Museu da Infância

24 maio

Recentemente, meio que por acaso, visitei o Museu da Infância (V&A Museum of Childhood) daqui de Londres. Já havia ouvido falar sobre esse museu, mas como ele fica do lado leste da cidade, longe da área onde moro e circulo mais, nunca havia tido a oportunidade de visitá-lo. Mas estava turistando outro dia com uma amiga, tentando chegar num dos mercados do Leste – o Broadway Market – quando nos deparamos com o Museu da Infância. É claro que paramos nele, afinal, estava um tempo londrino daqueles, o museu é gratuito e a temática bem atrativa para duas psicólogas de formação.

Foto Ricardo Acioli

E é claro que amei o museu. Ele não é grande e está longe de ser um dos museus imperdíveis e principais de Londres, como alguns que já citei aqui. Mas, acho uma boa pedida para quem mora na cidade ou para quem já esteve em Londres por muitas vezes e já viu o clássico. Também pode ser bem interessante para quem estiver com crianças, assim como o Museu de História Natural e o de Ciência, também atrativos para o público infanto-juvenil. O melhor é que enquanto as crianças se divertam, os pais também se divertem relembrando e conhecendo mais sobre os brinquedos de sua infância.

Foto Ricardo Acioli

O acervo é riquíssimo, com objetos desde 1600 até os dias de hoje. É legal ver a história da infância pelos seus artefatos. Lembrei das aulas de psicologia do desenvolvimento, da Professora Lúcia Rabello, na qual discutíamos o conceito de infância. Há um momento histórico no qual essa fase passou a receber atenção especial, passando a ser alvo de diversos saberes. Por muito tempo, não existia uma demarcação clara entre a vida adulta e a infantil, e a criança era vista como quase um adulto em miniatura.

Parquinho de areia dentro do museu para os pequenos!

O interessante – que o museu aborda também – é que a infância continua se modificando, não só por conta da revolução digital, como também por conta do processo de urbanização pelo qual o mundo inteiro está passando. As cidades estão maiores do que nunca e, com isso, problemas ligados ao urbano tem afetado muito o “ser criança”, que hoje vive muito mais dentro de espaços fechados, uma vez que a rua virou sinônimo do lugar do desconhecido, do perigo, do medo, onde ninguém conhece ninguém e ninguém confia em ninguém.  Então, seja no Rio de Janeiro ou Londres, a brincadeira de rua, os amigos de ruas, a vizinhança conhecida, em uma certa medida, já não fazem mais parte da sociabilidade do tempo atual, o que deixa alguns mais velhos nostágicos sobre o tempo em que se podia brincar na rua descalço; ou outros apavorados sobre o que fazer com os filhos vidrados em computador, videogame e TV e uma série de problemas vinculados a isso, como obesidade infantil. Outros “novos perigos” ligados à infância são o consumismo desenfreado, a sexualização e a transformação deles em pequenos adultos…(Será que estamos retornando ao passado?). Enfim, pano pra manga essa discussão, né?

Foto Ricardo Acioli

Gostei também de ver que alguns brinquedos são atemporais, como o peão e também sobre a eterna divisão de sexos relativa ao brincar. Brinquedos do século 17  já demarcavam bem a diferença entre os sexos – os brinquedos femininos voltados para a vida doméstica, como ferro de passar, panelinhas, carrinho de bebê, por exemplo, e os masculinos ligados a alguma ação qualquer (bola, carrinho, etc). Acho que isso se perdura até hoje! Eu, massificada pelos brinquedos femininos que me deram a vida inteira, adorei as lindas casas de bonecas.rs! Parecem obras de arte e não só, são interessantíssimas para entendermos a vida privada do século 17, 18 e 19…

Bem, para quem se interessar, a estação de metrô do museu é Bethnal Green. Mais instruções como chegar aqui.

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2 Respostas to “Museu da Infância”

  1. camillaantunes maio 24, 2012 às 10:20 pm #

    super interessante esse museu, ainda mais para mim q estou entrando na fase dos brinquedos. Davi já tem os dele e eu acho o máximo. Adorei amiga!

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