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Barcelona

3 jun

A visita à Barcelona nesse ano foi muito mais motivada por razões pessoais do que turísticas. Um casal muito querido de amigos, que conhecemos aqui e chegaram junto com a gente, resolveu trocar a cinza Londres pela ensolarada Barcelona. Foi triste vê-los partir, pois nos apoiamos muito nesses três primeiros anos fora, principalmente na escuridão do inverno, mas ficamos felizes em vê-los bem nessa nova aventura! Isso que importa, sempre!

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Churrasquinho na laje.

Em 2011, fiz um post (clique aqui) detalhado sobre o circuitão turístico, pelo menos o que consegui ver, pois Barcelona é uma cidade grande, com atrações espalhadas. Desta vez, como já conhecíamos bem a parte turística, principalmente o Felipe, que estava retornando à cidade pela terceira vez, relaxamos e aproveitamos mesmo os amigos, fizemos jantares, churrascos e ficamos mais perambulando sem compromisso.

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Festival de cultura Andaluza no Fórum de Barcelona

Porém, da outra vez, não subi no parque do Montjuic, pois preferimos ficar na praia de Barceloneta aproveitando o Sol (sempre ele!). Mas, dessa vez, não perdi a oportunidade de ver Barcelona do alto!

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Vista de Barcelona do Montjuic

O parque do Montjuic é enorme e as atrações diversas. Abriga museus, como a Fundação Miró e o Museu Nacional de Arte Catalã,  jardim botânico, complexo olímpico, fonte mágica, castelo  e palácio, para citar algumas das atrações do parque. Além disso, tem uma vista incrível da cidade.

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Vista de Barcelona do Castelo do Montjuic

Dê uma olhada aqui para se informar sobre todas as atrações do parque e como chegar nelas por transporte público. Há várias opções de ônibus. Subimos no Montjuic de furnicular, que é integrado ao metrô e, portanto, não se paga nada a mais para utilizá-lo. A troca é na estação Paral-lel (linha 2 e 3). Há também os teleféricos (aeri), que saem do Port Veil de  Barcelona, porém, mais caros (15 euros, ida e volta). Acesse aqui sobre os horários: http://www.telefericodebarcelona.com/IndexCat.html

Lá em cima há outro teleférico com 3 estações dentro do parque. Preferimos fazer a pé mesmo, mas tem muitas escadas e se você tem problemas de locomoção ou não gosta de subir escadas, pode ser uma boa. Custa em torno de 9 euros. Olhe aqui: http://www.barcelonaturisme.com/Teleferico-de-Montjuic/_vf-SMlY1yIuKQTV1aq49kJLSZqWPVp5H4ouSb22zi_wPIXQ6GELBrQ

Transporte do Aeroporto

– Da outra vez, pegamos taxi do aeroporto de Barcelona para a cidade (pagamos uns 30 euros) . Dessa vez optamos pelo trem e não nos arrependemos. Do terminal 2, pelo menos, a plataforma do trem é conectada ao aeroporto, sendo bem simples acessá-lo. E o preço é melhor ainda! Você pode comprar um ticket com 10 passagens (sai mais barato do que comprar no individual), que custa 9, 90 euros e duas pessoas podem usar. Há trens de meia e meia hora para Barcelona e o trajeto é de 30 minutos. Olhe aqui os horários.  Há ônibus também, que custam por volta de 5 euros. Acesse esse link para informações mais completas sobre os transportes que conectam o aeroporto à cidade: http://www.barcelona-airport.com/eng/transport_eng.htm

Restaurante:

– Se tiver, por acaso, passeando pelo bairro de Gracía, comemos muito bem num restaurante Sírio do bairro. Serviço ótimo e o esquema bom, bonito e barato. Comi um pratão com kibe, falafel, humous, salada e pão por menos de 10 euros, tudo delícia. Site com endereço aqui: http://www.ugarit.es/

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Barcelona

15 jun

Poderia começar este post de muitas maneiras, falando, por exemplo, da presença massiva do arquiteto Gaudí na cidade e suas lindas intervenções; ou pela revitalização de Barcelona após as Olimpíadas de 1992 ou, ainda,  descrever o quanto Barcelona respira e inspira arte, afinal, nessa cidade moraram nada menos que Picasso, Dalí, Miró, Gaudí, para citar os mais famosos.

