Uma vida no campo (Interior da França – Parte 2)!

12 maio

No post anterior descrevi o nosso percurso pelas cidades que tinham relação com a família do meu marido. Nesse post falo de outras cidades lindíssimas pelas quais passamos nessa viagem de 1 semana pelo interior francês, riquíssimo em história, castelos medievais e boa comida, apesar de não ser tão conhecido.

Vacas do Limosin

Collonges-la-Rouge é uma cidade fundada no século 8. Ela é mais uma dessas cidades pequeninas por qual passamos. Porém, o que impressiona e a diferencia das outras é a sua arquitetura. Ela é toda vermelha! No dia em que fomos lá, o cenário estava perfeito por conta do contraste das cores provocado pelo vermelho das casas, o céu azul, o mato verdinho ao redor e um sol brilhante. O tempo estava tão divino, que almoçamos ao ar livre, sem pressa alguma.

Collanges-la-Rouge

Almocinho delícia ao ar livre em Collonges

Turenne é uma cidade medieval localizada na encosta de um penhasco. Ela foi o último feudo independente da França, pertencendo à família La Tour até 1738. Já na estrada, é possível vê-la no alto do morro e o que sobrou do castelo de Turenne. No guia da Folha de São Paulo, ela é considerada a cidade medieval mais atraente da Corrèze, embora não seja tão visitada como Collanges. Visitamos as ruínas do castelo, onde se tem uma linda vista do entorno. Bem, não sei se ela é a mais atraente, mas acho que com certeza vale a visita.

Turenne

Turenne

Sarlat-la-Caneda é uma jóia. Ela possui a maior concentração de fachadas medievais, renascentistas e do século 17 dentre as cidades francesas, sendo basicamente um museu ao ar livre. E ela impressiona mesmo! Nos programamos para visitá-la no sábado, quando acontece um mega mercado ao ar livre, famoso por ser um dos melhores do país. Infelizmente choveu muito nesse dia e não pudemos aproveitar a cidade em sua potencialidade, mas mesmo assim foi sensacional.

Sarlat

Rocamadour é uma cidade de peregrinação desde 1166, quando um corpo ainda conservado foi achado num túmulo. Diz a lenda que uma série de milagres teriam acontecido sobre a Virgem Negra e o Menino na capela da cidade após essa descoberta.

Virgem negra/ foto Ricardo Acioli

Desde então a cidade virou rota de perigrinação, atraindo andarilhos do mundo inteiro. A cidade em si é bem bonita, pois fica encrustada na pedra. É legal vê-la de longe, para se ter uma ideia sobre a sua construção peculiar. A melhor vista é da aldeia L’Hospitalet, dica que pegamos num guia turístico.

Rocamadour/ Foto Ricardo Acioli

La Roque-Gageac é uma cidadezinha que impressiona. Ela fica na beira do rio e parece talhada na pedra. O cenário é lindíssimo, o rio, o castelo e a cidade na pedra! Acredita-se que essa cidade é habitada desde os tempos pre-históricos! O nosso único lamento foi de não ter podido ficar mais tempo nela, pois o dia reservado para a sua visita foi um dia com um tempo terrível, o que prejudicou a nossa programação. Já chegamos nela no fim da tarde e ainda com uma cidade para conhecer. Mas tudo bem, sempre é bom ter motivos para voltar!!=)

La Roque Gageac

Visitamos também um dos mais importantes castelos da região da Dordogne, o Castelo de Benyac. Esse castelo impressiona por se localizar estrategicamente num alto de uma montanha. De longe, já se pode vê-lo, imponente. E o castelo em si é bem bonito, pode-se visitar parte dele, já que uma outra parte é habitado (chocante, né?). E a vista que se tem de lá em cima é de tirar o fôlego! De lá, avistam-se outros castelos, além do lindo serpentear do rio Dordogne. O castelo já foi locação de vários filmes, como o Joana D’Arc de Luc Besson e Chocolate (somente a sua vila).

