difícil, o problema é o tempo. Você tem 1 hora para fazer 40 questões do reading e 1 hora para escrever duas redações, uma com 150 palavras e outra com 250. O listening também são 40 questões e não repete! E o speaking demora mais ou menos 15 minutos e consiste em 3 partes: a primeira é uma espécie de apresentação/entrevista; a segunda o examinador te dá um tema e você tem que falar de 1 a 2 minutos sem parar sobre ele; e a terceira é um debate entre você e o examinador, geralmente sobre o tópico que você acabou de comentar.

No IELTS não tem essa de ser aprovado ou não aprovado. Cada universidade decide a partir de qual nota aceitará determinado aluno. Na minha pesquisa, não vi nenhuma aceitando aluno com menos de 6. O máximo que vi cobrando foi  7.5.

Scores

Como disse, a prova não é difícil, mas o tempo é muito curto e então você tem que estar por dentro da prova. A melhor forma é fazer as provas anteriores para ir se familiarizando com o que vai ser exigido. Não cai gramática, nada disso. Acho que é uma prova mais de agilidade do que de habilidade…

Enfim, eu fiz um curso preparatório para IELTS aqui, no The English Studio. Para mim foi essencial, pois treinei bastante para a prova e tinha um professor para corrigir as minhas redações, já que não escrevia em inglês há muito tempo. Mas quem quiser estudar sozinho, eu achei diversos sites com exercícios, que me ajudaram bastante, principalmente no listening, habilidade que me dava mais mal nos exercícios. Eis os sites:

http://www.ielts-exam.net/

http://www.examenglish.com/IELTS/

http://learnenglish.britishcouncil.org/en/ielts

http://www.ielts-blog.com/

Agora é aguardar quais serão os próximos capítulos dessa “novela”  mestrado. Sensação estranha de que chegue logo e de que não chegue nunca ao mesmo tempo!!!

Holland Park

20 maio

Diante da dificuldade de recapitular tanta coisa que me aconteceu nesse 1 ano fora, decidi começar pelas coisas que estão perto de mim. O Holland Park desde outubro é o parque mais próximo da minha casa. O curioso é que foi o primeiro parque que conheci em Londres, no meu primeiro dia de passeio pela cidade.

Holland Park - mar 2010/primeiro passeio - Banco do Fernando

E não é que me apeguei a ele? O Holland é um parque relativamente pequeno, comparado aos gigantes Regent’s Park e Hyde Park por exemplo. E por isso mesmo gosto tanto, por ter um ar familiar, de bairro, embora também atraia turistas, já que fica perto de Notting Hill (sempre lotado de visitantes, ainda mais depois do filme “Um lugar chamado Notting Hill”). Muitos acreditam que a cena final do filme foi gravada em um dos bancos do Holland, mas pesquisei e não encontrei nenhuma informação….

Xadrez Gigante Do Holland

E o londrino AMA parques! A minha sensação é de que em todos os bairros há um. São áreas tão valorizadas, que os imóveis ficam mais caros cada vez mais que você se aproxima de um.

Ilustre morador do Holland

No começo achava estranho essa relação do londrino com o parque. Acho que porque nunca frequentei parque em minha vida, afinal, tinha a praia. Então achava que os parques não iriam me chamar a atenção, afinal, que graça tinha ficar estirado na grama sem uma água para me refrescar depois?

Banho de Sol

Acontece que tudo muda e eu quebrei a minha cara! Os parques são uma delícia e servem a muitas funções. Pode ser o lugar para uma corrida. Pode ser o lugar para um café. Pode ser um lugar para ler um livro, escutar uma música. Pode ser um lugar para fazer um piquenique. Pode ser um lugar para simplesmente ver a vida passar…

Café da manhã no Holland

E morando aqui percebi o quanto é necessário ter um local ao ar livre por perto. O frio intenso do inverno e, o pior, a falta de luminosidade, obrigam as pessoas a ficarem somente em locais fechados, com roupas pesadas, por vários meses. Quando o Sol começa a dar sinais de vida por aqui, todos ficam tão alegres que correm para os parques para pegar um solzinho, ainda que fraco, colocar os pés para fora e aproveitar intensamente os meses mais amenos! Isso é que eu mais gosto, a intensidade com a qual as pessoas aproveitam os meses ensolarados…talvez seja uma tentativa (em vão) de absorver toda a energia solar para os meses “terríveis”…hahaha