Porém, quero começar falando sobre a situação complicada que a Espanha vive nesse momento. A taxa de desemprego no país está por volta de 20% e, entre os jovens, mais de 40%; a  esquerda, após 32 anos governando Barcelona, perdeu as últimas eleições. Diante desse cenário conturbado e de transformação, jovens ocupam a praça da Catalunha desde 15 de maio. Preocupados com a falta de perspectivas, a praça da Catalunha virou um verdadeiro acampamento e local de debates.

Barcelona – zona de brutalidade policial

Visitamos a praça e o que vimos foi isso: estátuas cobertas, uma infinidade de cartazes, grupos de jovens reunidos debatendo, muitas barracas, música, capoeira, cerveja, etc.

Praça da Catalunha
Praça da Catalunha – reparem na estátua ao fundo. Estavam todas cobertas, fantasiadas

Voltando ao turismo. Pode-se dizer que o arquiteto catalão Gaudí é a alma de Barcelona. Nada menos que 7 obras do Gaudí foram declaradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Elas são tão marcantes na cidade, que chega uma hora que você precisa dar até uma “respirada” da sua arte tão típica.

Parque Güell – dragão que virou símbolo da obra de Gaudí

Foi um “alívio” quando visitamos o Palácio da Música Catalã, construído por outro arquiteto, Lluís Domènech i Montaner, que também projetou o famoso Hospital St Pau, que não tive tempo de conhecer. O Palácio da Música Catalã é lindíssimo por dentro. A sala de concerto tem capacidade para 2,200 pessoas e foi a primeiro auditório da Europa a usar somente luz natural durante o dia, graças aos muitos vitrais – o mais pomposo o do teto, uma espécie de cúpula invertida em tons amarelos, cercado de tons azuis, representando o Sol e o céu. Em 1997, recebeu da UNESCO o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Uma pena não poder tirar fotos dentro!

Palácio da Música Catalã

Bem, voltando ao Gaudí, a primeira obra que visitei dele foi a Casa Bartló, também conhecida como Casa dos Ossos. Esta construção surgiu a partir de uma competição entre 3 arquitetos modernistas rivais e o quarteirão onde essas casas se localizam ficou conhecido como o “Quarteirão da discórdia” (Casa Bartló – Gaudí; Casa Amatller – Puig i Cadafalch; Casa Lleó Morera – Domènech i Montaner).

Casa Bartló (direita) e Casa Amatller lado-a-lado.

A Casa Bartló é fantástica. Não há linhas retas e nem quinas. Várias partes dela se parecem com formas de animais, como um corrimão em forma de um grande esqueleto. Gaudí brincava muito com a luz e os seus projetos tinham essa preocupação, de usar a luz natural de uma forma funcional. Ele deu várias soluções para isso usando azulejos azuis com tonalidades variadas, janelas de tamanhos diferentes e vitrais. O resultado é uma casa linda, com uma proporção fora do comum e muito funcional.

Casa Bartló

A segunda obra que visitei do Gaudí foi o edifício La Pedrera, localizado na avenida “Paseo de Gracia”, mesma avenida na qual a Casa Bartló se encontra. O que mais gostei desse prédio foi o teto, que parece a gravura Relativity do Escher.

A terceira foi o lindíssimo Parque Güel, projetado por Gaudí e construído entre os anos 1900 e 1914. Ele fica situado no alto de um morro, de onde se tem uma vista da cidade.

Parque Güell
As 3 cruzes – Parque Güell
Lindo teto da “Sala das 100 Colunas”

E para finalizar, a última e impressionante obra de Gaudí que visitei foi a Igreja Sagrada Família, que está em construção desde 1882 (Gaudí assumiu o projeto em 1883) e a previsão atual é que esteja pronta em 2030. Será?