Chateau Beynac/ Foto Ricardo Acioli

Um outro ponto alto da viagem foi a visita a Lascoux II. Lascaux é um conjunto de cavernas no qual foram encontrado pinturas paleolíticas de nada menos que 17.000 anos atrás. Ela foi descoberda na década de 40, porém, por conta do gás carbônico liberado pela respiração humana, as pinturas começaram a se danificar. Então, desde 1963, Lascoux é fechada ao público. Entretanto, uma enorme réplica bem fiel à original – Lascaux II – foi criada e aberta ao público em 1983 para que pessoas do mundo inteiro pudessem apreciar as impressionantes pinturas. Achei que fosse encontrar desenhos pequenos, pobres em detalhes, monocromáticos, mas não. As pinturas são coloridas e enormes! Há várias teorias sobre qual seria o propósito de Lascaux para o seu tempo e uma delas acredita que o local era um lugar de rituais com o objetivo de atrair uma boa época de caça. Outros acreditam que aquelas pinturas tinham como objetivo registrar estratégias de caça bem sucedidas. Enfim, ninguém sabe ao certo o que Lascaux era, mas que aquelas pinturas foram feitas pelos VanGoghs, Picassos, Da Vincis da “era das cavernas”, isso sim!

Montinhac – cidade na qual se compra o ingresso para Lascaux II/Infelizmente não se podia fotografar a gruta, mesmo sendo uma réplica.

Domme é uma cidadezinha medieval fortificada localizada em cima de uma falésia. Mais uma vez, o mesmo cenário. Ruas de comércio medievais, o rio Dordogne ao fundo e restaurantezinhos charmosos. Assim fica difícil de não se apaixonar pela França!

Domme

No nosso caminho entre uma cidade e outra, paramos em Gluges, cidade que não tem nada, a não ser uma igrejinha que Edith Piaf ajudava e passava férias.

Almoçamos também em Beaulieu-sur-dordogne, cidade bem agradável, com casas antiguíssimas e margeada pelo rio Dordogne. Vale à pena caminhar até as suas margens!

Pintura!

Paramos em Curemonte para ver por fora os seus dois castelos.

Fomos a Uzerche, que apesar de ser recomendada, não tivemos uma boa química com ela. Chegamos num domingo lá, estava tudo fechado e realmente não conseguimos nos impressionar com esta cidade, que dizem ter uma vista incrível por conta dos telhados cinzas de ardósia das casas na colina.

Por fim, visitamos também o Castelo de Pompadour. Ele é bonito, mas depois de tanta coisa linda, já estávamos meio vacinados e também cansados, que também não nos empolgamos. O legal da área são os cavalos, já que há um enorme haras em frente (e dentro do castelo também) e também o caminho para acessá-lo, passando pela rota das maças.

Rota das maças

Bem, para terminar, finalizo com um comentário sobre a comida regional. As comidas típicas dessas regiões são os cogumelhos setas e girolles, o fois gras (patê de ganso), pato e as trufas negras. A cada cantinho que íamos, era todo aquele ritual culinário francês com pão, vinho, entrada, prato principal, sobremesa e café. Nem preciso dizer que nos acabamos também no turismo culinário, que faz parte da cultura e turismo francês!

Li que a região está em decadência com a migração da população para as cidades em busca de melhores oportunidades e o declínio do modo de vida camponês, tendência do nosso tempo. Mas foi inevitável não pensar que uma casa no campo – para esticar as pernas quando elas estiverem pesadas com a idade, com um chá ao lado, vendo a vida passar olhando para um vale qualquer, com um rio serpenteando ao fundo – não ia ser nada mal!!! Será que estou virando inglesa e já sonhando com o “countryside”? hahahha. Eu hein, sai pra lá! =)

Esse é o mapa com as cidades pelas quais passamos:

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2 Respostas to “Uma vida no campo (Interior da França – Parte 2)!”

  1. Raphinadas fevereiro 5, 2013 às 4:53 am #

    Seleção interessante!

    • desconstruindorhani fevereiro 17, 2013 às 11:32 am #

      Foi uma surpresa essa viagem! Não esperava tanto, confesso! Lugares pequeninos, comida boa, castelos e muito sossego…

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