Isn’t she lovely?

31 jan

Não me lembro do meu nascimento. A minha memória começa bem depois disso. Mas a minha irmã lembra. Ela lembra do dia em que foi ao hospital me ver pela primeira vez. Ela lembra na verdade bem antes disso, de eu na barriga da minha mãe e da toda especulação se eu seria um menino chamado Demétrio. Que bom que nasci menina.

Não sei o que é ser irmã mais velha. Não sei o que é esperar o irmãozinho nascer. Não sei o que é perder de repente todos os mimos por conta da chegada de um bebê tão demandante. Só sei ser irmã mais nova e caçula. Isso eu sei ser muito bem, a minha irmã que o diga! Fui uma criança insuportável, mimada e emburrada até não poder mais. Até hoje familiares comentam “ô, criança chata!”. Eu explico. Fui amamentada até os 6 anos (uau!). Acho que nem Freud explica essa…

Mamãe conta que a minha irmã ficou com ciúmes quando eu nasci. O primeiro grande ataque foi uma mordida no meu umbigo, eu ainda recém-chegada do hospital. Muitos outros ataques vieram depois, mas aí o meu sistema fisiológico já estava pronto para a ação de “luta ou fuga”.

Mas a verdade é que eu nasci já com uma irmã. Uma irmã para eu copiar, brigar, me espelhar e me diferenciar. E desde que me entendo por gente, eu grudei nela. Grudei tanto, tanto, tanto, que ela não podia brincar por muito tempo na rua, pois eu chorava de saudades e ciúmes. Minha mãe, diante do escandalo, colocava a minha irmã para casa para poder ficar comigo. Coitada. Sempre teve um carrapatinho no seu pé…

E não deu outra. Ela se resignou. As nossas existências estavam ligadas e não havia outra possibilidade além de sermos unha e carne para sempre. E assim somos.

Lembro das nossas brincadeiras de criança. Ela sempre me ganhou nas cartas e no jogo de memória. No videogame, sempre fui um fiasco e ela era quem tinha que passar as fases para mim. Tanto fez, que desisti de jogar e preferi vê-la jogar para “a gente” avançar mais.

Lembro dos nossas pactos para sobreviver ao calor gonçalense. Papi não deixava ligar o ar condicionado, só na hora de dormir (até às 3 da manhã) e no auge do verão. Levando em consideração que São Gonçalo é o local mais quente e “mosquitado” do mundo, no verão não dava outra, subitamente morríamos de sono às 8 da noite…rs!

Lembro que foi para ela quem contei sobre o meu primeiro beijo, no auge dos meus 11 anos (que absurdO!) e ela, com a sabedoria dos 13 anos, me fez prometer que nunca mais faria isso novamente. Que bom que prometi com os dedos cruzados.

Lembro de quando passei no vestibular e ela foi comigo me ajudar a fazer matrícula no caos da UFF.

Lembro do primeiro porre, ela tendo que me limpar toda e inventar uma desculpa pros papis no meu lugar.

Lembro que foi na casa dela que dormi na véspera do meu casamento.

Lembro que ela chorava todas as noites antes de eu vir para cá quando via o edredon de sua cama, que tinha a inscrição “Londres” nele.

Lembro de todas as noites que pulei para a cama dela, sem exceção, para ficar batendo papo até ela me expulsar. Hábito que mantivemos até saírmos da casa dos nossos pais.

Hoje a minha irmã é crescida. Se formou, arrumou um emprego de gente grande, casou e tem um filho. Filho esse que ela me deu para ser Godmother. Gosto da palavra em inglês. Ele é meu Godson, meu filho em Deus. Compromisso simbólico que assumi com todo o meu coração, fruto de tanto amor que temos uma pela outra, que só aumentou com a chegada do pequeno.

Um dia falamos de namoro. Um dia falamos de profissão. Um dia sonhamos em conhecer o mundo. Um dia falamos de casamento. Hoje falamos de filhos. E se formos agraciadas, um dia falaremos e relembraremos dos nossos causos da juventude e sentaremos lado-a-lado para reclamar da artrite e artrose em algum banco de uma praça qualquer…e certamente falaremos “como passou rápido!”.

E a distância, mudou algo?, poderiam alguns perguntar. Não, nada. Nos falamos muitas vezes ao dia. São tantos pequenos emails desejando bom dia, boa sorte, falando de saudade, de amor, maternidade, vida…são tantos skypes…

Bem, mas tem sim algo que a distância atrapalha, hoje é o aniversário dela e infelizmente email nem skype podem abraçá-la por mim. Então, essa homenagem pública é para você, minha irmã de coração e alma.

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12 Respostas to “Isn’t she lovely?”

  1. Renatinha janeiro 31, 2012 às 7:51 pm #

    Que lindo amiga! Parabens Rafinha pelo niver e parabens Rhani pela linda declaracao de amor a sua irma tao querida!

  2. Camilla janeiro 31, 2012 às 7:53 pm #

    Ai q lindo, amiga! Difícil segurar as lágrimas. Fui testemunha durante anos dessa amizade linda de se ver. E nem consigo imaginar o quanto seja difícil estar longe em dias como esse. Mas para quem ama a distância é só física, de corpo. Pq a alma e o coração estarão sempre muito mas muito próximos. Te amo!

