Protótipo de mãe

12 maio

Quando descobri que estava grávida, uma das primeiras coisas que pensei foi “Caramba, estou grávida e longe da minha mãe!”.

Não que não sobrevivemos sem a nossa mãe, mas muita coisa fazemos questão de não aprender, porque elas fazem muito melhor que a gente. Nesse momento gravidez então, nem se fala! É a pessoa que mais te conhece, que está com você desde o dia que você viu a luz do mundo pela primeira vez. Tê-la por perto é ter a segurança necessária de que tudo vai dar certo nesse processo, afinal, ela já o trilhou há muitos anos atrás para nos gerar…

Acho que essa vontade de ter a mãe por perto está relacionada com a mudança de papel que está prestes a acontecer na vida da grávida, principalmente na primeira gravidez. Parece que esses 9 meses de gravidez são momentos derradeiros, os últimos só como filha. É claro que serei filha dela para sempre, mas também serei mãe e o ponto de referência para alguém. E ser a provedora não é fácil! É se fazer de forte, quando não se é, é receber todo o tipo de demanda vinda dos filhotes, pois, afinal, que mãe que não sabe e resolve tudo? E os filhos demoram a entender que a mãe é uma pessoa, que ela errou por medo, que muitas vezes foi insegura, que tinha um milhão de problemas com o mundo e que teve crescer muito para alcançar esses “super poderes”,  à custa de muita “ralação”, tanto física quanto psíquica.

Uma vez li em algum lugar sobre o quanto a natureza era sábia, nos dava 9 meses para nos acostumar com a ideia de ser mãe. Por isso adoro a expressão em inglês, que sou na verdade uma “mother to be”, o que significa mais ou menos que sou uma “mãe a ser”. É claro que poderia ser mãe hoje, se um bebê caísse no meu colo, porque mãe não é só aquela que gera. No entanto, quando não se tem o “objeto” ainda,  não!  É uma relação que vai se construindo a dois (3, 4, 5?), com o tempo e começa a se materizar ao longo desses 9 meses.

No começo não há sinais algum no corpo. Aos poucos eles começam a aparecer e, com eles, o se dar conta de que há uma vida sendo gerada. Porém, tudo é muito no escuro, são sonhos, planos, idealizações de um ser sem rosto ainda. Não há como saber desde agora que tipo de mãe serei. Só na presença dele é que um dia me darei conta se fui a mãe neurótica, a relaxada, a liberal, a rígida ou todas elas…só caminhando para saber que história escreveremos juntos.

Bonita, conflituosa, conturbada, afetuosa, todos tem uma mãe e uma história para contar. Que eu possa escrever uma história linda com o meu filho e que um dia ele olhe para trás, como faço hoje, e agradeça a mãe que tem, que presente ou ausente, chata ou legal, amorosa ou rígida, na terra ou no céu, é só nossa e de mais ninguém!

Olhar de amor!

Olhar de amor!

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10 Respostas to “Protótipo de mãe”

  1. Renata Huguenin maio 12, 2013 às 6:02 pm #

    Chorei! Seus texto mais uma vez emocionando, querida! Parabéns!

  2. Suzana Huguenin maio 12, 2013 às 9:07 pm #

    Oh…eu aqui vivendo o mesmo momento, realmente não tenho palavras para agradecer a minha mãe por perto. Lindo seu texto!

    • desconstruindorhani maio 13, 2013 às 8:46 am #

      Obrigada, Suzana! Muito em breve a nossa vez chegará e seremos mamãe de alguém…muita ansiedade, né???

  3. Maria de Fátima Acioli de Lanteuil maio 12, 2013 às 9:41 pm #

    Lindo texto, lindas reflexões! Você, com certeza, será uma mãe incrível! Você é carinhosa, atenciosa, paciente “dentro dos limites”, inteligente, intuitiva… É , você será uma mãe espetacular! E olha que essa são palavras de “sogra”! Beijos querida!!!

  4. Izaura maio 13, 2013 às 11:12 am #

    Rhani
    Minha percepção da maternidade mudou completamente quando passei a interpretar a situação sob o outro ponto de referência. É preciso deixar claro que tenho uma mãe dedicada, afetuosa, impecável, mas não acho que uma mulher se torne especial só porque carregou outro ser dentro de si. Algumas merecem meu respeito, outras nem tanto. A impossibilidade de viver essa realidade faz com que os homens idolatrem as mulheres mães e com isso rendam tantas homenagens. Estou muito longe de ser aquela imagem da bondade e compreensão. O egoismo, a imaturidade e tantos outros defeitos fazem parte dessa pessoa mãe que me tornei e de tantas outras. Então te pergunto, porque mereceríamos um dia prá sermos homenageadas?
    Costumo dizer que quando nasce o primeiro filho junto nasce uma mãe e um pai que não temos a mínima idéia de como desempenharão suas funções. Alguns surpreendem positivamente outros deveriam até ser proibidos de assumir essa missão! Meus filhos são adoráveis pessoas do bem, mas não vejo isso como mérito da criação mas pura indôle. Muitos filhos de mães dedicadas são tiranos, não existe regra, essa é a maior dificuldade. Enfim, desejo que vc encontre o tão dificil equilibrio na maternidade e que não permita ser sufocada pelas milhares de cobranças que a sociedade vai te impor.
    Desejo também que a futura mãe Rhani venha para completar e não para subtituir a Rhani pessoa que tanto admiramos e queremos estar próximos.
    Muita sorte e sabedoria prá você e saúde pro Tom para começarem juntos uma bela trajetória de amizade, carinho e respeito. Me desculpe se meu comentário foge do lugar comum mas quis registrá-lo aqui no seu blog para vc poder reler daqui há alguns anos.
    Beijo da tia que muito te admira e quer o seu bem. Izaura