Holland Park no Inverno

Logo que o tempo começou a melhorar, fui estudar no Holland para aproveitar o lindo dia. Sentei no gramado, coloquei a minha canga e comecei a ler. Alguns minutos depois chegaram três mães com seus respectivos bebês. Colocaram um tapetinho na grama, alocaram seus filhotes nele, disponibilizaram brinquedinhos diversos e abriram um champanhe. Isso mesmo! E ficaram lá papeando, com suas tacinhas de champanhe na mão….fiquei pensando “será alguma comemoração especial?”, “será isso um hábito?”, “isso é normal?”. Enfim, nunca saberei. Só sei que curti esse “way of life”  londrino…;)

Holland Park no Outono

Holland Park na Primavera

Acho o Holland um parque bem “romântico” também. A maioria dos seus bancos tem inscrições, homenagens a pessoas que já se foram e eram apreciadores, frequentadores do parque. Acho lindo, uma tentativa de eternizar momentos felizes um dia vivido naqueles bancos…

Bancos

Inscrição: "In loving memory of Elsie and George who enjoyed many happy hours in Holland Park"

Florença e Pisa

17 maio

Florença/Pisa foi a última viagem que fiz (maio/2011) e por isso vou fazer um post aproveitando que todas as informações estão frescas.

No Brasil, quando viajava, não tinha o hábito de pesquisar sobre o lugar. Geralmente queria só sentir o lugar e me perder mesmo na viagem, sem muita programação definida. Aos poucos, aqui, fui adquirindo e descobrindo um prazeroso hábito: ler e planejar a viagem. Essa necessidade se impôs visto o enorme volume de informação e novidades que estava exposta. Tantos lugares, tantos famosos monumentos que me confundia e ainda me confunde! E o velho continente tem muita história para contar e eu, marinheira de primeira viagem, não queria perder nada!

A viagem a Florença foi a primeira que me impliquei no projeto planejamento. Isso porque as minhas viagens anteriores na Europa eu estava sempre acompanhada de “locais”, o que me fazia relaxar e simplesmente aceitar as sugestões e viver a cidade pelos olhos do morador. Foi assim nas duas vezes que estivemos na Escócia, nas duas vezes em Portugal, foi assim em Grenoble, em Amsterdã…(depois farei pequenos posts sobre essas viagens, para registrar o que guardei delas…).

Nunca tinha estado em Londres quando desembarquei aqui para morar. Então precisei de um desses guias (mais precisamente o guia de Londres da Folha de São Paulo) para desbravar a cidade inicialmente, conhecer a sua história, conhecer os seus principais monumentos, ver as indicações…

Daí usei esse recurso e peguei emprestado na livraria pública do meu bairro um guia sobre a Toscana (Florença é a capital da Toscana). Paralelamente a isso peguei indicações no blog da Adriana Miller, disparado o melhor blog de viagem. Essa é a vantagem de um blog, as dicas são frescas, são reais, são relatos de caminhos que pessoas comuns fizeram para visitar determinado local. O conteúdo não é fechado…e ainda criei um mapa no google marcando os pontos que queria passar. Eis o filho: 

Sem mais delongas, vamos ao que interessa: a viagem! Voamos para Pisa, porque viajamos de Ryanair e essa companhia não faz Florença. Já que estávamos em Pisa, aproveitamos para dar uma paradinha e ver a famosa torre torta. Do aeroporto pegamos um trem para a estação de trem Pisa Central (5 min, 1 euro). Pisa é uma cidade universitária, o turismo se concentra nessa parte histórica na qual a torre torta se encontra. Fiquei impressionada com a torre, não imaginava que ela seria tão torta. Ela é impressionantemente torta! A fila estava tão grande para subir nela, que me contentei de a ver por fora. Ficamos sentados algumas horas apreciando-a e depois partimos para Florença. Sinceramente não vi a necessidade de ficar muito tempo em Pisa, acho que ver a torre é imperdível, mas acho que é só isso mesmo. Ir para Florença foi facílimo. Há trens mais ou menos a cada 20 minutos de Pisa Central para Florença (49min, 5,60 euros).