  3. maria janeiro 31, 2012 às 7:59 pm #

    caramba, Rhani! Tô aqui chorando, tão lindo seu texto!! Me identifiquei muito, mas do lugar de irmã mais velha (eu não era era chamada pra casa por conta do “carrapatinho”,mas que era obrigada a levá-lo pra tudo quanto é lugar pra evitar os escândalos da irmã mais nova, que berrava alto se não estivesse junto! E hoje também somos unha e carne). Fiquei com muita vontade de conhecer sua irmã. Parabéns pra ela!

    • desconstruindorhani janeiro 31, 2012 às 10:45 pm #

      Obrigada querida! Tô sentindo falta dos seus posts…ia adorar ver a visão da mais velha por suas palavras!Vamos fazer um encontro de irmãs qualquer dia…hahaha.beijão

  4. luisaestanafranca janeiro 31, 2012 às 8:25 pm #

    Amiga, arrepiei com seu post e me segurei pra não chorar! Com meu irmão longe também, sei exatamente o que você sente. Relação de irmão é algo inexplicável. Se tivesse que “escolher” uma pessoinha só, no mundo inteiro, escolheria ele, sem sombra de dúvida. E olha que, no meu caso, é ele o pentelho do irmão caçula! 🙂
    Saudade querida! Você é mesmo uma pessoa muito iluminada, pra escrever um texto tão especial quanto esse!
    Grande beijo,
    Luisa

    • desconstruindorhani janeiro 31, 2012 às 10:46 pm #

      Obrigada, gatinha! Sou iluminada sim por ter amigos tão especiais e queridos como vc! ❤

  5. Joana fevereiro 1, 2012 às 4:17 am #

    amiga, que linda homenagem! Vc e Rafa são muita lindas e queridas! É bonito vê-las juntas! Toda felicidade do mundo para ela!
    de fato esse post está emocionante e é um presentão!!
    Ri muito com a parte do Demétrio,lembrei de uma vez que vc me falou isso e contou a história do seu nome tb!!
    Saudade, saudade!!!
    Beijos

  6. Rafa fevereiro 1, 2012 às 8:21 pm #

    Nossa!!!!!! Esse foi meu melhor presente, depois do beijo babado do nosso Bolota!
    Bem, não tenho a mesma desenvoltura para escrever que você, mas vou tentar retribuir o texto lindo que vc fez para mim!
    A Rhani era sim uma criança muito chata, ela mamava e era muito grudada na minha mãe. Não dava um sorriso para ninguém! rsssss Mas desde cedo ela soube me conquistar com seus beijos, seus carinhos e com sua presença constante na minha vida. Eu sempre a amei apesar das concessões que vivia fazendo para ela não se esgoelar. Não sei explicar como, mas depois dos 7, 8 anos ela se tornou uma criança adorável. Nossa família comentava a grande mudança. rssssss
    Ela se tornou esse ser maravilhoso que todos vocês, amigos dela, conhecem. Simpática, carinhosa, beijoqueira, companheira, alegre, etc. Ah, cabeçuda ela sempre foi. Tenho que abrir um parêntese, eu a ensinei a escrever quando ela estava ainda no jardim! Eu a ensinava as lições de casa e ela sempre queria aprender o que eu estava aprendendo. Rsss. Acho que ajudei a formar essa cabeçudinha! rsssssss
    Quando ela esteve aqui no Brasil da última vez, estávamos com nossos respectivos maridões e o Fabio perguntou ao Felipe qual era a melhor qualidade da Rhani e ele respondeu que ela era uma ótima companheira, era “braço”! Eu concordo plenamente com ele. Essa é sua característica marcante para mim. Ela nunca, nunca, nunca contou nada para minha mãe! Ela sempre foi minha companheira e amiga. Me apoiou e apóia em tudo que faço. Até quando estou errada ela está do meu lado, nem que seja só para enxugar minhas lágrimas quando tudo der errado. Ela é maravilhosa!!!!!!!!!! É o amor da minha vida!!!!!!!!!Ela é minha alma gêmea! Minha irmãzinha! Para mim ela não cresce!
    É uma honra te ter como irmã, é uma honra fazer parte da sua vida. T amo para sempre, te escolho para sempre!!!!!!
    Ah, quanto à distância, sinto muita a falta dela, muita mesmo. Choro de saudade (mas nunca pelo skype rssssssss). Nunca imaginei que iríamos morara tão longe. Muito pelo contrário, imaginava que seríamos vizinhas e que nos veríamos diariamente. Entretanto, como a amo mais que tudo, e desejo toda felicidade do mundo para ela, sempre a incentivei a ir com o Felipe, pois sabia que esta experiência seria impar na vida dela. Tinha certeza que com o Felipe ela seria feliz e vendo sua felicidade eu estaria feliz, mesmo sem ter seus beijos e abraços sempre que eu quisesse.
    Acho que isso é amor, amor dos grandes! Amor que nunca acaba, mesmo com toda distância do mundo!
    Obrigada pelo presente!
    T amo, lindona!!!!!!!!!!!!
    Ah, enquanto escrevia este texto o seu godson começou a dar os primeiros passinhos sozinho!!!!! É muita felicidade!!!!
    bjs,

  7. Andrea fevereiro 3, 2012 às 2:37 pm #

    tão bonito! não deu pra segurar as lágrimas…beijão!

  8. Mª Fátima Acioli de Lanteuil março 11, 2012 às 11:53 pm #

    Só hoje vi esse post e também fiquei emocionada. Vocês duas tem uma relação linda mesmo, que deve encher de orgulho a Eva e o Paulo. Parabéns a vocês.

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