    • desconstruindorhani maio 13, 2013 às 11:33 am #

      Adorei o comentário, querida! Falou e disse!!! Com certeza não basta parir para ser mãe. Muitas pessoas exercem a função materna muito melhor do que as mães biológicas…para essas, um parabéns maior ainda!!!

      E não basta ser mãe para ser elevada ao grau máximo de bondade, dedicação e perfeição. Mãe são pessoas, tentando sobreviver na “selva” com seus filhotes, com todos os defeitos que todos nós temos. E nunca são poucos!

      E os filhos são seres independentes, que por mais esforço que tenhamos, têm vontade própria e escreverão as suas histórias, do jeito que quiserem, queiramos ou não….

      Vou guardar sim seu comentário! Sempre é bom ter perspectivas diferente, que fogem àquele ideal de perfeição da figura materna!!!

  5. Rafa maio 13, 2013 às 6:23 pm #

    Linda!
    Para variar, amei seu texto!
    Tenho absoluta certeza que você será a mãe perfeita para o Tom! Você é amorosa demais e acho que amor é a base de toda relação, especialmente na relação mãe-filhos.
    A maternidade nos afeta de muitas formas e a primeira mudança, pelo menos para mim, foi experimentar um amor único, altruísta, intenso demais! Eu nunca amei ninguém como amo o Pedro e nunca fui amada como sou por ele! É muito amor! E lidar com isso também é difícil, pois acabamos que esquecemos de nós e nos tornamos apenas mãe. Dosar esse amor para não sufocar ou super-proteger é árduo demais. Como uma mãe que acabou de completar 2 anos, afirmo que ainda não encontrei essa dose correta e tenho dúvidas se um dia vou encontrar. rsrsrsrsrs
    Outra questão que me aflige é o fato de não saber se estou fazendo o coisa certa, no momento certo. A maternidade é dinâmica, cada dia temos que lidar com situações que não temos como estudar ou perguntar a alguém. Temos que decidir ali, na hora! É assustador, principalmente para alguém como eu, extremamente controladora e perfeccionista! rsrsrsrsrs
    Por várias vezes, me perguntei: “e agora? o que faço ou falo?” Tudo acaba indo pela intuição, pelo tal instinto maternal, ou pelo exemplo que tivemos da nossa mãe. Agora, será que é o mais correto a se fazer? Não sei, eu nunca sei!
    Por isso, rezo todos os dias e peço a Deus sabedoria para poder ser uma boa mãe, a mãe que o Pedro precisa ter. Para garanti, já comecei minhas orações para a mãe Rhani e para o afilhadinho Tom. rsrsrsrsrs
    Além disso, temos muitos sorrisos, beijos molhados, choros de sono que só colinho da mamãe resolve, “bom dia” iluminado pelo sorriso mais lindo do mundo, passeios deliciosos, um companheiro para as refeições, um amigo para enxugar as lágrimas quando a Dinda volta para casa, brincadeiras de criança, etc.
    A maternidade é contraditória, mas maravilhosa! Eu recomendo!

    Prepare-se pois muitas emoções estão por vir!
    T amo, mamãe Rhani!
    bjs,
    Rafa

  6. Celso maio 13, 2013 às 11:31 pm #

    Querida futura mãezona!

    Missão é coisa para militar, missionário, astronauta, piloto de linha aérea e mães…

    Das mães que de perto convivi, admirei e admiro, o amor tem sido a característica mais presente entre elas. Com amor tudo se ajeita. E amor de mãe é medicina poderosa. Cura dores da alma, aquece, alimenta, cicatriza feridas profundas, mas é claro que não é só isso.

    O amor desequilibrado, que tudo permite pois acha bonitinho, pode ajudar a construir o egoísmo, pequenos tiranos que só conseguem enxergar seu próprio caminhar. Equilibrar essa dosagem é sabedoria que algumas mães possuem, outras nem tanto. Você pelo que te conheço, vai acertar muito mais vezes do que errar e os erros que cometer, você vai saber transformá-los em aprendizado, pois ser mãe, me parece, é continuar a ser aquilo que sempre se foi. E, você Rhani tem muito pouco para mudar, muito colo para oferecer ao Tom. Antevejo uma grande parceria. Vai dar tudo certo, ou melhor, já está dando tudo certo.

    Beijos do Tio coruja.

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