Sagrada Família

Gaudí morreu em 1926 quando menos de um quarto da igreja estava construído. Ele se envolveu tanto com o projeto, que passou a morar na Igreja e morreu atropelado em suas imediações. A Sagrada Família tem 3 grandes fachadas. Uma representa o nascimento de Cristo (fachada que ele mais trabalhou); outra, a morte; e a terceira, a ressurreição. Esta última só começou a ser construída em 2002, então ainda não se pode ver nada. A que eu mais gostei foi a fachada que representa a morte. É tão bonita, representa a dor, todas as estátuas estão cabisbaixas e com um semblante de tristeza. E Cristo não está “colado” na cruz, o seu corpo tem um peso.

Fachada que representa a morte de Cristo

Por dentro a igreja está bem inacabada, porém, com os poucos vitrais que tem, já se pode imaginar o quão bonita ela ficará por conta das muitas cores que entrará na igreja por eles. O teto também é impressionante!

Teto da Sagrada Família

Saindo do “circuito” Gaudí, adorei o parque da Cidadela. O parque Güell é muito turístico e o da Cidadela parece ser aquele frequentado pelos moradores. Quase não entramos nele, mas que bom que mesmo exaustos pelas muitas andanças paramos para conhecê-lo. É lá que fica a sede do Parlamento da Catalunha. E tem uma fonte enorme, muito linda.

Parque da Cidadela

Além disso, presenciamos um grupo dançando músicas à la anos 60 no coreto. Super divertido! Aliás, Barcelona é bem musical, pois no dia anterior presenciamos também em frente à catedral de Barcelona um grupo enorme de pessoas dançando alguma música típica. Ambos os casos não eram dançarinos profissionais não. Eram pessoas comuns se divertindo e bailando!

Dança no coreto
Pessoas dançando em frente à Catedral…

Como vivo uma carência de Sol aqui em Londres, troquei alguns passeios culturais pela praia de Barceloneta (Fundação Miró, Museu do Picasso, Montjuic, etc). A praia é normal, urbana, mas não podia perder a oportunidade de dar um mergulho. E esse simples mergulho merece um comentário. A praia em Barcelona é engraçadíssima para os padrões brasileiros. Para começar, topless é a coisa mais natural do mundo. Até aí tudo bem, mas o engraçado foi ver pessoas nuas completamente, na boa, andando. Como para gente não é natural, eu ficava olhando tudo e achando tudo engraçado demais (as pessoas chegam de roupa e se trocam na praia, sem a menor cerimônia!rs). Mas o legal é que para eles é tão natural isso, que não gera nenhum constrangimento. E o melhor, todos convivem no mesmo espaço. Não é preciso criar espaços para a nudez, ou a semi-nudez, em praias afastadas. Todos estão ali, da maneira que querem, numa praia urbana, central.

Barceloneta

Esse choque cultural é interessante pois você acaba conhecendo a sua própria cultura. Para nós, brasileiros, a nudez é tabu. As nossas praias, embora não tenham mulheres com os seios à mostra, é super erótica, muito mais do que Barceloneta, por exemplo. As estampas dos biquínis, os lacinhos, as bolinhas, o tecido que só cobre o mamilo, ou quase nada da bunda, gera um ambiente de muita sensualidade, de “mostra, mas não mostra”. Entretanto, em Barceloneta, onde o nu é exposto de forma tão natural, a sensualidade se perde, um peito é um peito, uma bunda é uma bunda, sem muitas fantasias a respeito disso. Bem, como sou uma boa brasileira, tive super dificuldade de fazer meu primeiro topless da vida…hahahha…acho que eu prefiro mesmo o tradicional biquini!!!hahahha

Bem, de resto fiquei perambulando pela La Rambla, pelo bairro gótico, pelo Porto Velho, comendo Tapas e levando uns “canos” dos espanhóis (cuidado, turistas!!!)…

La Rambla
Porto Velho