Torre de Pisa

Torre de Pisa

Florença é uma cidadezinha que inspira/respira arte. Toda esquina você esbarra com uma estátua, com um prédio com um detalhe diferente, com uma piazza (praça) charmosa, com galerias de arte, museus e muitos turistas. Como muitos dizem, é um “museu a céu aberto”. E é mesmo! É impressionante como uma cidade daquele tamanho conseguiu acumular tanta “arte”. Tem uma explicação. A rica família Médici, que governou Florença por muitos anos, investiu pesadamente em arte, patrocinando artistas como Michelangelo. O que você verá em Florença é basicamente arte renascentista, já que essa cidade foi berço do Renascimento, junto com outras cidades italianas.

Entramos em dois museus: galeria Uffizi e galeria da Academia. Apesar de ter muitos outros, esses dois são os mais indicados. O primeiro abriga o famoso quadro “O nascimento de Vênus”, de Botticelli. E o segundo, a famosa escultura David de Michellangelo, que antes se encontrava na Piazza della Signoria, mas foi transferida para o museu e em seu lugar foi colocado uma réplica. Confesso que fiquei bem mais impressionada com a estátua do David. Ela é linda, grande, perfeita, feita a partir de um único bloco de mármore…

Piazza della Signoria

Destaco a Piazza del Duomo, onde se encontram a linda Catedral de Santa Maria del Fiori, a torre do Sinos e o batistério; a ponte Vecchio, que foi “fechada” anos atrás para que os açouqueiros instalados na ponte não jogassem dejetos no Rio Arno – evitando a sua poluição-, dando lugar a lojas de jóias, sendo assim até hoje; e a Piazza Michelangello, um ótimo lugar para ver o pôr-do-sol. De lá se vê a Ponte Vecchio, o rio Arno, a praça Duomo…

Piazza del Duomo

Catedral de Santa Maria di Fiori

Ponte Vecchio

Pôr-do- sol na piazza Michelangelo

"Praia" no Rio Arno

Um amigo italiano nos indicou um restaurante divino chamado Buca San Giovani, que eu recomendo solenemente!

O resto da viagem preferimos ficar ao ar livre, nos perdendo nas ruazinhas de Florença, tomando gelato e comendo as deliciosas comidas italianas! Amei a minha primeira vez na Itália!!! Desejo ser a primeira de muitas…

E agora José?

16 maio

Desde que saí do Brasil, um pouco mais de 1 ano atrás, algo se modificou na minha relação com o mundo virtual. Se antes pouco ligava, uma vez que eu podia “esbarrar” em qualquer esquina com amigos e familiares, em Londres se tornou uma obsessão. É a minha principal forma de comunicação com meu país. Me vejo horas a fio no facebook, globo.com, gmail e blogs diversos….

E daí pensei “por que não escrever um blog?”. Assim as pessoas do Brasil ficariam sabendo das minhas aventuras em Londres e me pouparia tempo, já que não precisaria atualizar um amigo ou outro de tempo em tempo. Mas cadê a coragem? Não vinha! Veio, 1 ano depois…

Os receios são tantos. Primeiro por conta da exposição, de abrir um espaço pessoal para o mundo e dar a cara a tapa para as múltiplas opiniões. Depois os questionamentos “será que a minha vida é tão interessante assim?”, “qual a necessidade disso?”, “sobre o que escreverei e com qual propósito?”…blá, blá, blá.

Enfim, eis que chegou a hora de deixar o blá, blá, blá e partir para a ação…falar, falar, SÓ falar é o que eu quero! Não importa para quem, pode ser só para mim. Estou precisando fazer, materializar, concretizar…

Termino com uma conversa que tive em 2001 (2002?), quando ainda estudava jornalismo na UFF, com minha querida amiga Camilla Antunes. Me lembro que ela foi fazer uma seleção de estágio na Globo e os candidatos tinham que escrever sobre um assunto super novo, os blogs. Na época comentamos “mas que difícil esse tema?!”. Eu mesma a indaguei: mas o que são os blogs, o que vc escreveu? Ela me explicou: blogs são uma espécie de diários na internet, moda entre os adolescentes. Eu: Hã? Qual o sentido disso? Um diário não é para ser secreto? Qual a lógica?

hahahaha…é, pelo visto muita coisa mudou desde então, inclusive (principalmente) eu…

Testando…1,2,3!

16 maio

Alô você do mundo virtual?! Será que um dia aprenderei a manusear esse trem?! Testando 1, 2, 3…